Um ano volvido, a tragédia do Elevador da Glória continua a estar sob fogo cerrado. A Câmara Municipal de Lisboa inaugurou um memorial em homenagem às 16 vítimas mortais no acidente. Em carta aberta, as famílias das vítimas dizem que estão ainda à espera de respostas, os partidos da oposição criticam a “opacidade” de todo o processo e a falta de apoio aos familiares. Carlos Moedas não respondeu à carta e garantiu que a Câmara de Lisboa “esteve sempre presente”. O presidente da Carris pede tempo para voltar a pôr o Elevador a funcionar e assegura que a “segurança não é negociável”.
No dia 3 de setembro de 2025, 16 pessoas perderam a vida no acidente ocorrido com o elevador da Glória. As vítimas mortais eram sobretudo turistas estrangeiros, mas também morreram cinco portugueses, designadamente o guarda-freio André Marques, que operava uma das cabines deste equipamento gerido pela empresa municipal Carris, e quatro trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que utilizavam este transporte público.
O relatório preliminar de outubro apontou falhas e omissões na manutenção do ascensor da Glória e a falta de formação dos funcionários e de supervisão dos trabalhos efetuados pela empresa prestadora do serviço.
Em cerimónia privada, sem jornalistas, a Câmara Municipal de Lisboa prestou hoje homenagem aos mortos, inaugurando o memorial em sua honra. No local, Carlos Moedas afirmou que este é um dia para homenagear as vítimas e para demonstrar solidariedade para com os familiares.
“Hoje é um dia muito triste. Será sempre um dia muito triste para Lisboa”, começou Carlos Moedas, em declarações aos jornalistas, que tiveram de permanecer nas imediações do local por indicação da CML.
A cerimónia decorreu no Largo do Oliveirinha, junto à Calçada da Glória, no dia em que passa um ano sobre o acidente, com a presença, entre outros, de familiares das vítimas.
Foram depositadas várias coroas de flores, na maioria brancas, mas havia também uma com as cores da bandeira francesa, nacionalidade de uma das vítimas.
No largo foi colocada uma oliveira de 150 anos e 16 blocos em calcário para assinalar o aniversario sobre o descarrilamento na Glória que fez 16 mortos e 24 feridos de 15 nacionalidades.
A composição do memorial integra uma oliveira adulta implantada em caldeira circular e rodeada por “16 blocos pétreos em calcário” com “alturas diferenciadas e superfícies preparadas para gravação dos nomes das vítimas”.
“É esse o nosso dever: o dever da memória, de nunca esquecer nenhum dos nomes, de nunca esquecer o que eram, o que fizeram”, disse Moedas.
Para o edil, as famílias passam agora a ter “um espaço digno, único, simples” e que represente os “entes queridos”.
Carlos Moedas deixou ainda uma palavra de agradecimento a todas as autoridades que colaboraram para ajudar no dia do acidente do Elevador da Glória.
Familiares criticam “silêncio das autoridades”
Um dia antes, em carta aberta de familiares e vítimas do Elevador da Glória, escrita em inglês, os familiares e as vítimas criticam o silêncio das autoridades e lamentam a falta de contacto das autoridades com todos os envolvidos na tragédia.
“Um ano depois, nós, as vítimas e famílias afetadas, sentimos que precisamos de falar.” É desta forma que começam a carta aberta, escrita em inglês, e divulgada no dia 2 de setembro, um dia antes do primeiro aniversário do acidente do Elevador da Glória, em Lisboa.
Na missiva de três páginas, a que a RTP teve acesso, vítimas e familiares dizem que continuam à espera de respostas, apoio e responsabilização e criticam a ausência de comunicação ao longo dos últimos 12 meses, escrevem.
“O que estamos a pedir é mais simples do que isso: comunicação. Transparência. Apoio. Responsabilização”, pode ler-se na carta.
Os subscritores reconhecem que “a investigação ainda está a decorrer e que as respostas concretas levam tempo. Não estamos a pedir que ninguém se apresse ou tire conclusões antes de os factos serem conhecidos”, sublinham, lembrando: “É difícil não nos sentirmos esquecidos”.
Para as famílias afetadas pela tragédia, o último ano foi marcado não apenas pelo luto, mas também pela incerteza e pela sensação de ausência de informação.
