O Dia Municipal do Bombeiro em Lisboa é assinalado anualmente a 25 de agosto, coincidindo propositadamente com a data do trágico incêndio do Chiado em 1988. Em 2026, a capital assinala precisamente o 38.º aniversário desta que foi uma das maiores catástrofes urbanas da sua história recente. Carlos Moedas fez questão de referir, durante a cerimónia, que esta homenagem se faz também com medidas concretas: mais de 19 milhões de euros investidos no Regimento de Sapadores, a requalificação de cinco quartéis, 58 novos recrutas, mais 60 vagas em novembro e, pela primeira vez, 216 mil euros de apoio às seis associações de Bombeiros Voluntários.
O Dia Municipal do Bombeiro, assinalado esta terça-feira, na Rua do Carmo, em Lisboa, lembrou o incêndio do Chiado, a 25 de agosto de 1988, e prestou homenagem à coragem e sentido de missão dos bombeiros da cidade e do país.
Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, afirmou: “o nosso compromisso é continuar a garantir aos nossos bombeiros melhores meios, melhores condições e mais capacidade para proteger a cidade”, lembrando que “investir nos bombeiros é investir na segurança de Lisboa”.
Moedas, que recordou que há 38 anos, um violento incêndio deflagrou nos Armazéns Grandella, no Chiado, propagando-se às ruas adjacentes, causando duas mortes e dezenas de feridos, destruindo mais de uma vintena de edifícios e provocando centenas de desalojados, sublinhou que “ao longo do último ano, vimos a sua coragem atravessar fronteiras: no apoio às cheias em Leiria e Valência, ou na missão humanitária na Turquia. Mas vemo-la, sobretudo, todos os dias nas ruas de Lisboa, seja a salvar vidas em incêndios ou a acudir à cidade nos momentos de temporal”.
Do ponto de vista do autarca lisboeta, esta disponibilidade e coragem dos bombeiros só pode ser retribuída “com investimento concreto, com mais meios (50 novos recrutas e 80 vagas abertas), melhores condições (requalificação dos quartéis do Alto de Santo Amaro, Graça e D. Carlos I) e mais equipamento.
Depois de realçar que na capital são registados 300 fogos por ano, o autarca lisboeta realçou, ainda, o investimento que a CML está a fazer na área do socorro e destacou as medidas concretas de reforço e valorização do RSB, que incluem um investimento superior a 19 milhões de euros, a requalificação de cinco quartéis e o reforço do efetivo com 58 novos recrutas, estando previstas mais 60 vagas já em novembro, e ainda o investimento que Lisboa está a fazer nas associações de bombeiros voluntários.
“Estar onde é preciso”
“Hoje, como há 38 anos, a missão mantém-se: estar onde é preciso, quando é preciso, ao serviço de Lisboa e dos lisboetas”, referiu, lembrando que “quando todos têm de recuar, os bombeiros avançam. Arriscar a própria integridade física para preservar a nossa comunidade é a virtude mais nobre de qualquer sociedade”.
“Lisboa orgulha-se profundamente dos seus bombeiros, e de todos os bombeiros de Portugal”, afirmou. Numa época em que o país continua a combater vários incêndios, o presidente da CML deixou um agradecimento a todos os bombeiros que combateram e continuam a combater os incêndios: “É esta prontidão, coragem, e sentido de missão que hoje homenageamos”.
Este ano, disse, Portugal já registou mais de 6 500 incêndios rurais, provocando ferimentos a 270 bombeiros, sublinhando que a homenagem aos bombeiros – profissionais e voluntários – “tem de ser diária”, vincou o autarca. Eles “representam o melhor da nossa sociedade. São a coragem sem arrogância. São a autoridade ao serviço dos outros”.
Em Lisboa, concluiu, a “gratidão é permanente” e “demonstra-se através de atos concretos”, como o investimento em meios humanos e materiais do Regimento de Sapadores Bombeiros. Além da requalificação de cinco quartéis, foram abertos concursos “para mais de 80 vagas e já temos mais de 58 novos recrutas que entraram”.
