A Câmara Municipal de Lisboa, através do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, considerada a maior e mais antiga corporação do país, prestou homenagem a todos os bombeiros da cidade de Lisboa esta quinta-feira, dia 25 de agosto, Dia Municipal do Bombeiro, e que marca ainda os 34 anos do grande incêndio do Chiado. No mesmo dia, a autarquia anunciou ainda o reforço do número de Ambulâncias de Socorro na cidade, em articulação com o INEM e as seis corporações de Bombeiros Voluntários de Lisboa.
Assim, a partir de 1 de setembro, o número de meios afetos à emergência pré-hospitalar irá duplicar, sendo que, o Serviço Municipal de Proteção Civil de Lisboa, enquanto entidade coordenadora do Dispositivo Integrado Permanente de Emergência Pré-Hospitalar (DIPEPH), passa a contar com 12 Ambulâncias de Socorro dos Bombeiros Voluntários da cidade para apoio direto ao INEM.
O DIPEPH é coordenado pelo Serviço Municipal de Proteção Civil (SMPC), e é um modelo inovador e pioneiro no país ao nível da emergência pré-hospitalar, garantindo um modelo de coordenação, gestão centralizada e otimizada dos meios de emergência pré-hospitalar disponibilizados pelas seis Associações Humanitárias de Bombeiros Voluntários de Lisboa. Este dispositivo tem o objetivo de promover a resposta rápida e eficaz na assistência às vítimas de acidente ou doença súbita, reduzindo substancialmente o tempo médio de resposta/espera.
Desde a sua implementação, em janeiro de 2017, o DIPEPH recebeu mais de 150 mil ocorrências pré-hospitalares, representando uma melhoria na resposta às situações de emergência médica e acidente, no âmbito do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) na cidade de Lisboa, melhorando a capacidade de resposta do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) aos pedidos de socorro que recebe, garantindo assim o melhor e mais rápido socorro possível.
O reforço do número de ambulâncias é mais um passo da autarquia lisboeta na melhoria e garantia da proteção e socorro, não só dos seus munícipes, mas de todos os visitam ou trabalham na cidade. Em comunicado, a Câmara Municipal de Lisboa agradece ainda a todas as entidades envolvidas e, em particular, aos operacionais que constituem o DIPEPH e que todos os dias dão o seu melhor na prestação de cuidados de emergência pré-hospitalar, que são o Serviço Municipal de Proteção Civil de Lisboa; os Bombeiros Voluntários da Ajuda; os Bombeiros Voluntários do Beato; os Bombeiros Voluntários de Cabo Ruivo; os Bombeiros Voluntários de Campo de Ourique; os Bombeiros Voluntários de Lisboa; os Bombeiros Voluntários Lisbonenses; e ainda o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
Bombeiros homenageados no Dia Municipal do Bombeiro
A cerimónia da manhã desta quinta-feira, dia 25 de agosto, contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas; do Comandante do Regimento de Sapadores Bombeiros (RSB), o Tenente-Coronel Tiago Lopes; e das corporações de Bombeiros Voluntários da cidade. Esta homenagem teve lugar na Rua do Carmo, junto à lápide evocativa do incêndio do Chiado, e teve como objetivo recordar todos aqueles que faleceram ou ficaram feridos na sequência do incêndio.
No final, o presidente da Câmara de Lisboa fez um discurso, lembrando “os momentos mais difíceis” pelos quais a cidade passou durante “a sua longa história”, onde os bombeiros estiveram “sempre presentes, como amparo, como forma de segurança ou como forma de salvação da nossa gente”, tal como a 25 de agosto de 1988, onde “os nossos soldados da paz salvaram a nossa cidade”. Para Carlos Moedas, o incêndio do Chiado foi, “para muitos, a maior tragédia que se abateu sobre Lisboa depois do terramoto” de 1755, confessando que se recorda “perfeitamente” deste incidente, que aconteceu quando o autarca tinha 18 anos e tinha acabado de chegar à capital.
Para o autarca, ser bombeiro “é salvar pessoas, salvar aqueles que estão vulneráveis”, e acrescentou que “nunca nos vamos esquecer do Joaquim Ramos e daqueles que nesse dia aqui estiveram”, aproveitando para agradecer o trabalho “de todos os nossos bombeiros, Sapadores, e voluntários”. Carlos Moedas justificou este reconhecimento “por três razões”. A primeira deve-se ao papel que estes profissionais têm na cidade, na salvaguarda da segurança das pessoas e dos seus bens; a segunda devido à “união da nossa comunidade”, onde os bombeiros “fazem parte da vida da cidade e dos nossos bairros e freguesias”.
Neste ponto, o presidente da Câmara de Lisboa reconhece que os bombeiros “para além de elementos de segurança, são agentes da nossa comunidade e atores indispensáveis das nossas freguesias”, e lembrou a situação atual no país, fortemente atingido pelos incêndios, pelas alterações climáticas e pela seca, que “atingem principalmente o interior do nosso país, já abandonado e esquecido”. Carlos Moedas reconhece que “estes fogos não param de destruir vidas, bens e sonhos”, afirmando que muitos dos soldados da paz presentes nesta cerimónia estiveram no combate aos fogos na Serra da Estrela, em Ourém, em Tomar, em Salvaterra de Magos, em Palmela, em Mafra, ou no Algarve, havendo ainda outros que não estão presentes nesta homenagem “porque estão lá”.
No mesmo discurso, o autarca assumiu ainda estar “comprometido” com o trabalho dos bombeiros e “consciente do vosso papel”, lembrando ainda a importância da construção do novo quartel do Regimento de Sapadores Bombeiros em Marvila, assim como a necessidade de qualificar mais quartéis e a necessidade de atribuir mais meios e mais apoios “aos nossos Bombeiros Voluntários para que cumpram diligentemente esta missão”. Carlos Moedas terminou a sua intervenção agradecendo uma vez mais aos soldados da paz, “os nossos heróis” e reforçando o compromisso com estes profissionais e as suas famílias.