O primeiro-ministro, António Costa andou, na manhã de hoje, em vários transportes públicos, para mostrar os benefícios do novo passe único para toda a Área Metropolitana de Lisboa.

Para assinalar o arranque deste novo título de transporte, o primeiro-ministro ligou os dois extremos da Área Metropolitana de Lisboa. Começou o dia às 07.30 na Ericeira (Mafra) ao apanhar o autocarro para Lisboa na companhia do presidente da autarquia local, Hélder Silva (eleito pelo PPD/PSD), já em Lisboa apanhou o metropolitano no Campo Grande para Entrecampos onde entrou no comboio da Fertagus que liga a capital a Setúbal pela Ponte 25 de Abril.

E foi em Entrecampos que se encontrou com os ministros João Pedro Matos Fernandes (Ambiente e Transição Energética) e Pedro Nuno Santos (Transportes e Habitação), responsáveis das operadoras, o vereador da Mobilidade da autarquia de Lisboa (Miguel Gaspar) e Fernando Medina, para seguirem para Setúbal, onde era aguardada pela presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, e pelo presidente da Câmara de Loures, Bernardino Soares, que não resistiu e recordou a António Costa a história do burro e do ferrari: «Fui pela Calçada de Carriche, havia um acidente e perdi o comboio por dois minutos, como não tinha nem burro nem Ferrari…”, gracejou, lembrando que este atraso só vem «comprovar que o metro está atrasado em Loures».No salão nobre da autarquia liderada por Maria das Dores Meira e depois de ouvir os discursos sobre a importância desta medida e as virtudes do encontro de opiniões entre todos os envolvidos – operadores de transportes, autarcas, governo – o primeiro-ministro lembrou a frustração de nunca ter sido «secretário de Estado dos Transportes» de  forma a poder contribuir para «uma estruturação dos territórios em que o sistema de circulação seja funcional».

Depois de lembrar também que esta medida entrou em vigor em 15 Comunidades Intermunicipais, dia 15 em outra e a 1 de maio nas restantes 15 – todas com propostas diferentes – e de criticar quem fala em eleitoralismo de uma medida que “foi aprovada em março do ano passado numa cimeira das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e estava no Orçamento de Estado para 2019”, o primeiro-ministro deixou a sua opinião sobre o tema “ideia do projeto”: “Nunca tivemos uma medida com tantas mães e tantos pais coletivos.”

Concurso para expansão do metro

Fernando Medina, presidente da Área Metropolitana de Lisboa e, também presidente da Câmara de Lisboa, anunciou que foram vendidos mais 70 mil passes navegantes em março do que em igual período do ano passado. Uma subida conseguida muito à custa de pessoas «com mais de 65 anos que não andavam de transportes, que tinham abdicado da sua mobilidade», recordando o concurso que a AML vai lançar para o transporte rodoviário – «vão ser mais de 30 milhões de euros dos orçamentos de todos os municípios para se fazer uma frota conjunta que se chamará Carris Metropolitana», e anunciou que a câmara vai lançar um concurso no valor de 45 milhões de euros direcionado para o metro ligeiro que irá ser prolongado até à Cruz Quebrada, Parque das Nações e Loures.

O primeiro-ministro sublinhou, ainda, que, depois das complexas negociações com os 19 operadores, temos aí os resultados de «um trabalho notável feito entre os autarcas e o Governo», que permitiu «não só uma redução muito significativa do custo tarifário, mas também fazer uma coisa com que há décadas se sonhava: um único passe que dê para toda a Área Metropolitana e para todos os operadores, seja de autocarro, comboio, barco ou elétrico. Tem a vantagem absolutamente extraordinária de cada um ter a liberdade de escolher os seus trajetos», defendeu.

António Costa, referindo-se a eventuais problemas na oferta de transportes, devido ao aumento da procura, admitiu «um período de ajustamento», mas assegurou que esta será ajustada.

