Moedas considera “inaceitável” libertação de suspeito de balear turista

O suspeito de disparar contra uma turista sueca, de 42 anos, na Baixa de Lisboa, quando esta comprava pastéis de nata na Rua Augusta, saiu em liberdade na passada terça-feira após ser ouvido em tribunal. Sem reconhecer a presunção de inocência, Carlos Moedas afirmou: “Como presidente da capital de Portugal, repudio em absoluto terem libertado um criminoso! Não é só a imagem de Lisboa que fica em causa. É a imagem de Portugal!”.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, criticou duramente a decisão judicial que permitiu a libertação condicional do homem suspeito de ter disparado contra uma turista sueca na Baixa de Lisboa, classificando-a como “inaceitável”.

O caso aconteceu na tarde de segunda-feira, 10 de agosto, por volta das 18h30, quando uma turista sueca de 42 anos foi atingida no abdómen enquanto comprava pastéis de nata numa pastelaria da Rua Augusta, no centro da capital.

Fonte da Polícia de Segurança Pública (PSP) indicou à Lusa que o suspeito de estar envolvido no desacato na Baixa de Lisboa, após ter sido detido no âmbito de um mandado de detenção fora de flagrante delito por violência doméstica, foi presente a juiz para primeiro interrogatório e ficou sujeito à medida de coação de apresentações bissemanais no posto policial da área de residência.

A mesma fonte referiu que continuam a decorrer diligências para apurar qual foi o papel deste homem detido no disparo da arma de fogo. “Temos fortes suspeitas de que esteve envolvido e estamos ainda a apurar qual foi o envolvimento”, frisou.

Na terça-feira, a PSP adiantou que este suspeito foi identificado após recurso às imagens de videovigilância e aos depoimentos das testemunhas oculares que assistiram ao momento em que uma mulher, uma turista sueca de cerca de 40 anos, foi baleada na segunda-feira na Baixa de Lisboa.

Segundo a polícia, a turista foi atingida por uma bala perdida após “um desacato entre dois grupos que se dedicam à venda de louro prensado”, tendo um deles feito um disparo com uma arma de fogo.

Posteriormente, dois suspeitos colocaram-se em fuga numa viatura, dos quais um foi detido no âmbito de um mandado de detenção fora de flagrante delito por um processo de violência doméstica, indicou fonte da PSP, sem adiantar detalhes.

De acordo com a mesma fonte, a polícia encontra-se ainda a proceder à identificação de outras pessoas que poderão estar envolvidas no desacato e a verificar o envolvimento de cada um na ação, sem adiantar qual a totalidade dos possíveis suspeitos.

O suspeito foi detido na terça-feira, um dia depois do incidente, durante uma busca domiciliária, mas no âmbito precisamente do mandado de detenção por violência doméstica, pelo qual já estava referenciado. Durante a busca foi apreendida uma caçadeira, que não corresponde, contudo, à arma utilizada no disparo contra a turista.

O homem, que foi ouvido para já no âmbito de uma investigação por violência doméstica e sequestro da companheira, deverá responder por tentativa de homicídio por estes disparos apenas nos próximos dias, de acordo com fonte da direção nacional da PSP, citada pelo Notícias ao Minuto.

Levado a tribunal, o suspeito acabou por ser libertado, ficando sujeito a medidas de coação que incluem o afastamento das vítimas e apresentações periódicas duas vezes por semana numa esquadra policial. O advogado de defesa justificou a decisão alegando existirem “fundadas dúvidas sobre a participação do arguido nos disparos”. A mesma fonte da PSP salientou que ainda estão a ser realizadas diligências para apurar se o suspeito esteve ou não envolvido no incidente que ocorreu na Rua Augusta, em Lisboa.

A decisão gerou forte contestação por parte do autarca lisboeta. Através das redes sociais, Carlos Moedas não poupou nas palavras: “É inaceitável esta decisão! Além do exemplo socialmente reprovável que se transmite é também um sinal de falta de autoridade para as nossas forças de segurança. Como presidente da Capital de Portugal, repudio em absoluto terem libertado um criminoso! Não é só a imagem de Lisboa que fica em causa. É a imagem de Portugal!”

Na sequência do caso, o Ministério da Administração Interna anunciou, ainda na terça-feira, o reforço da resposta policial nas zonas de maior concentração turística de Lisboa, dando continuidade a um reforço que já vinha sendo feito desde junho. Também a Câmara Municipal de Lisboa anunciou que vai intensificar a fiscalização de atividades comerciais ilícitas e irregulares nessas zonas, através da Polícia Municipal e de outros serviços competentes.

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