“Para a maioria de nós, este ano não foi apenas sobre o luto. Foi sobre esperar por informações que nunca chegam e sentir que ninguém está realmente a falar connosco”, afirmam.
A crítica é particularmente dirigida à (falta) de comunicação com as famílias que vivem fora de Portugal.
Segundo a carta, o convite para a inauguração do memorial dedicado às vítimas, que aconteceu no aniversário do acidente, foi a única comunicação direta que alguns tiveram no último ano da parte da Câmara Municipal de Lisboa.
Os familiares dizem compreender a importância do memorial e mostram-se agradecidos por as vítimas serem lembradas. No entanto, consideram que esse tenha sido, para muitos, o único contacto direto com a autarquia.
Na carta, é também feito um pedido para não serem esquecidos. “Estamos a pedir para sermos tratados como pessoas, não como papelada”, salientam.
Famílias contestam condicionamento de jornalistas na cerimónia
A carta aborda ainda a inauguração do memorial, que acontece esta quinta-feira, e a decisão de a autarquia de Lisboa de condicionar a presença de jornalistas no local, com a justificação de respeitar a privacidade das famílias.
“Compreendemos a intenção por detrás disso. Mas, para muitos de nós, pareceu errado”, afirmam.
“Depois de um ano de silêncio, aquilo de que precisávamos não era de ser protegidos da conversa pública — era de, finalmente, fazer parte dela”, defendem.
“Neste primeiro aniversário, acreditamos que é importante que as pessoas ouçam diretamente aqueles que continuam a viver com o que aconteceu”, explicam.
Ao longo da carta aberta, os familiares apresentam um rol de pedidos que passam por uma comunicação regular, clareza sobre quem recaem as responsabilidades do acidente, respostas sobre a manutenção e as inspeções no equipamento, informações precisas sobre o apoio disponível para as famílias, transparência quanto ao auxílio financeiro anunciado para as vítimas, processo mais ágil para acionar seguros, acesso mais célere aos documentos de que precisam.
No documento, é também referido que muitos dos familiares foram obrigados a contratar advogados só para “obter respostas básicas, lidar com a burocracia e tentar ser ouvidos pelas instituições portuguesas”, escrevem. “Isto não deveria ser necessário um ano após perdermos quem amávamos”, adiantam.
Os subscritores terminam a carta a referir que um ano depois, continuam a relembrar as pessoas que perderam e estão ao lado dos que sobreviveram.
O acidente do Elevador da Glória ocorreu a 3 de setembro de 2025, em Lisboa. O desastre provocou 16 mortos, além de vários feridos, e deu origem a uma investigação que, um ano depois, permanece em curso.
Moedas não responde à carta aberta
Questionado sobre a carta aberta, na qual as vítimas e os familiares admitem sentir-se esquecidas, o autarca assegurou que “a Câmara esteve sempre presente”, escusando-se a tecer mais comentários sobre a carta aberta dos familiares.
“É um dia de homenagem, solidariedade e de gratidão. E é isso que nós estamos aqui a fazer”, respondeu.
PCP critica inoperância no apuramento das causas do acidente
Um ano após o acidente do Ascensor da Glória, o PCP de Lisboa homenageia as vítimas e manifesta solidariedade às suas famílias. Mas lamenta que “continue por concluir um apuramento cabal e rigoroso de causas e responsabilidades”.
No mesmo sentido, os comunistas assinalam ainda, “com preocupação”, as “incongruências entre declarações públicas do presidente da CML, assegurando ter sido prestado total apoio às vítimas e respetivas famílias, e as notícias e reportagens exibidas na comunicação social, com testemunhos de vítimas que denunciaram a falta de apoio e de acompanhamento por parte da CML”.
Para o PCP, os elementos já divulgados pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) “desmentem aspetos centrais” do discurso inicial da Câmara Municipal de Lisboa e da Carris, “ao identificarem falhas acumuladas no processo de aquisição e aplicação dos cabos, registos de manutenção que não correspondem às tarefas efetivamente realizadas e um modelo de manutenção externalizada exercido sem supervisão técnica do prestador de serviços”.
De acordo com a posição dos comunistas, a investigação não pode ficar limitada às circunstâncias técnicas e materiais do acidente. “E indispensável avaliar as opções estratégicas que, desde 2007, desmantelaram as capacidades oficinais internas da Carris e fragilizaram o conhecimento técnico acumulado na empresa”.
