BERNARDINO SOARES QUER SABER PARA QUANDO O METRO PARA LOURES

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O presidente da Câmara de Loures, acompanhado por empresários e representantes associativos, entregou na residência oficial do Primeiro Ministro uma petição a favor da extensão do metro a Loures. Posição apoiada pela Câmara de Odivelas.

As Câmaras de Loures e Odivelas, assim como empresários e residentes, defendem, em carta entregue hoje ao chefe de Gabinete do Primeiro Ministro, para a necessidade urgente de se inscrever a expansão do metro ao concelho de Loures no próximo quadro comunitário de forma a garantir-se «que este investimento se vai realizar», na próxima década.

Desde 1982, quando o Metropolitano de Lisboa previu a expansão da linha amarela até Loures, passando pelo celebre «episódio» da corrida entre o Ferrari e o burro, na Calçada de Carris, protagonizado nas eleições autárquicas de 1993 pelo atual Primeiro Ministro, António Costa, que a questão da expansão da rede do metro a Loures se coloca.

Há 27 anos, o então candidato à presidência da Câmara, António Costa, quis mostrar que era mais rápido ir de Loures a Lisboa cavalgando «um burro» do que «tripular» um potente Ferrari. Na altura, o atual Primeiro Ministro reivindicava transportes pesados de e para Loures para «minimizar os congestionamentos de trânsito na Calçada de Carriche».

Segundo o presidente da Câmara de Loures, Bernardino Soares, a chegada do metro a Loures irá reduzir as emissões diárias de dióxido de carbono. «E nada como fazer chegar esse apelo a António Costa, que em 1993, em campanha eleitoral, via o que as populações passavam para chegar a Lisboa”, acrescentou, referindo-se ao ano em que o primeiro-ministro se candidatou pelo PS à Câmara de Loures.

A chegada do metro a Loures, segundo Bernardino Soares, irá originar uma redução de «400 toneladas de emissões diárias de dióxido de carbono», porque permitiria «um efetivo abandono do recurso ao transporte individual».

Obra prioritária

Hoje, após um pequeno-almoço com o presidente da Câmara de Odivelas, Hugo Martins, e com autarcas de outros concelhos limítrofes, empresários e associações de moradores e religiosas, Bernardino Soares, presidente da Câmara de Loures, acompanhado pelo empresário Fernando Teixeira, da transportadora Barraqueiro, e por representantes de associações representativas do concelho, entregou ao Chefe de Gabinete do Primeiro Ministro, na residência oficial de S.  Bento, uma carta a «exigir» a expansão da rede, lembrando que, já em 1982, «Metropolitano de Lisboa previa a expansão da linha amarela até Loures».

Hugo Martins, presidente da Câmara de Odivelas, assim como Ricardo Leão, presidente da Assembleia Municipal de Loures e presidente da concelhia do PS de Loures, são alguns dos «apoiantes de peso» desta reivindicação de Loures que já recolheu cerca de 32 mil assinaturas.

O presidente da Câmara de Loures alertou para a necessidade de se inscrever no próximo quadro comunitário a expansão do metro a esta zona limítrofe da cidade de Lisboa. Para Bernardino, «é uma opção inadiável inscrever, no próximo fundo do quadro comunitário, a expansão do metro ou corre-se o risco de se estar a adiar por mais de uma década esta opção», frisando a importância desta medida para que as populações sejam bem servidas de transportes públicos.

Populações sem alternativa

A petição, entregue «em mão» na residência oficial de António Costa, defende a concretização da extensão do metro a Santo António dos Cavaleiros, Loures, Infantado, Portela e Sacavém.

Do ponto de vista de Bernardino Soares, esta expansão é «urgente e prioritária, até porque Loures «é o único concelho limítrofe que não tem nenhuma alternativa eficiente e acessível de transporte em carril», obrigando dezenas de milhares de pessoas a utilizar o transporte rodoviário ou viatura particular.

O autarca recorda que o concelho de Loures é o único a possuir «um corredor, na Área Metropolitana de Lisboa, que não tem um transporte pesado que permita o transporte das 100 mil pessoas que se deslocam em viatura própria só dos concelhos de Loures e Odivelas».

Na perspetiva de Bernardino Soares, a defesa da extensão do metropolitano “não é uma disputa entre o metro para Loures e a linha circular, mas é a realidade de ter uma zona da AML colada à cidade de Lisboa que não tem um transporte pesado eficaz e isso tem de ser alterado».

Defendendo que a expansão «é uma alavanca para um maior desenvolvimento económico», tratando-se de uma mais valia para todo o comércio e indústria do concelho, Bernardino Soares salienta que, «esta situação tem elevados custos económicos e ambientais, degrada a qualidade de vida da população afetada e constitui um entrave ao desenvolvimento do concelho”, lembrando que também os habitantes da zona oeste e de Vila Franca de Xira poderiam beneficiar da chegada do metro a Loures.

Na carta entregue por Bernardino Soares, a Câmara recorda que, «no plano de expansão do Metropolitano, de 2009, divulgado pelo Governo para o período de 2010/2020, estava previsto, no traçado da obra de extensão da linha amarela a Odivelas, a expansão para Loures. Também, no traçado da obra de extensão da linha vermelha até ao aeroporto, estava prevista a expansão para a Portela e Sacavém».

A expansão do metropolitano no concelho permitiria servir uma população superior a 135 mil residentes, podendo, pela via pedonal, a partir do seu domicílio, abranger cerca de 39 mil residentes, com evolução potencial para cerca de 48.500.

Mais mobilidade

Do ponto de vista da autarquia são vários os benefícios da expansão do metro a Loures, recordando que, no plano da mobilidade, nomeadamente nas questões de trânsito e de estacionamento, as «vantagens para outros concelhos são enormes e evidentes, seja a norte e oeste, de onde diariamente se deslocam para Lisboa, atravessando Loures, dezenas de milhares de pessoas provenientes de Mafra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras, Arruda dos Vinhos e Vila Franca de Xira, seja nos casos de Lisboa e Odivelas».

A autarquia relembra que tem tornado pública a sua posição, tendo iniciado, em junho de 2017, uma campanha de esclarecimento e subscrição desta reivindicação, que originou a formalização de uma petição, com a recolha da assinatura de 31.314 subscritores, entregue na Assembleia da República.

Na sequência desta petição, foram apresentados projetos de resolução pelos vários grupos parlamentares, tendo resultado na aprovação, em plenário da Assembleia da República, no dia 5 de julho de 2019, de uma Recomendação ao Governo da prioridade da expansão da rede do metropolitano no concelho de Loures.