Cerca de 100 milhões de euros. É este o valor de investimento previsto pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para o programa “LisBoa, cidade de todas as idades”.

Trata-se de um programa integrado que tem como objetivo apoiar os idosos da cidade, que constituem um quarto da população de Lisboa.

Diminuir o isolamento social dos idosos é a grande meta deste programa, apresentado nos Paços do Concelho.

Para Fernando Medina, este será “um projeto marcante dos próximos anos da vida da cidade”. Segundo o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, esta “é a mais ambiciosa parceria” entre as duas instituições.

“Durante muito tempo, o envelhecimento foi visto como uma marca negativa, visto muito pela dimensão financeira. Mas mais importante do que o sistema de pensões, o facto é que uma pessoa com 65 anos está num pico de capacidade e disponibilidade de participação de vida na cidade, ao contrário do que acontecia há algumas décadas”, explica.

E acrescenta: “o foco central deste programa vai estar na atividade e autonomia dos seniores, com conforto e segurança”.

De acordo com o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Edmundo Martinho, a primeira fase do programa assenta no Projeto Radar. “Serão sinalizadas todas as pessoas idosas”, disse.

O “Radar” tem como meta inicial sinalizar 30 mil dos cerca de 130 mil munícipes com mais de 65 anos.

“Queremos conhecer bem a realidade destes cidadãos e pôr à sua disposição os cuidados existentes”, adianta Edmundo Martinho, considerando que “este projeto é, de facto, muito ambicioso”, mas cujos “efeitos práticos vão ver-se quase de imediato”.

O programa “LisBoa, cidade de todas as idades” irá depois preparar a construção de oito novos equipamentos de cuidados continuados, com um total de pelo menos mil vagas. Só nesta fase do programa serão gastos 50 milhões de euros.

Como esclareceu Fernando Medina, o custo e a construção das infraestruturas “será responsabilidade” do município. “A Câmara de Lisboa disponibiliza os terrenos e irá construir os equipamentos”. Já o “modelo de gestão é a Santa Casa que vai assegurar, com um contributo financeiro que a cidade agradece”, afirmou.

O autarca referiu que “este é um valor que estará dividido por vários anos” no âmbito do orçamento municipal.

As freguesias escolhidas para acolher estes espaços são Alvalade, Avenidas Novas, Benfica, Campolide, Marvila, Santa Clara, São Domingos de Benfica, sendo que o oitavo equipamento será integrado no eixo Ajuda-Alcântara-Belém. Localizações “estudadas e equacionadas”, justifica o autarca, para “dar uma resposta que Lisboa não tem”.

Mas o programa de parceria entre as duas instituições não fica por aqui. Está também prevista a requalificação de vinte e um centros de dia da Santa Casa*. Os “novos” equipamentos vão transformar-se em “espaços InterAge”, de forma a “aproximar gerações”. Segundo o provedor, esta medida orçada em 12 milhões de euros “já está a avançar em fase experimental”, mas está previsto “alargar a toda a cidade”.

Ao contrário da sinalização dos idosos, que será posta em prática de imediata, as restantes medidas referidas vão ser de “concretização progressiva”.

Na opinião de Edmundo Martinho, o programa “LisBoa, cidade de todas as idades” irá também contribuir para a “criação muito intensa de postos de trabalho, na sua maior parte qualificados”.

Dos 100 milhões de euros previstos para o investimento, ficarão da responsabilidade da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa entre  “30 a 40 milhões”, isto “sem incluir o esforço de funcionamento dos novos equipamentos”.

NR: Este protocolo foi assinado no salão Nobre dos Paços do Concelho a 2 de Fevereiro

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