Desta forma, desde o dia 1 de abril, o novo passe Navegante Metropolitano custa no máximo 40 euros mensais por utente e permite viajar em todos os operadores de transportes públicos na Área Metropolitana de Lisboa (AML). Foram também criados 18 passes Navegante Municipal, um para cada dos 18 concelhos que integram a AML e, neste caso, permite apenas viajar no concelho para o qual foi adquirido por 30 euros.

Considerados como uma verdadeira revolução em termos de mobilidade, este novo passe, conforme foi salientado por António Costa e Fernando Medina, presidente da Área Metropolitana de Lisboa, vai consignar «a liberdade de mobilidade dos transportes públicos como um direito dos cidadãos» e devolver «rendimentos às familias», recordando que são «2,7 milhões de pessoas na AML que «ganharam o direito à mobilidade dos transportes públicos».

De facto, existem milhares de pessoas que já revalidaram os seus títulos de transporte. No entanto, a enorme procura provocou algumas situações de falta de impressos para requisitar o cartão Lisboa Viva. Foi o caso dos postos de venda de Entrecampos e da estação de comboios de Queluz-Belas.

A maioria dos utentes dos transportes públicos estão satisfeitos com esta nova modalidade mas, contudo, ainda se mostram expectantes em relação ao serviço que vai ser prestado, perguntando: «onde vão buscar tantos autocarros para transportarem toda esta gente?»

Maria Santos, empregada de escritório e moradora na Ramada, Odivelas, considera «espetacular esta medida» que, na opinião de Manuel Silva, da Cova da Piedade, Almada, «peca por ser tardia». Estes e outros utentes que moram nos concelhos limítrofes mas que trabalham em Lisboa, caso de Ivone da Glória (Póvoa de Santa Iria) e Afonso Bráz (Castanheira do Ribatejo), salientam que este título lhes vai permitir uma poupança de cerca de 100 euros por mês. Pois vão deixar de ter passes combinados para se deslocarem de um lado para outro.

É só carregar

O novo passe Navegante Metropolitano custa 40 euros mensais por utente e permite viajar em todos os operadores de transportes públicos na AML São também criados 18 passes Navegante Municipal, um para cada concelho da AML, a 30 euros.

O cartão continua a ser o Lisboa Viva e começou a poder ser carregado desde o passado dia 26 de março. O carregamento decorre nos moldes atuais: balcões e máquinas dos operadores, online e em caixas multibanco.

As crianças até ao mês em que completam os 13 anos podem viajar gratuitamente em toda a AML e são mantidos os atuais descontos para estudantes, reformados, pensionistas e carenciados, tendo como referência os novos preços.

Validade

O novo passe é mensal, válido entre o dia 01 e o último dia do mês para o qual é adquirido. Deixam de existir os passes válidos por 30 dias, os chamados passes deslizantes.

Para assegurar o período transitório que se verificará em abril, os transportes da Área Metropolitana de Lisboa vão ter um passe transitório com o preço de 10 euros e validade de sete dias. Este passe pode ser adquirido a partir de 08 de abril e será apenas vendido até ao fim deste mês.

Meios de transporte onde é válido

O passe único é válido em todos os meios de transporte público de um concelho, no caso do Navegante Municipal, ou dos municípios da AML, no caso do Navegante Metropolitano, nomeadamente: CP – Comboios de Portugal, Fertagus, incluindo os serviços rodoviários da Sulfertagus, Metropolitano de Lisboa, MTS – Metro Transportes do Sul, SOFLUSA, Transtejo, Carris, Mobi (Cascais Próxima, Empresa Municipal), Transportes Coletivos do Barreiro (TCB), Barraqueiro Transportes, incluindo parte das marcas Mafrense e Boa Viagem, Henrique Leonardo Mota (HLM), Isidoro Duarte (ID), JJ-Santo António, Rodoviária de Lisboa, Scotturb, TST, incluindo serviços da SulFertagus, e Vimeca Transportes.

Área geográfica

O passe será válido nos 18 concelhos da AML, integrada pelos municípios de Alcochete, Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Sintra e Vila Franca de Xira.

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