Milhares de pessoas saíram à rua para assistir ao eclipse

O eclipse solar desta quarta-feira tornou-se um dos acontecimentos mais aguardados das últimas semanas. Em Portugal, o fenómeno foi visível em todo o território, entre as 18:30 e as 20:30, embora com diferentes níveis de ocultação. O último eclipse total do Sol em Portugal aconteceu em 1912 e o próximo será em 2144. O desta quarta-feira, 12 de agosto, levou Bragança ao rubro, encheu uma praia em Oeiras, o Palácio da Pena, em Sintra, o miradouro do Alto do Penedo, na Amadora, e deixou a Islândia às escuras.

Durante alguns segundos, o dia deu lugar à escuridão num dos momentos mais impressionantes do eclipse solar visto em Portugal. Depois de muita excitação, da caça aos óculos certificados, dos avisos e das regras a cumprir, vem aí quase um ano de descanso, mas o próximo eclipse solar visível em Portugal já tem data anunciada: 2 de agosto de 2027. E, para não esquecer, se quiser marcar no calendário o evento seguinte, assinale também o dia 26 de janeiro de 2028.

Em Portugal, o fenómeno foi visível em todo o território, entre as 18:30 e as 20:30, embora com diferentes níveis de ocultação. Milhares de pessoas viveram um momento histórico na pequena aldeia de Rio de Onor, em Bragança, o sítio onde o eclipse foi total em Portugal. “Faltam-me palavras para descrever o que aconteceu”, afirmava um dos “espetadores” que assistiu ao fenómeno nesta aldeia de Bragança.

Na região de Lisboa, a ocultação chegou aos 95%. O eclipse teve início às 18h39, atingindo o seu máximo às 19h36. Centenas de pessoas reuniram-se na praia de Santo Amaro de Oeiras para acompanhar o eclipse solar. Também, no Miradouro Nossa Senhora do Monte, em Lisboa, e no Palácio da Pena, em Sintra, portugueses e turistas juntaram-se para acompanhar o eclipse solar.

Em todos os cantos do País, havia esta quarta-feira pessoas de olhos postos no céu. Acompanhados pelos óculos de proteção ou então por máscaras de soldar, os portugueses assistiram ao fenómeno que não acontece desde 1912.

Lisboa teve diferentes opções para quem acompanhou o eclipse solar nesta quarta-feira (12), um dos fenômenos astronômicos mais aguardados do ano. Como o Sol esteve próximo do horizonte no momento de maior ocultação, a escolha do local foi especialmente importante. Mais do que estar em um ponto muito alto, o essencial foi ter uma vista completamente livre para o oeste.

Praias, mirantes e locais voltados para o Atlântico estiveram entre as melhores alternativas para observar o fenômeno. Isso porque uma árvore, um edifício ou mesmo uma pequena elevação pode esconder justamente os minutos de maior ocultação.

Mirante das Amoreiras

Uma das opções mais altas de Lisboa foi o Amoreiras 360º Panoramic View, localizado no topo das Torres das Amoreiras. O espaço teve uma iniciativa especial para quem quis acompanhar o eclipse.

Entre as 18h30 e as 20h30, foram oferecidos óculos para observação solar aos visitantes que compraram ingresso na receção do Amoreiras Shopping Center.

O mirante fica a 174 metros acima do nível do mar e oferece uma vista panorâmica de 360 graus de Lisboa, incluindo o rio Tejo.

Praia de Santo Amaro de Oeiras

Para quem preferiu observar o eclipse à beira-mar, a Praia de Santo Amaro de Oeiras teve um evento gratuito na quarta-feira (12), das 16h às 22h.

A programação foi pensada para reunir famílias e amigos em um ambiente de observação coletiva. O espaço teve DJ set, transmissão ao vivo do avanço da Lua sobre o Sol em um telão e uma área lounge com pufes.

A localização também favoreceu a observação por estar voltada para o Atlântico. Ainda assim, como ocorreu em qualquer ponto escolhido para acompanhar o eclipse, é importante verificar as condições do horizonte e a previsão do tempo antes de sair.

Passeio de barco pelo rio Tejo

Outra maneira de acompanhar o fenômeno foi a bordo de um veleiro. A GiraVela Eco Sailing ofereceu um passeio de três horas com saída da Doca da Marinha, em Lisboa.

