Mais espaços verdes e equipamentos urbanos são as principais reivindicações dos residentes da União de Freguesias da Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto, uma freguesia marcada pela falta de opções de lazer. A União de Freguesias da Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto é uma das portas de entrada de quem vem de Lisboa para o concelho de Odivelas. A paisagem urbana é marcada por armazéns antigos e indústrias que, há dezenas de anos, povoam esta freguesia. Quem conhece a zona não nota muitas alterações no tecido urbano.

Numa visita pela freguesia é visível a falta de espaços verdes e parques infantis, fatores de atração para a população. As zonas residenciais estão envelhecidas, com exceção de algumas pequenas urbanizações.

A população reflete esta realidade, nota-se algum conformismo, apesar de haver opiniões contraditórias sobre se houve ou não melhorias na qualidade de vida dos residentes.

É o caso de Helena Pereira, 69 anos, que considera ter havido “poucas mudanças após a elevação a concelho. Não sei se fomos para melhor”. E dá como exemplo a recolha do lixo. “No sítio onde moro, as pessoas deixam o lixo espalhado ao lado dos contentores. Existe muita falta de civismo. A Polícia Municipal devia estar mais atenta a essas situações e multar, se fosse preciso”.

Esta moradora não se inibe de fazer comparações entre a sua freguesia e a freguesia vizinha de Odivelas: “Lá ainda fazem algumas coisas como, por exemplo, arranjar as rotundas. Aqui não fazem nada. No jardim da Póvoa existe um lago que mais valia não existir. Também na Praceta João Villaret demoraram imenso tempo para cortar uma árvore toda podre, que estava a cair”.

Em jeito de sabedoria popular remata as suas críticas com a afirmação:”Quando há eleições ainda fazem umas coisas. Fora isso não fazem nada. Por isso, havia de haver eleições todos os anos”.

Morador na Póvoa de Santo Adrião desde que nasceu, Fernando Venâncio, 73 anos, reformado, não notou nenhuma diferença na mudança para concelho. A única coisa que lhe merece mais críticas é “a mudança do mercado, que estava no centro da Póvoa, para um lugar mais distante, inacessível à maioria da população. Está quase vazio. Vê lá uma vendedora de peixe e mais nada”.

Mais limpeza

Não deixa de elogiar o esforço da junta de freguesia “por terem as ruas limpas e os jardins arranjados. E qualquer buraco eu haja vão logo tapar”.

A viver há 55 anos nesta freguesia, Luís Ferreira Trigo, 68 anos, recorda as cheias de 1967 que “mataram muitas pessoas, porque o rio estava cheio de arbustos e lixo. Nesse aspeto a limpeza está muito melhor”.

Este morador refere que notou “um crescimento ao nível novas casas e fábricas que se instalaram aqui”. Elogia ainda o “posto médico, que é recente e tem muito melhores condições”. Mas existe quase sempre um senão. Luís Trigo explica:”Como juntaram os vários postos médicos que existiam num só, as pessoas juntam-se em filas sem fim e as consultas demoram imenso tempo a marcar. Enquanto, antigamente, estava mais separado e, por isso, as consultas eram marcadas mais facilmente”.

Também nota que a situação está melhor ao nível dos espaços verdes. No que respeita ao saneamento “que já é antigo, por vezes há faltas de água, por causa dos canos que rebentam. Mas a câmara está atenta a esta situação”.

Faltam espaços verdes

Uma das melhorias que José Andrade, 70 anos, notou na freguesia foi a limpeza nas ruas. “Há mais limpeza e isso nota-se”. Do ponto de vista deste reformado também existem melhorias na integração da freguesia no concelho de Odivelas, “por haver mais proximidade entre os habitantes e a câmara municipal”.

Este morador considera, contudo, que “apesar de terem sido criados mais espaços verdes, o concelho merecia muito mais. Não há espaços verdes suficientes. Os parques infantis estão ao abandono. Isto não se deve ao desleixo da câmara. Esta situação deve-se mais ao vandalismo e nota-se falta de civismo” de algumas pessoas, acusa este habitante.

Para Elvira Alves “não há muito que se possa melhorar na freguesia”. E explica: “Já há comércio a mais e estamos melhor que muitos outros sítios que conheço”.

Mesmo assim, existem algumas coisas que entende poderem ser melhoradas. Por exemplo, uma das situações que preocupa esta habitante é haver poucos espaços verdes no Olival Basto. “Há poucos espaços onde se possa estar a descansar um pouco ou a passear. Aqui não temos muitos equipamentos para a população”.

No seu entender, a junta de freguesia devia apostar mais “em criar jardins e, também, na limpeza das ruas, que deixa um pouco a desejar. Parece que estamos longe do centro da freguesia e isso prejudica-nos”, afirma para revelar, de seguida, que existe uma rua, a Rua Tenente Coronel Salgueiro Maia (Ler reportagem) que está literalmente coberta de lixo.

A viver há 55 anos nesta freguesia, Deolinda Capelas, com os seus 79 anos, tem algumas reclamações a fazer. Por exemplo, o pequeno parque, onde está a descansar, “está um pouco abandonado e está ali uma árvore podre que, qualquer dia, cai sobre alguém. Os bancos estão todos estragados, nós queremos-nos sentar e não temos onde”.

A limpeza das ruas também merece reparos desta moradora: “O lixo está sempre espalhado. Os varredores não vêm varrer, há lixo por todo o lado. As pessoas não têm onde por o lixo, põe-no no chão”.

Para Deolinda Ornelas “faz falta mais espaços verdes na freguesia, pois quase não há nada” de sítios de lazer para a população.

Nota de redação: Entretanto, em conversa com o presidente da junta de freguesia foram refutadas algumas informações sobre a higiene urbana.

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