Bernardino Soares quer fomentar o acesso à habitação – O MUNÍCIPO DE LOURES PRETENDE CRIAR 2 MIL NOVOS FOGOS A PREÇOS CONTROLADOS  

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O presidente da câmara de Loures anunciou que é seu objetivo continuar a apoiar a politica da “valorização das pessoas” e avança que a autarquia tem a ambição de construir 2 mil novos fogos no concelho.  

O boom do turismo registado em Lisboa nos últimos anos fez disparar os preços das casas em toda a área metropolitana da capital. O concelho de Loures, como no resto da periferia, não ficou imune a este fenómeno e há hoje apartamentos a preços exorbitantes para a bolsa da maioria da população – no Infantado, por exemplo. Para inverter esta tendência, a câmara de Loures pretende levar a cabo um ambicioso projeto de oferta de habitação social e a preços controlados “para que muitas das pessoas que não podem hoje comprar ou alugar casa no concelho, possam fazê-lo”, revelou Bernardino Soares ao OLHARES DE LISBOA.

Em entrevista exclusiva, o presidente da Câmara explicou que é objetivo de a autarquia “construir 2 mil novos fogos no concelho” como forma de fomentar o acesso à habitação “de pessoas com dificuldades económicas, mas também de muita gente que tem a vida estruturada, mas não consegue ter casa”, nomeadamente muitos jovens “que não conseguem sair de casa dos pais” por causa dos preços inacessíveis dos imóveis.

Bernardino Soares assume que este projeto não vai criar “nenhum novo grande aglomerado urbano” no concelho, uma vez que irá ser dispersado pelos já existentes, em novas construções e na requalificação de edifícios em mau estado.

O edil manifesta, contudo, a sua “vontade” em ter a participação do Estado naquele promete ser o projeto mais ambicioso alguma vez realizado pelo município. Até porque o orçamento de uma câmara “média”, como a de Loures, é manifestamente curto para uma obra desta envergadura, mas afiança que Estado terá verbas para apoiar este tipo de infraestruturas imobiliárias que são “vitais” para a “valorização da vida das pessoas”.

Para o caso de o governo torcer o nariz a este projeto, o presidente da câmara de Loures assegura que “não vai ficar à espera”, ad eternum, da luz verde do governo central. E assevera que a Câmara “vai avançar na mesma”, ainda que em moldes mais modestos.



Pandemia

Bernardino Soares manifestou, por outro lado, preocupação com a situação pandémica “extremamente grave” no concelho e enalteceu a ação concertada no combate à pandemia da Covid-10, levada a cabo pela Câmara e as entidades de saúde e da segurança social, “que mereceu já uma menção honrosa no prémio de políticas públicas do IPPS- ISCTE”, e acredita que as escolas do concelho, mais tarde ou mais cedo, terão mesmo que fechar.

O Hospital Beatriz Ângelo, segundo o líder da autarquia, está “há muito sobrelotado” e numa situação “muito complicada”, porque não houve medidas razoáveis da parte da ARS de Lisboa e demais autoridades de saúde do distrito de Lisboa, que, logo no início da pandemia, sobrelotaram esta unidade de saúde “de média dimensão”, enquanto os grandes hospitais de Lisboa, como o Santa Maria ou o São José, ficaram numa segunda linha no ataque a este problema de saúde pública.

O edil mostra-se preocupado com a situação dos “pequenos empresários” do comércio local e revela que a autarquia “vai atribuir um apoio financeiro significativo às IPSS” do concelho no sentido de canalizarem as suas compras do dia a dia para o comércio local. Serão cerca de 1 milhão de euros destinados a esta impulso do tecido económico local em Loures.

Bernardino Soares aproveitou para lembrar que a autarquia não ficou de braços cruzados e que pôs as mãos na massa no ataque à resolução da falta de auxiliares nas escolas e já admitiu “mais 100 trabalhadores para as escolas do concelho”, reforçando assim as equipas de trabalho existentes em cada agrupamento. E revelou que o parque escolar de Loures vai ficar livre de amianto em 2021.

O autarca diz que o problema recorrente das cheias em Sacavém tem os dias contados. A câmara tem projetada uma obra “de grande envergadura”, onde vão ser aplicados 6 milhões de euros, na requalificação das margens do rio Trancão, que irá terminar definitivamente com um problema “de que toda a gente se lembra quando ele acontece, mas que ninguém ainda conseguiu resolver”

 

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