EM 2021, LISBOA VAI TER CASAS PARA TODAS AS «BOLSAS»

Hoje, com a colocação da primeira pedra de um empreendimento de 128 fogos na Avenida das Forças Armadas, arrancou um ciclo da vida de Entrecampos e da capital, onde, dentro de 16 meses, vão existir casas para arrendar a preços acessíveis à maioria das bolsas.

Dez anos depois dos últimos blocos de apartamentos construídos pela EPUL, a Câmara Municipal de Lisboa retomou a construção pelo município de habitação no centro da cidade, destinada a jovens e a famílias da classe média, com rendas acessíveis a todas as bolsas

«Trata-se do início da concretização de uma grande obra pública de habitação para a classe média e para os jovens de Lisboa, a ser desenvolvida pela empresa municipal SRU (Sociedade de Reabilitação Urbana) Lisboa», defende o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, recordando que o regulamento da Renda Acessível estabelece que cada pessoa ou família deverá gastar no máximo 30% do seu salário líquido na renda.

De acordo com a câmara, o valor da renda de um T0 pode, assim, variar entre 150 e 400 euros, o de um T1 situar-se entre 150 e 500 euros e um T2 terá uma renda que pode ir dos 150 aos 600 euros, enquanto as tipologias superiores contarão com uma renda mínima de 200 euros e máxima de 800, em função dos rendimentos líquidos das pessoas.

É, devido a isso, que o autarca acredita que, «daqui a cerca de ano e meio, nós teremos centenas de pessoas, jovens e famílias da classe média a habitar nesta zona e que sem este projeto de Renda Acessível, sem a iniciativa da câmara, não teriam esta oportunidade de viver no centro da cidade».

Na perspetiva de Fernando Medina, este projeto, assim como outros em desenvolvimento, vão permitir criar uma «cidade de ciclo curto», em que as pessoas vivam mais perto do local de trabalho e de onde os filhos estudam, «é uma grande proteção do ponto de vista da qualidade de vida, da saúde e do ambiente».





Nova cara para Entrecampos

Incluído na «Operação Integrada de Entrecampos», este projeto vai dar uma nova cara a 25 hectares no coração da capital, incluindo os terrenos da extinta Feira Popular, com projeto dos arquitetos Souto Mora e Siza Vieira e cujos loteamentos foram, ontem, aprovados em reunião da Câmara, prevendo-se o inicio dos trabalhos para setembro/outubro.

Ao contrário da política seguida pela EPUL, as casas construídas e reabilitadas para o Programa de Renda Acessível ficarão na posse da autarquia e garantirão uma bolsa de casas no centro da cidade a preços que as classes médias e os jovens possam pagar.

O presidente da Câmara de Lisboa, acompanhado pela vereadora de Habitação, Paula Marques, e pela presidente da Junta de Freguesia das Avenidas Novas, Ana Gaspar, lançou, esta manhã, a primeira pedra de um lote de 128 fogos na Avenida das Forças Armadas destinados ao programa de renda acessível, num investimento de 14 milhões de euros.

Na ocasião, Fernando Medina recordou que estes são os primeiros 128 fogos de um total de 476 casas e vários equipamentos sociais de apoio para jovens e famílias da classe média, que deverão estar todos em obra até ao final do ano.

O edil relembrou que, paralelamente a estas obras, a edilidade está a realizar a recuperação de 220 fogos da Segurança Social que adquiriu na Av. da República e outras ruas adjacentes e vai construir uma residência para estudantes, com 350 camas, na Manuel Damaia, que implicará um investimento de 9,9 milhões de euros.

É, por isso, que do ponto de vista de Fernando Medina, «hoje arrancou um projeto extremamente importante para o futuro da cidade de Lisboa, que vai permitir, dentro de 16 meses, o regresso dos jovens e das famílias da classe média ao centro da cidade em habitação de qualidade, com espaços verdes e várias infraestruturas de apoio, nomeadamente comércio local. «Esta zona vai ter infraestruturas ao nível do pré-escolar, ao nível das escolas aqui bem perto e ao nível do reforço das infraestruturas de apoio às pessoas mais velhas», acrescentou.

