A União das Misericórdias Portuguesas (UMP) encerrou o 15.º Congresso Nacional das Misericórdias, realizado no Fórum Braga, centrado no tema “A atualidade de uma evolução segura”. O evento destacou o papel estruturante das Misericórdias e definiu prioridades estratégicas para o futuro da ação social e da saúde.
O congresso salientou a necessidade de uma resposta estruturada ao envelhecimento, reforçando a articulação entre os serviços públicos da saúde e da segurança social, face ao impacto crescente desta realidade nas Misericórdias. Foi sublinhada a urgência em reformular e alargar o apoio domiciliário, garantindo soluções 24 horas por dia, sete dias por semana, para permitir que os idosos permaneçam nas suas casas com segurança e dignidade.
Entre as conclusões, destaca-se ainda a implementação de programas de reabilitação dos lares existentes e a expansão da rede em territórios mais densamente povoados, para evitar a proliferação de respostas informais e ilegais. A finalização da rede de creches, a clarificação da resposta no pré-escolar e o reforço das políticas de apoio à deficiência foram também apontados como prioritários.
Na área da saúde, as Misericórdias afirmam-se como parceiros indispensáveis do sistema de saúde, garantindo uma resposta de proximidade, humanizada e integrada, desde os cuidados primários até aos cuidados hospitalares e continuados. Destaca-se a valorização da complementaridade com o Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente na redução das listas de espera e na melhoria do acesso a consultas, cirurgias e meios de diagnóstico.
O reforço da Rede Nacional de Cuidados Continuados e o desenvolvimento da Rede Nacional de Saúde Mental foram identificados como essenciais, tendo em conta o aumento das necessidades associadas ao envelhecimento e às doenças crónicas. Foi ainda sublinhada a necessidade urgente de resolver o problema das altas hospitalares, através da criação de respostas de retaguarda adequadas e sem burocracias.
Quanto ao património, o congresso reconheceu-o como expressão identitária e testemunho do percurso histórico de solidariedade das Misericórdias. Foi destacada a importância de garantir acesso a financiamento e a programas comunitários para a sua preservação e valorização, assim como a valorização do património enquanto ativo económico, nomeadamente no contexto do turismo, contribuindo para o desenvolvimento das comunidades.
O evento reforçou o papel determinante das Misericórdias na coesão territorial, especialmente nas regiões do interior, onde são frequentemente o principal empregador e suporte social. Destacou-se ainda a importância da qualificação e valorização dos recursos humanos, bem como da inovação e digitalização, que devem evoluir com uma forte dimensão ética e sempre centradas na pessoa.
As Misericórdias reiteraram a disponibilidade para aprofundar a cooperação com o Estado, as autarquias e os diferentes setores da sociedade, em prol do bem comum.
No último dia do congresso, foi prestada homenagem ao Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Macau, António José Freitas, distinguido como Grande Benemérito da UMP – Grau Ouro, em reconhecimento pelo apoio concedido às Misericórdias portuguesas em momentos críticos, incluindo os incêndios de Pedrógão, a pandemia de COVID-19 e a tempestade na zona Centro, com um total aproximado de 300 mil euros para apoio à recuperação de equipamentos em 17 instituições.
Foram ainda condecorados vários Provedores pelo seu empenho e dedicação à comunidade.


