Moedas exige ao Governo os 300 polícias prometidos para Lisboa

Carlos Moedas exige ao Governo os 200 agentes da PSP e 100 polícias municipais prometidos para Lisboa em maio. O autarca diz que ainda não chegou nenhum reforço e defende mais polícias permanentemente na rua para garantir a segurança na capital. Estas afirmações de Carlos Moedas foram feitas durante a cerimónia do Dia Municipal do Bombeiro, realizada na Rua do Carmo. O momento incluiu uma homenagem às vítimas do incêndio do Chiado, que deflagrou na madrugada de 25 de agosto de 1988, junto aos antigos Armazéns Grandella.

O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), afirmou, esta terça-feira, à margem das cerimónias comemorativas do Dia Municipal dos Bombeiros, que “chegou a hora” de o Governo concretizar a promessa de mais 200 agentes da PSP e 100 polícias municipais na capital, feita em maio.

“Este Governo prometeu-me 200 polícias de segurança pública a mais em Lisboa, ainda não temos nenhum, prometeu 100 polícias municipais, também ainda não temos nenhum, portanto temos aqui uma promessa, esperamos que ela seja cumprida”, apontou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Em causa está o anúncio feito pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, em 12 de maio, de que o Governo vai reforçar os comandos metropolitanos da Polícia de Segurança Pública (PSP) do Porto e de Lisboa com 200 novos agentes para cada uma destas estruturas, feito após uma reunião com os presidentes das autarquias de Lisboa e do Porto, Carlos Moedas e Pedro Duarte.

“Já falei com o senhor ministro da Administração Interna, Luís Neves, e ele disse-me que ia avançar, mas continuamos aqui à espera e é essencial”, realçou Carlos Moedas, mais de três meses depois, vincando que “chegou a hora de concretizar essa promessa”.

O autarca salientou, no entanto, que esta é uma promessa que anteriores Governos não fizeram e que tem “a certeza” que vai ser cumprida.

O presidente da CML adiantou ainda que tem visto algum reforço policial na baixa lisboeta, anunciado pelo Ministério da Administração Interna após uma turista ter sido atingida por uma bala perdida após um desacato entre dois grupos que se dedicam à venda de louro prensado como se fosse droga, tendo um deles feito um disparo com uma arma de fogo.

“Não é com um reforço que vamos resolver a situação, a situação da segurança resolve-se com mais polícias permanentemente na rua”, defendeu Moedas.

Justiça mais forte

O líder do executivo camarário reiterou que considera “inaceitável” que o autor do disparo não esteja na prisão, defendendo uma justiça “mais forte em relação a estes casos” e rejeitando qualquer interferência no poder judiciário.

“Precisamos de uma cidade com lei e ordem e essa lei e ordem depende de mais polícia, mas também depende de uma lei que seja firme na área da segurança”, frisou o autarca, adiantando que vai estar mais uma vez com o ministro Luís Neves esta semana e que na próxima semana vai ter lugar um Conselho Municipal de Segurança restrito, com a PSP e a Polícia Municipal, onde Moedas vai também participar.

Quanto às polémicas em que o ministro da Administração Interna tem estado envolvido, Carlos Moedas disse esperar que Luís Neves “esteja focalizado no necessário” e defendeu que o governante “tem de estar em funções”, lembrando a época de incêndios que se atravessa. “Não podemos estar a mudar de ministros constantemente”, rematou.

O autarca adiantou que deverá reunir-se novamente com o ministro da Administração Interna esta semana.

Na próxima semana está também prevista uma reunião restrita do Conselho Municipal de Segurança, com a participação da PSP e da Polícia Municipal e do próprio presidente da Câmara.

Tapar buracos

Por outro lado, na conversa com os jornalistas, Carlos Moedas afirmou que o alcatroamento da Avenida Ribeira das Naus, contestado pela associação Fórum Cidadania Lx, é provisório e para evitar acidentes.

“Quando nós vimos o estado em que aquele pavimento estava, com buracos enormes, constatámos que a única maneira é, nesta fase, não permanente, mas provisoriamente, alcatroar, para evitar acidentes”, salientou o autarca.

Na semana passada, o Fórum Cidadania Lx criticou o alcatroamento da Avenida Ribeira das Naus, substituindo o atual pavimento em paralelepípedo, considerando a obra “retrógrada em termos ambientais” e um potencial incentivo ao aumento de velocidade dos veículos.

A associação cívica manifestou a sua posição numa missiva dirigida ao presidente da autarquia, também divulgada à comunicação social, em que reconheceu o mau estado do piso existente, atribuído à falta de manutenção e elevado tráfego automóvel.

“Tanto me pedem para asfaltar as ruas e agora que estou a asfaltar dizem que não querem, então queriam o quê? A minha função é tapar buracos e tapo todos os dias, e vou continuar a tapar”, defendeu.

Substituição do pavimento

A CML informou, em 11 de agosto, que está a realizar trabalhos de reabilitação naquele local, que incluem a repavimentação da faixa rodoviária e a reabilitação do passadiço pedonal, com um prazo previsto de execução de 60 dias e um investimento de cerca de 250 mil euros.

A intervenção contempla a substituição do pavimento existente por pavimento betuminoso, “contribuindo para a melhoria das condições de circulação e segurança nesta zona da frente ribeirinha”, apontou a autarquia.

Enquanto decorrerem estes trabalhos, a Avenida Ribeira das Naus vai estar totalmente interditada à circulação viária, em ambos os sentidos, no troço entre o Torreão Poente da Praça do Comércio e o Largo do Corpo Santo, sendo o trânsito desviado para o Largo do Corpo Santo, Rua do Arsenal, Praça do Comércio, Rua da Alfândega, Rua dos Arameiros e Avenida Infante Dom Henrique.

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