LISBOA REALIZA SONHO «VERDE» DO ARQUITETO RIBEIRO TELLES

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Com mais de 1000 árvores plantadas e uma área verde com cerca de seis hectares, o Parque Urbano Gonçalo Ribeiro Telles, na Praça de Espanha, em Lisboa, está desde domingo aberto ao público. Esta é uma das homenagens de Lisboa ao arquiteto paisagista, que morreu no ano passado, aos 98 anos.

Ainda não está totalmente concluído, mas o essencial do novo Parque Urbano Gonçalo Ribeiro Telles, na Praça de Espanha, quase tão grande como o Jardim da Estrela, está feito. Desta forma, o Parque Ribeiro Telles, em homenagem ao histórico arquiteto lisboeta, já está, desde domingo, dia de Santo António, aberto ao público.

Orçada em 16 milhões de euros, a requalificação da Praça de Espanha (o parque e a rede viária, já finalizada) foi a maior obra a decorrer nos últimos meses na cidade. No pico dos trabalhos chegou a juntar 300/350 pessoas por dia.

«A intervenção de requalificação da Praça de Espanha veio introduzir uma profunda transformação no território e integra um conjunto alargado de projetos e obras que, à medida que foram estando com os seus trabalhos concluídos, foram sendo postos à disposição da população. Foi o caso da rede viária, das ciclovias e agora é chegada a vez da componente verde da intervenção. Assim, o novo parque verde com os respetivos equipamentos infantis e desportivos vai abrir, prevendo-se que gradualmente infraestruturas de apoio como a cafetaria e os quiosques entrem também em funcionamento», salienta a Câmara de Lisboa.

As obras deste Parque Urbano arrancaram no início de 2020 e estava inicialmente previsto que terminassem nesse mesmo ano, a tempo da Lisboa Capital Verde Europeia, mas essa conclusão foi depois adiada para primeiro trimestre de 2021, e voltou a prolongar-se até agora, devido ao inverno chuvoso e aos casos de covid-19 que atrasaram os trabalhos.

Com mais de 1000 árvores plantadas e uma área verde com cerca de seis hectares, este novo parque no centro de Lisboa, que faz a articulação entre o Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian e o corredor verde de Monsanto, devolveu «mais natureza e ecologia» a uma zona da cidade que era «tomada pelos automóveis», salientou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que inaugurou o espaço em dia de Santo António (feriado municipal), acompanhado pelos filhos e netos do «arquiteto paisagista de Lisboa». Os netos de Ribeiro Telles, num ato de homenagem ao avô, plantaram árvores, que representam toda a luta do arquiteto pela criação de mais espaços verdes em Lisboa.





Para o filho do arquiteto, o embaixador Francisco Ribeiro Telles, este parque urbano «representa uma relação ecológica perfeita entre duas das principais obras de Ribeiro Telles: os jardins da Fundação Gulbenkian e o corredor verde de Monsanto».

Em nome da família, o embaixador Francisco Ribeiro Telles agradeceu a homenagem «e a profunda gratidão da cidade de Lisboa para com o seu arquiteto paisagista».

Por seu turno, Isabel Mota, presidente do Concelho de Administração da Fundação Gulbenkian, recordou que o arquiteto Ribeiro Telles foi o projetista dos jardins Gulbenkian, salientando a ligação entre a natureza e a paisagem, «criada» por Ribeiro Telles.

Isabel Mota defendeu, ainda, que a ampliação e renovação dos jardins da Fundação, em curso, se devem «à inspiração do arquiteto Ribeiro Telles.

«O nascimento deste grande parque urbano, com mais de seis hectares, cria um contínuo verde desde os Jardins da Amnistia Internacional, no Corredor Verde de Monsanto, até aos Jardins da Gulbenkian, ambos espaços da sua autoria», acrescenta Isabel Mota.

Já para Fernando Medina, «este parque é uma grande conquista da cidade», sublinhando que «são seis hectares numa zona tomada pelo automóvel e que foi transformada num dos maiores parques urbanos da cidade», traduzindo «todos os exemplos que Gonçalo Ribeiro Telles ao longo de décadas nos ensinou de como devia e podia ser uma cidade. Uma zona com menos área para a circulação automóvel», frisou.

Segundo o autarca, trata-se de «uma aérea em harmonia com a natureza e com a ecologia, onde se mostra aquilo que será o percurso normal da água, o conjunto de mais de 1000 árvores plantadas» e onde se utiliza técnicas de sequeiro, além do parque infantil e das zonas de lazer e para práticas desportivas.

Fernando Medina disse ainda que este parque vai desenvolver-se ao longo dos próximos anos com a plantação de novas espécies e o crescimento das árvores. «Esta é uma zona onde “aplicámos muito” do pensamento de Gonçalo Ribeiro Telles, transformando zonas que eram impermeáveis, em zonas permeáveis, aproveitando bacias naturais de água, para ela poder circular e aparecer de novo», afirmou Fernando Medina, que referiu ainda o antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, João Soares, que foi um dos primeiros a contribuir para a renovação da Praça de Espanha ao «colocar» o Arco de S. Bento numa das alas dessa praça.

Apesar desta inauguração, as obras ainda decorrem, uma vez que ainda faltam várias coisas: quiosques, cafetaria, alguns caminhos que irão atravessar a área relvada e a ponte pedonal que ligará a Fundação Calouste Gulbenkian à nova praça.

O arquiteto de Lisboa

Gonçalo Pereira Ribeiro Telles, figura pioneira da arquitetura paisagista em Portugal, morreu em 11 de novembro, na sua casa, em Lisboa, aos 98 anos. Nascido em 25 de maio de 1922, em Lisboa, Gonçalo Ribeiro Telles idealizou os chamados «corredores verdes» da capital e concebeu os jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, em conjunto com o arquiteto António Viana Barreto.

Licenciou-se em Engenharia Agrónoma e formou-se em Arquitetura Paisagista, no Instituto Superior de Agronomia, onde iniciou a vida profissional como assistente e discípulo de Francisco Caldeira Cabral.

Em 1971, ajudou a fundar o movimento Convergência Monárquica e, após o 25 de Abril, foi um dos fundadores do Partido Popular Monárquico, a cujo diretório presidiu e que, em 1979, fez parte da Aliança Democrática (AD), liderada por Francisco Sá Carneiro.

Ainda na política, fundou, em 1957, com Francisco Sousa Tavares, o Movimento dos Monárquicos Independentes e, depois, o Movimento dos Monárquicos Populares, apoiando, um ano mais tarde, a candidatura presidencial de Humberto Delgado.

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