O trajeto passou por alguns dos principais cartões-postais da cidade, como a Praça do Comércio, a Ponte 25 de Abril, o MAAT, o Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém, antes do retorno à marina. A experiência custa 75 euros por pessoa.

Além de permitir observar o céu sobre o Tejo, o passeio proporciona uma perspetiva diferente da cidade. Para quem optar pela experiência, vale confirmar previamente as condições de observação e os procedimentos de segurança para acompanhar o fenômeno a bordo.

Mirante da Torre Vasco da Gama

No Parque das Nações, o Mirante da Torre Vasco da Gama foi outra alternativa para quem procurou um ponto elevado e uma visão ampla de Lisboa.

O espaço fica a 145 metros de altura e oferece uma vista de 360 graus da região e do rio Tejo.

Eclipse em um rooftop

Quem procurou uma alternativa mais urbana pode acompanhar o eclipse no IDB Rooftop by MIRARI, na Praça José Queirós, em Lisboa.

A programação combinou a observação do fenômeno com DJ set e vista panorâmica da cidade. O espaço também preparou um Cocktail Eclipse e um Mocktail Eclipse.

Outros lugares perto de Lisboa

Quem não fez questão de acompanhar o eclipse dentro da capital também teve outras alternativas na região. Como o fator determinante é conseguir manter o horizonte oeste totalmente livre, áreas próximas ao litoral podem oferecer boas condições para a observação.

Cabo da Roca

O ponto mais ocidental do continente europeu apareceu entre as sugestões para acompanhar o fenômeno. Localizado no extremo da Serra de Sintra e conhecido pela vista para o Atlântico, o Cabo da Roca atraiu muitas pessoas interessadas em observar o eclipse próximo ao pôr do sol.

Guincho e Cabo Raso

As áreas do Guincho e do Cabo Raso também foram alternativas para quem busca um horizonte voltado para o Atlântico. Foram opções especialmente interessantes para quem pretende unir a observação do eclipse à paisagem costeira.

Carcavelos

A Praia de Carcavelos foi outra possibilidade na região. Apesar do extenso areal, a orientação para o ponto correto do horizonte foi importante: foi necessário olhar para o lado de Cascais para acompanhar o fenômeno.

Meco, Troia, Comporta, Carvalhal e Melides

Para quem estiver disposto a se afastar mais de Lisboa, a Praia do Meco, Troia, Comporta, Carvalhal e Melides também foram boas opções. Esses locais ofereceram condições favoráveis para acompanhar o eclipse sobre o mar.

Amadora

A autarquia da Amadora, em parceria com a ARQA – Associação de Arqueologia e Proteção do Património da Amadora, abriu o miradouro do Alto do Penedo, junto ao referido moinho, à população.

Dada a sua localização este miradouro é um dos locais privilegiados para ver este eclipse.

O fenómeno

Para Rui Dias, coordenador científico do Centro Ciência Viva de Estremoz, a concentração de pessoas explica-se pela conjugação de vários fatores. «É uma conjugação de uma série de sortes», afirmou, explicando que, apesar de o Sol ser muito maior do que a Lua, os dois astros apresentam no céu um tamanho aparente semelhante.

«A Lua é 400 vezes mais pequena do que o Sol, mas está 400 vezes mais perto da Terra do que o Sol. Isto faz com que, apesar de o Sol ser muito maior do que a Lua, quando olhamos para o céu vejamos os dois quase com o mesmo tamanho», explicou.

Quando a Terra, a Lua e o Sol ficam alinhados, a Lua pode projetar uma sombra sobre a superfície terrestre. Essa sombra atravessa apenas uma faixa estreita do planeta, o que faz com que os eclipses totais só possam ser observados a partir de determinados locais.

«Estamos no sítio certo para ver o efeito dos três astros praticamente alinhados», resumiu Rui Dias.

Próximo eclipse em Portugal será em 2028

Os eclipses solares não são coisa nova. A 3 de outubro de 2005, um eclipse anular aconteceu por volta das 11h32 da manhã, com a Lua a quase cobrir totalmente o Sol. Isto acontece quando a Lua está mais afastada da Terra e voltará a acontecer dentro de dois anos: a 26 de janeiro de 2028, pelas 16h08, Portugal voltará a viver um eclipse, mas menos raro do que o desta quarta-feira.

Este fenómeno voltará a acontecer outra vez no dia 27 de fevereiro de 2082.

Foto: Proteção Civil de Sintra e Câmara Municipal de Sintra

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