Já para a vereadora da Habitação, Paula Marques, «este programa vai permitir aumentar o parque público habitacional» e, ao mesmo tempo, regular o mercado de arrendamento em Lisboa. Alias, à semelhança de Fernando Medina, Paula Marques fez questão de referir alguns programas da autarquia, nomeadamente o renda segura, que vão contribuir para a regulação do mercado de aluguer de habitação.

Por sua vez, Ana Gaspar, presidente da Freguesia das Avenidas Novas, defendeu que este programa vai «trazer mais gente para a cidade de Lisboa, nomeadamente jovens», reiterando a necessidade de acelerar a resposta municipal de acesso à habitação.

Grande centro habitacional e de negócios

Fernando Medina não quis dissociar o dia de ontem, aprovação das alterações ao loteamento dos terrenos da Feira Popular, ao ato de colocar a primeira pedra deste empreendimento, lembrando que a chamada «Operação Integrada para Entrecampos» pode vir a tornar-se, nos próximos anos, num grande centro habitacional e de negócios da capital.

Segundo o autarca lisboeta, por feliz coincidência, a Câmara de Lisboa aprovou, quinta-feira, as alterações à operação de loteamento prevista para os terrenos da antiga Feira Popular, adquiridos pela Fidelidade, na condição de avaliar posteriormente os impactos decorrentes do parque de estacionamento e respetivas rampas de acesso.

O projeto de arquitetura, em desenvolvimento pelos arquitetos Álvaro Siza Vieira, Eduardo Souto de Moura e Ana Costa, propõem, entre outros aspetos, uma modelação do terreno que «permite criar novos percursos e espaços de estadia, relacionando as cotas da envolvente com as áreas comerciais e de lazer», lê-se na memória descritiva da alteração simplificada do loteamento da «Operação Integrada de Entrecampos».

Nos terrenos da antiga Feira Popular vão nascer, assim, mais 279 habitações, que serão colocadas em regime de venda livre, e escritórios, que a autarquia prevê que levem à criação de 15 mil novos empregos.

O que vai nascer em Entrecampos

A Operação Integrada de Entrecampos prevê, também, a construção de 700 fogos de habitação de renda acessível naquela zona da capital (515 construídos pelo município) e de um parque de estacionamento público na Avenida 5 de Outubro, estando orçada em 800 milhões de euros, dos quais 100 milhões serão responsabilidade do município.

A proposta camarária abrange uma área equivalente a 25 campos de futebol, estendendo-se da rotunda de Entrecampos à linha de comboio, apanhando os terrenos da antiga feira e a avenida Álvaro Pais, esta intervenção urbanística prevista para Entrecampos é classificada como «a maior da atualidade no país e das mais importantes já realizadas na cidade desde a Expo98». Entre habitação, comércio e serviços, a autarquia estima que o projeto atraia 17 mil pessoas para esta zona da capital.

Seis objetivos a atingir

O plano para Entrecampos tem seis objetivos centrais: o primeiro é criar 700 fogos de habitação de renda acessível para as classes médias e 279 em regime de venda livre. Segue-se o plano para tornar Entrecampos um «centro de serviços de referência internacional», convergindo no atual interface de transportes todas as ligações ferroviárias da área metropolitana de Lisboa e a linha amarela do metro.

De seguida, surge a aposta em espaços de lazer: o projeto contempla a criação de um total de 24.700 m2 de novos espaços verdes, cerca de 2,4 hectares, sensivelmente metade da área do jardim da Estrela.

Entre os objetivos surgem ainda o reforço da oferta de comércio, «privilegiando as lojas de rua nos vários espaços da intervenção integrada». Pretende-se ainda o aumento a oferta de equipamentos sociais, nomeadamente com três creches e um jardim de infância mas também maior resposta para a terceira idade, com uma unidade de cuidados continuados, centros de dia e lar. Numa vertente cultural, está prevista a preservação da memória do Teatro Vasco Santana e uma galeria de arte.

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