CARLOS MOEDAS QUER EMPENHAMENTO DE TODOS PARA UMA CIDADE MAIS LIMPA

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa reuniu-se hoje de manhã com sindicatos afetos aos trabalhadores da Higiene Urbana para debater questões ligadas à recolha do lixo na cidade, que tem sido alvo de críticas. Carlos Moedas, que anunciou a contratação de 190 trabalhadores, garantiu que, até ao final do ano, as juntas de freguesia vão receber “10,2 milhões de euros” relativos à higiene urbana.

O presidente da Câmara de Lisboa defendeu esta quarta-feira que as dificuldades na recolha do lixo só podem ser colmatadas “em conjunto” com as 24 juntas de freguesia, os sindicatos e os trabalhadores da recolha de lixo, lembrando que as juntas de freguesia dispõem este ano de 10,2 milhões de euros para a higiene urbana.

No final de encontros com sindicatos, Carlos Moedas destacou que disse às estruturas sindicais o que estava a fazer para resolver a falta de higiene urbana em Lisboa, um problema que já vem de trás e que precisa «do empenhamento de todos»: dos sindicatos, dos trabalhadores, das pessoas em geral, da Câmara Municipal e também das Juntas de Freguesia.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que esteve reunido com sindicatos afetos aos trabalhadores da Higiene Urbana para debater questões ligadas à recolha do lixo na cidade, apelou ao empenho de todos, nomeadamente sindicatos, trabalhadores e juntas de freguesia, na resolução dos problemas do lixo em Lisboa, salientando que até setembro vão entrar 190 novos trabalhadores para a higiene urbana.

De acordo com Moedas, este executivo identificou um problema de falta de funcionários e por isso a autarquia está a contratar 160 novos cantoneiros e mais 30 motoristas de veículos, num processo que deverá estar concluído em setembro.

Moedas destacou que uma das primeiras coisas que fez, «quando chegou à Câmara, foi atribuir um milhão de euros para o subsídio de insalubridade aos trabalhadores da higiene urbana, “que eles merecem” e “que tinham estado a negociar há muito tempo”.






«Não podemos ignorar a realidade e todos nós andamos pela rua e as nossas conversas com os munícipes e com os fregueses é que há muitas dificuldades na recolha do lixo em Lisboa, e é perante essa realidade que temos que agir», declarou Carlos Moedas.

«Aquilo que o presidente da Câmara tem estado a fazer é resolver a situação. Mas eu, sozinho, não consigo resolver. Portanto, preciso do empenhamento de todos e das freguesias, que são importantíssimas, porque as pessoas muitas vezes não têm noção, mas as freguesias são aquelas que limpam e lavam as ruas e que limpam à volta dos ecopontos e das eco-ilhas», disse.

Segundo o autarca, a Câmara de Lisboa devia oito milhões de euros às juntas de freguesia, no âmbito dos contratos de delegação de competências relativos à higiene urbana, «que já foram pagos», revelando que vão ser transferidas para as autarquias, este ano, mais 10 milhões de euros».

«Estou seguro que estamos a entrar numa nova etapa desta nossa relação entre a câmara municipal e as juntas de freguesia, mas, acima de tudo, numa nova etapa de um compromisso comum à cidade: a limpeza e a higiene urbana», afirmou o autarca.

Carlos Moedas adiantou que, desde a tomada de posse do atual executivo camarário, em outubro de 2021, foi possível encontrar um espaço orçamental de 18 milhões de euros para a higiene urbana, em que se incluem os 10,2 milhões para este ano e 7,8 milhões referentes ainda a 2021.

Para o autarca, a câmara municipal está a fazer «um esforço enorme» nesta área, revelando que a cidade de Lisboa «produz por dia mil toneladas de lixo e de resíduos, portanto é muito difícil responder às necessidades».

O presidente da câmara manifestou «um agradecimento profundo aos trabalhadores da higiene urbana, que são os primeiros na linha da frente, são eles os primeiros que querem oferecer a Lisboa e aos lisboetas uma cidade limpa», mas que têm tido “muitas angústias” face às dificuldades.

Carlos Moedas falou aos jornalistas após encontros com sindicatos, nomeadamente o Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML), o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) e o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP).

Vítor Reis, do STML, destacou que os problemas da higiene urbana em Lisboa não são de hoje e pioraram com a passagem de competências da câmara para as juntas de freguesia, em 2014. Agora, com o fim da pandemia e o regresso do turismo, o problema agudizou-se.

O sindicalista salientou que o STML está disponível para debater os problemas da higiene urbana e lembrou que ainda no mês passado entregou um caderno reivindicativo ao município, no qual identificou problemas como a falta de funcionários, nomeadamente cantoneiros, a exigência de que esta profissão seja considerada de desgaste rápido e a atualização do suplemento de penosidade e risco.

Já Pedro Salvado, do SINTAP, salientou que também este sindicato está «sempre disponível para colaborar na valorização dos trabalhadores, naquilo que seja ajudar os trabalhadores e, consequentemente, ajudar o município» na questão da limpeza urbana, reconhecendo que existe, «por parte da Câmara Municipal, uma forte preocupação em resolver os problemas dos trabalhadores da higiene urbana».

Contudo, na perspetiva deste dirigente sindical, a resolução dos problemas «passa pela valorização dos trabalhadores, não só na vertente económica, mas também na formação profissional».

Por outro lado, Pedro Salvado afastou a hipótese de uma nova greve dos trabalhadores da higiene urbana, «enquanto estiverem numa mesa negocial», mostrando a disponibilidade total do SINTAP para, em conjunto com a autarquia, «valorizar o trabalho dos funcionários da higiene urbana».

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