PS de Campolide aponta “desnorte” na governação da freguesia

Numa espécie de balanço de mandato de José Miguel Cerdeira à frente da Junta de Freguesia de Campolide, o PS local critica um Executivo que “anda à deriva”, está afastado dos “anseios” de fregueses, associações e coletividades. Bruno Antunes alega que a suposta errância na governação do território poderá ser justificada pela vitória inesperada nas eleições da coligação IL/PSD e CDS-PP, a quem os socialistas apontam “fricções internas”.    

A 28 de outubro de 2025 tomou posse o Executivo da Junta de Freguesia de Campolide, eleito pela coligação “Por ti, Lisboa”, IL/PSD e CDS-PP, liderado por José Miguel Cerdeira. O Partido Socialista de Campolide emitiu um comunicado a dar conta da sua posição relativamente ao cumprimento do mandato da coligação de direita que, há um ano, passou a governar esta freguesia da cidade de Lisboa.

Bruno Antunes, porta-voz do PS de Campolide, assinala que importa “refletir sobre as respostas que têm sido dadas face às necessidades da nossa freguesia”, considerando que este primeiro ano de mandato “tem sido marcado por sinais de desnorte” na abordagem a “questões essenciais” para o bom funcionamento de Campolide.

“A falta de higiene e limpeza urbana, a insuficiente resposta a situações do quotidiano e a dificuldade em corresponder aos anseios da população continuam a necessitar de uma atenção muito maior por parte do Executivo”.

Em declarações ao “Olhares de Lisboa, Bruno Antunes considera que Campolide “precisa de uma Junta presente, próxima das pessoas, capaz de antecipar problemas, responder com eficácia às preocupações dos fregueses e garantir a qualidade do espaço público”, sendo “essa a responsabilidade de quem governa” e é por esses resultados concretos que o trabalho do Executivo “deve ser avaliado”.

Segundo o responsável, o PS tem assumido uma oposição “construtiva, responsável e orientada para o interesse público”. Apesar das divergências políticas, “temos pautado a nossa atuação pelo sentido de responsabilidade, colocando os interesses de Campolide acima de qualquer estratégia partidária”, tendo viabilizado propostas do Executivo “em áreas vitais para o normal funcionamento da Freguesia, contribuindo para assegurar a continuidade dos serviços e para que os interesses da população não sejam prejudicados por divergências políticas”.

Pese embora a oposição “construtiva” socialista ter viabilizado as propostas do Executivo, “não abdica de exigir mais, nem deixar de apontar falhas”.

“Campolide merece mais. Merece melhores respostas, mais cuidado com o espaço público, maior proximidade e uma Junta de Freguesia focada nas necessidades reais das pessoas”, sublinha Bruno Antunes.

Vitória inesperada nas eleições

O porta-voz socialista na freguesia assevera que “este desnorte” do Executivo poderá ser explicado pelo “facto de não estar à espera de vencer as eleições”, e anota que “se vê claramente” que os eleitos da Iniciativa Liberal e do PSD “não estão em sintonia”, deixando a gestão da freguesia “à deriva”, estando a “tentar regulamentar todas as áreas”, criando regulamentos “atrás de regulamentos” em áreas “que estavam a funcionar muitíssimo bem” e que, agora, “deixaram de funcionar”.

Bruno Antunes salienta como exemplo deste “afã regulador”, de um Executivo que “quer mudar tudo de uma assentada”, na apresentação de um plano de cultura para Campolide, que será apresentado na segunda-feira. Foi desenhado após uma consulta pública, que obteve contributos dos fregueses, mas que não foram tomados em conta pelo presidente de Junta.

Ilustra ainda com outro exemplo: “Passado um ano, houve uma demissão de um membro do Executivo. Mas foi proposta a substituição por um membro masculino, não cumprindo a lei da paridade”, uma situação que gerou controvérsia, obrigando o Executivo a retirar essa proposta, no decurso da própria Assembleia de Freguesia, por ter sido levantada a questão do não cumprimento da lei.

O responsável sublinha não fazer parte da Assembleia, mas acentua haver um consenso dentro do grupo socialista em tomar uma posição firme face às alegadas confusões ocorridas durante este ano de mandato, anotando a “notória fricção entre o presidente e os elementos do PSD” do Executivo.

Segundo a posição dos socialistas de Campolide, falta à liderança da freguesia “articulação com as necessidades que os fregueses elencam, e têm sido muitos os fregueses a participarem no período antes da ordem do dia”, designadamente na resolução dos problemas do dia a dia: higiene urbana, “fazer pressão sobre a Câmara”, mas sobretudo “estar do lado das associações e coletividades”, anota, exemplificando com a falta de diálogo entre os organizadores da Marcha de Campolide e a Junta.

Bruno Antunes reconhece legitimidade política ao Executivo, por terem sido eleitos pela população, mas critica contundentemente a atitude “precipitada” do presidente da autarquia, que “quer mudar tudo de uma só vez, sem consultar os colégios locais, as associações de moradores, as coletividades”, conclui.

 

 

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