Um ano volvido, o presidente da Câmara “nada fez para concretizar a proposta apresentada pelo PCP e aprovada por unanimidade, que determinava esse diagnóstico e a avaliação das condições de internalização de recursos e competências, tendo antes dado passos para consolidar a externalização”.
A terminar, o PCP exige que sejam garantidos os meios para que os resultados das investigações em curso sejam apurados e divulgados com brevidade, e que a Câmara, em articulação com o Governo, “estabeleça, sem delongas, um calendário para a reposição em funcionamento, com todas as condições de segurança”, dos ascensores da Glória, da Bica e do Lavra e do Elevador de Santa Justa.
PS denuncia “opacidade” e “fuga às responsabilidades”
Em nota breve, os vereadores socialistas da CML, liderados por Alexandra Leitão, questionam a atuação do Município de Lisboa, evocando a memória das vítimas da tragédia do Elevador da Glória, manifestando solidariedade às suas famílias, mas apontam o dedo ao sacudir a água do capote do Executivo municipal, liderado por Carlos Moedas.
“Vítimas e famílias que foram esquecidas e continuam sem apoios, sem indemnizações e sem respostas. O silêncio, a opacidade e a constante fuga às responsabilidades por parte da Câmara de Lisboa envergonham-nos a todos. Que a memória de cada vítima permaneça viva e que a sua lembrança nos obrigue, sempre, a não esquecer”, lembram os socialistas.
Bloco critica Moedas por não ter acionado fundo de ajuda municipal
O Bloco de Esquerda considera que Carlos Moedas demonstrou falta de transparência e incapacidade para assumir a responsabilidade política que decorre da tutela da Carris. Anunciou auditorias que tardaram em avançar, prometeu apoio às vítimas que continua incompleto, não concretizou o fundo municipal aprovado, remeteu as indemnizações para a seguradora e não assegurou uma prestação pública de informação.
Em comunicado, o Bloco de Esquerda de Lisboa lembra “trágico acidente”, o mais grave ocorrido na história recente da cidade de Lisboa, e as suas consequências para os familiares das vítimas.
O Bloco de Esquerda considera que Carlos Moedas demonstrou falta de transparência e incapacidade para assumir a responsabilidade política que decorre da tutela da Carris. “Anunciou auditorias que tardaram em avançar, prometeu apoio às vítimas que continua incompleto, não concretizou o fundo municipal aprovado, remeteu as indemnizações para a seguradora e não assegurou uma prestação pública de informação”.
Um ano depois, e apesar das garantias da CML e Carris de terem feito “tudo, tudo, tudo”, há ainda “demasiadas perguntas sem resposta”, demasiadas responsabilidades por apurar e, sobretudo, “demasiadas vítimas e famílias sem o apoio e a reparação que lhes são devidos”, uma vez que “honrar as vítimas e ajudar Lisboa a recuperar desta tragédia implica transparência e responsabilização política”, sublinham os bloquistas.
Segundo o BE, os 24 sobreviventes continuam em tratamento, alguns com lesões graves, mobilidade reduzida, cirurgias por realizar e processos de reabilitação ainda em curso, mas “nenhum tem ainda uma avaliação indemnizatória definitiva. Entre as famílias das 16 vítimas mortais, apenas quatros chegaram a acordo relativamente às indemnizações. Um ano depois, a esmagadora maioria dos processos permanece, portanto, por concluir”.
Mais ainda, a responsabilidade da seguradora, “não dispensa o Município de Lisboa de assegurar um acompanhamento próximo e permanente de cada vítima e de cada família”. No entanto, “têm sido públicas as denúncias de sobreviventes e familiares sobre a falta de acompanhamento, a dificuldade em obter informação e a inexistência de respostas. O ‘tudo, tudo, tudo’ da CML não coincide com os relatos das vítimas”.
O BE lembra que a própria Câmara aprovou, logo a 8 de setembro de 2025, um conjunto de medidas que incluía a criação de um fundo municipal de apoio às vítimas, a disponibilização pública da informação através de um portal de transparência, o acompanhamento das famílias, a avaliação da internalização da manutenção e o desenvolvimento de soluções técnicas que garantissem a segurança dos ascensores. Mas, um ano depois, “uma parte significativa destes compromissos continua por concretizar ou sem informação pública suficiente sobre a sua execução”.
