TAPADA DA AJUDA ABERTA AO PÚBLICO NA PRIMEIRA SEMANA DE JANEIRO

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Hoje é um dia histórico para a cidade de Lisboa. Os 100 hectares da Tapada da Ajuda abriram informalmente as suas portas ao público, no âmbito do programa Lisboa Capital Verde Europeia 2020, estando prevista a sua abertura ao público a 5 de janeiro 2021.

Hoje, dia 23 de dezembro, depois de uma intervenção que criou e renovou percursos pedonais e cicláveis que agora ligam as quatro entradas, bem como toda a Tapada ao Parque Florestal de Monsanto e à cidade, a Tapada da Ajuda deu o primeiro passo para a sua abertura aos lisboetas, prevendo-se que a inauguração oficial ocorra no próximo dia 5 de janeiro do próximo ano.

Considerado como um dia histórico pelo vereador Sá Fernandes, do pelouro do Ambiente da autarquia lisboeta, esta «renovação» da Tapada da Ajuda é resultado de uma parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa e o Instituto Superior de Agronomia, no âmbito da programação da Lisboa Capital Verde Europeia, tendo representado um investimento municipal de 700 mil euros, que, além da recuperação de percursos degradados e sem segurança, «contemplou» a instalação de nova sinalética e mobiliário e que, paralelamente, vai proporcionar a «criação» de um grande espaço verde na Ajuda, que poderá proporcionar e ser usufruído pelos visitantes, que continua empenhada na recuperação e devolução do seu património histórico a Lisboa (caso do Palácio Nacional da Ajuda).

Assim, no âmbito do Programa Estratégico para o Desenvolvimento do Campus da Tapada da Ajuda do ISA foi efetuado «um projeto de mobilidade que visa a segurança e requalificação dos caminhos e trilhos do Campus», com vista à «diferenciação de soluções de transporte, garantindo a segurança e a prioridade ao peão e oferecendo uma alternativa aos ciclistas e desenvolvendo uma rede de caminhos pedonais».

Ao longo do ano de 2020 decorreram os trabalhos de melhoria da mobilidade na Tapada da Ajuda, num projeto que contou com a colaboração da Câmara Municipal de Lisboa no âmbito do programa «Lisboa Capital Verde Europeia 2020», inaugurando-se, agora, de uma forma informal, os novos caminhos e trilhos da Tapada da Ajuda que, em princípio, serão inaugurados oficialmente nos primeiros dias de janeiro de 2021.

Lisboa encerra Capital Verde em «beleza»





Segundo Sá Fernandes, «abrir aquele espaço cultural e paisagístico de excelência à cidade, em particular às freguesias de Alcântara e Ajuda e ao Parque Florestal de Monsanto, é assim uma excelente notícia no encerramento do ano em que Lisboa foi Capital Verde da Europa», tendo anunciado ainda que, provavelmente, também a 5 de janeiro, vão ser abertos dois novos portões que permitirão «uma maior acessibilidade aos visitantes»

Sá Fernandes que pretende, a partir da Tapada da Ajuda e com o apoio do Instituto Superior de Agronomia, «criar a grande marca de azeite de Lisboa», visto existirem várias oliveiras plantadas no concelho, revelou, ainda, que «no futuro vai existir uma carrinha a transportar os visitantes, de modo a proporcionar uma visita completa à tapada».

Após salientar que está abertura permite «unir» as freguesias de Alcântara e Ajuda, a Monsanto e ao vale universitário, Sá Fernandes adiantou que, durante o próximo ano, e com abertura prevista para a primavera, vão ser criados dois parques hortícolas naquele espaço, cerca de uma centena de talhões que, desta forma, passarão a estar disponíveis à população.

Já para António Guerreiro de Brito, presidente do Instituto Superior de Agronomia e professor da Universidade de Lisboa, «a tapada é um espaço de conhecimento e, com esta abertura, permite aproximar o Instituto daquilo que a sociedade precisa, em termos da área de serviço ministrado, e, ao mesmo tempo, construir uma rede de conhecimentos em termos de campos experimentais e agrícolas».

Na perspetiva deste catedrático, «a Tapada, além de possibilitar às empresas todos os ensaios que elas necessitam realizar, estará aberta ao público permanentemente, servindo para passeio, para instrução dos agricultores ou de quaisquer outros visitantes, bem como para a lição de coisas, às crianças e alunos de todas as escolas».

Por seu turno, o presidente da Junta de Freguesia da Ajuda, Jorge Marques, que acolheu «com muitos bons olhos» esta decisão, porque vai permitir criar um novo polo de atividades para a população, considera que «este foi um dos primeiros passos para a abertura deste tipo de áreas à cidade de Lisboa».

Conhecida desde os romanos

A Tapada da Ajuda insere-se num território conhecido, pelo menos, desde o tempo da ocupação romana, pela sua riqueza agrícola e pelo bom clima. Os solos, predominantemente de origem calcária e basáltica, albergam pequenos bosques de grandes zambujeiros, frequentemente com alfarrobeiras, constituindo a vegetação climácica da zona de Lisboa nas encostas viradas ao Tejo. Plantas como madressilvas, abrunheiros, folhado, gilbardeira, pilriteiro e pascoínhas, são próprias do zambujal climácico e podem hoje ser observadas em comunhão forçada com as exóticas aqui plantadas desde a fundação do ISA (Instituto Superior de Agronomia).

Os 100 hectares hoje conhecidos por Tapada da Ajuda foram durante a Dinastia Filipina utilizados pelo rei e sua corte como parque de caça. Em 1645, D. João IV decreta por escritura a criação de uma tapada devidamente murada na qual se cria gado e caça, sendo-lhe atribuído formalmente o nome de Tapada Real de Alcântara.

Ao longo dos tempos foram sendo outras as funções da Tapada da Ajuda, designadamente como espaço pedagógico, de ensino e recreio. A partir do século XIX foi aberta ao público, possibilitando visitas a exposições agrícolas e facultando um local de passeio. Em 1910, com a implantação da República, este espaço passou a dedicar-se ao ensino da agricultura e silvicultura denominando-se Instituto Superior de Agronomia, constituindo «um exemplar único, no conjunto dos espaços verdes da cidade, sendo inquestionável o seu valor histórico, florestal e ambiental», o que conduziu ao seu reconhecimento como imóvel de interesse público (conjunto intramuros) encontrando-se sob um regime de proteção.

Nota de redação / atualização de notícia | 23/12/20 /22.04

A data oficial de abertura é 5 de janeiro pelas 10h30 e não a 4 como por lapso foi referenciado no texto anterior.

 

 

 

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