“Obrigado por darem a vida por Lisboa sem pedirem nada em troca. Viva o Regimento de Sapadores Bombeiros! Viva Lisboa!”, concluiu, sublinhando o esforço de todos “aqueles que deixam as suas casas, que enfrentam o inferno no terreno, espero que regressem rápido e salvos. Que voltem para junto das suas famílias. Lisboa orgulha-se profundamente dos seus bombeiros”.
Chiado ardeu há 38 anos
Há 38 anos, um violento incêndio deflagrou no Chiado, em plena baixa lisboeta, e causou a morte de duas pessoas, uma das quais o bombeiro sapador Joaquim Catana Ramos. Fernando Correia, na altura fotojornalista do Diário Popular, foi um dos primeiros repórteres fotográficos a chegar ao local.
O fogo, que deflagrou de madrugada nos Grandes Armazéns do Grandella, provocou dezenas de feridos, destruiu cerca de 20 edifícios e deixou centenas de pessoas desalojadas, recordou Carlos Moedas, salientando que esta tragédia está amplamente documentada pelas lentes de Fernando Correia, hoje com 92 anos de idade.
O conceituado fotojornalista — frequentemente considerado o decano da fotografia portuguesa — vivia e cresceu no próprio bairro do Chiado. Naquela madrugada, com 54 anos de idade, ao perceber faúlhas a passar pela sua janela, vestiu-se rapidamente e correu para a rua com a câmara. A sua profunda ligação e conhecimento geográfico da zona, onde ainda hoje vive, permitiram-lhe tomar decisões estratégicas cruciais para a cobertura histórica do evento.
Como recorda, na altura, sem avisar as chefias do Diário Popular, dirigiu-se de imediato para a passarela do Elevador de Santa Justa. Desse ponto alto, conseguiu capturar as imagens mais icónicas e devastadoras do coração de Lisboa a arder antes da chegada em massa de outros meios de comunicação.
À época, trabalhava para o Diário Popular e correu para revelar as imagens na câmara escura, antecipando a edição especial do jornal, esquecendo que também vivia na freguesia e que a sua casa, à semelhança de muitas outras, também corria o risco de arder.
Aos 13 anos começou a fotografar e, desde então, todos os dias leva consigo a máquina a tiracolo. Morar no Chiado permitiu-lhe tirar algumas das fotografias mais icónicas da sua carreira, como a fotografia do incêndio do Chiado e do incêndio do Teatro Dona Maria II.
“Poeta da imagem”
Na cerimónia, Carlos Moedas referiu-se a Corrêa dos Santos como “um poeta da imagem”, sublinhando o papel do fotógrafo como “cronista visual da cidade” e “guardião das nossas memórias coletivas”.
A Câmara Municipal de Lisboa homenageou, a 10 de abril de 2025, o fotojornalista Fernando Manuel Corrêa dos Santos com a Medalha Municipal de Mérito Cultural, prestando tributo a um olhar único que soube “eternizar, através da lente, o pulsar de várias gerações”. Esta distinção é atribuída a personalidades que se destacam pelo contributo excecional na valorização da cultura lisboeta e nacional.
Ao longo da carreira, o fotojornalista foi distinguido com diversos prémios, entre os quais o Prémio Gazeta e o Prémio do Clube Português de Imprensa. Em 2015, publicou o livro Portugal da década de 50 aos dias de hoje, onde reúne algumas das suas imagens mais emblemáticas.
A cerimónia desta terça-feira, na Rua do Carmo, contou ainda com a presença de vários membros do executivo, como o vice-presidente, Gonçalo Reis, o vereador com o pelouro da Proteção Civil, Rodrigo Mello Gonçalves (IL), e os vereadores da oposição Alexandra Leitão (PS) e João Ferreira (PCP).
Durante o evento, teve lugar a deposição de uma coroa de flores junto à placa assinala o incêndio do Chiado, que deflagrou na madrugada de 25 de agosto de 1988, junto aos antigos Armazéns Grandella.