O fundo municipal de apoio às vítimas não chegou a ser constituído, com a Câmara a justificar essa decisão com o facto de as seguradoras estarem a suportar as despesas.
Para o BE, esta justificação é insuficiente. “O fundo deveria funcionar precisamente como instrumento de resposta a situações urgentes, despesas não cobertas, dificuldades de tesouraria, demora dos procedimentos e necessidades sociais ou psicológicas que não podem ficar dependentes da conclusão de negociações entre vítimas e seguradoras”.
Os bloquistas consideram que, também no domínio da transparência, a atuação de Carlos Moedas “ficou muito aquém das promessas feitas”. O presidente da Câmara anunciou investigações internas e externas e afirmou que todas as responsabilidades seriam apuradas no mais curto espaço de tempo. No entanto, numa reunião com a administração da Carris realizada em junho de 2026, tornou-se claro que, com exceção de uma, as auditorias anunciadas só avançaram com a nova administração da empresa e já durante o segundo trimestre de 2026. “Esta informação contradiz a comunicação repetidamente transmitida por Carlos Moedas de que existiam, desde o primeiro momento, várias auditorias em curso”.
“É igualmente incompreensível que não tenha sido realizada uma auditoria específica ao contrato celebrado com a MNTC, empresa responsável pela manutenção dos ascensores e cuja proposta foi considerada de preço anormalmente baixo. O preço apresentado na componente principal da manutenção seria cerca de 46% inferior ao preço-base definido no procedimento. Apesar da relevância evidente deste contrato para o modelo de manutenção e para o apuramento das responsabilidades, a Câmara e a Carris não o sujeitaram atempadamente ao escrutínio reforçado que a gravidade do acidente exigia”.
Até porque o relatório preliminar do GPIAAF revelou falhas graves e acumuladas: “um cabo que não correspondia às especificações técnicas da Carris e não estava certificado para aquela utilização, insuficiências nos processos de aquisição e receção de componentes críticos, afastamento da área de engenharia da verificação dos cabos, falta de normalização de tarefas essenciais, debilidades na formação e fiscalização da manutenção e registos de intervenções que não correspondiam necessariamente ao trabalho efetivamente realizado.”
Estas conclusões preliminares “desmentem” a afirmação feita pela Carris na noite do acidente de que todos os protocolos de manutenção tinham sido “escrupulosamente cumpridos”. Apesar disso, Carlos Moedas “manteve inicialmente em funções a administração da Carris e só decidiu não a reconduzir depois da divulgação do relatório preliminar, em outubro de 2025”.
Um ano depois, diz o Bloco, continuam também por esclarecer as circunstâncias em que foram prestadas informações incorretas que atribuam decisões a outros executivos. “A Carris chegou a transmitir aos vereadores que existiriam autópsias por concluir, informação desmentida pelo Ministério da Justiça, que garantiu que todas as autópsias foram realizadas em 24 horas e que os 16 relatórios estavam concluídos”.
O relatório final do GPIAAF, inicialmente previsto para o primeiro aniversário do acidente, foi, entretanto, adiado para o final do primeiro trimestre de 2027. “Embora a complexidade das perícias possa justificar esse prolongamento, o adiamento torna ainda mais indispensável que a Câmara disponibilize toda a informação administrativa, contratual e política que não esteja abrangida pelo segredo de justiça. A investigação técnica e o inquérito criminal não podem servir de pretexto para suspender o escrutínio democrático ou para adiar indefinidamente a assunção de responsabilidades políticas”.
Entretanto, o inquérito dirigido pelo Ministério Público já levou à constituição de três arguidos: um antigo diretor de Manutenção do Modo Elétrico da Carris, o gerente da MNTC e a própria empresa de manutenção.
Para o BE, a investigação criminal encontra-se em curso e deve respeitar integralmente a presunção de inocência, mas “a responsabilidade política não depende de uma condenação judicial. Resulta das opções tomadas, da forma como os serviços foram organizados, da externalização da manutenção, da fiscalização realizada e da atuação da tutela municipal antes e depois da tragédia”.
O BE denuncia ainda o facto de os ascensores históricos da Glória, da Bica e do Lavra continuarem encerrados.” A Carris terminou os contratos com a MNTC, mas permanece por apresentar à cidade um calendário para a implementação de um novo modelo de manutenção, para a internalização das competências técnicas necessárias e para a reabertura segura destes equipamentos”.
Carris sublinha que segurança “não é negociável”
Em declarações aos jornalistas após a apresentação da solução para o futuro Ascensor da Glória, Rui Lopo, novo presidente da Carris, disse que os Ascensores da Bica e do Lavra e o Elevador de Santa Junta ainda estão sob “avaliação técnica rigorosa, de grande detalhe, de grande cuidado”, sem previsão de quando voltarão a funcionar, adiantando que no elevador de Santa Justa “a avaliação está mais avançada do que no Lavra, mas ainda vai demorar”.
“A segurança não é negociável e, portanto, estas coisas não podem ter precipitações e tem que ser tudo visto com grande cuidado”, declarou.
Passado cerca de um ano, os ascensores da Bica e do Lavra ainda estão a ser avaliados, sendo que “há um conjunto de circunstâncias técnicas que têm que corresponder às questões de segurança”, indicou o presidente da Carris, Rui Lopo, no cargo desde janeiro, após a demissão do anterior gestor Pedro de Brito Bogas na sequência do descarrilamento.
Afirmando que ascensor do Lavra tem o mesmo sistema de funcionamento do ascensor da Glória, porque “a Glória é o irmão gémeo do Lavra”, o presidente da Carris ressalvou que, “independentemente disso, há uma Comissão Técnica Independente que está a trabalhar” quanto à avaliação da segurança do Lavra.
“Ainda é prematuro nós conseguirmos avaliar o que é que efetivamente tem de acontecer” para que o ascensor do Lavra possa voltar a funcionar, expôs Rui Lopo, referindo que “há um enquadramento macro, mas tem que ser analisado, com muito detalhe, com muita responsabilidade”, sublinhando que “são processos demorados”.
O funcionamento destes equipamentos históricos da Carris depende de vários fatores, inclusive a demora no fornecimento de equipamentos e de subsistemas de segurança, o que “tem um tempo demoradíssimo”.
“Portanto, avaliar condições, com grande responsabilidade, ter o tempo que for necessário para, quando for reposto, é reposto em condições de segurança, hipertestadas e hiperverificadas”, defendeu, explicando que “o funcionamento destes equipamentos não é assim tão diferente uns dos outros”.
Referindo que todos estes equipamentos históricos da Carris “são património nacional”, Rui Lopo disse que, “se todas as condições de segurança podem ser garantidas, ainda que em equipamentos antigos”, a empresa municipal tem de garantir toda a avaliação técnica, que está a ser feita por “variadíssimas entidades”, inclusive a Comissão Técnica Independente e técnicos internacionais.
Essa avaliação técnica concluirá se os equipamentos podem funcionar tal como estão ou se é preciso introduzir alterações ou se carecem de “uma solução completamente nova”, apontou o presidente da Carris.
Futuro ascensor terá “novo sistema”
O futuro ascensor da Glória contará com um “novo sistema” que garantirá “toda a segurança”, prevendo-se um concurso público internacional de conceção até ao final março de 2027 e a inauguração do equipamento em 2029, foi divulgado esta segunda-feira.
“Já não podemos ter um equipamento histórico que funcionava sem modificações substantivas até ao dia 01 de janeiro de 1986 e, portanto, estamos perante uma solução nova em termos de processo construtivo”, afirmou o presidente da Carris, Rui Lopo, na apresentação da solução e dos conceitos técnicos subjacentes ao projeto do futuro ascensor da Glória, que decorreu no auditório da Ordem dos Engenheiros, em Lisboa.
A Comissão Técnica Independente, criada por deliberação da Câmara de Lisboa, presidida por Carlos Moedas, após o acidente com o Elevador da Glória, é composta por especialistas indicados pela Ordem dos Engenheiros (OE), pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e pelo Instituto Superior Técnico (IST), contando ainda com representantes da Carris e da EMEL.
Em memória das vítimas do acidente, os autocarros e elétricos da Carris passaram a circular com uma mensagem que recorda a tragédia — que ceifou a vida a 16 pessoas, incluindo o guarda-freio André Marques –, dizendo simplesmente: “Homenagem”.
Fotos: Daniela/ CMLisboa










