JFAN celebra 13 anos com homenagens e reforça aposta na proximidade

A Junta de Freguesia das Avenidas Novas (JFAN) celebrou, esta terça-feira, 29 de setembro, 13 anos de existência com homenagens a diversas personalidades e o presidente, Daniel Gonçalves, aproveitou a ocasião para reforçar o compromisso com a proximidade, o combate à solidão e a inclusão.

A Junta de Freguesia das Avenidas Novas (JFAN) celebrou o seu 13.º aniversário com uma sessão solene que decorreu na Ordem dos Contabilistas Certificados, no Campo Pequeno. Perante os homenageados, figuras bem conhecidas do panorama artístico e cultural, bem como representantes das forças de segurança, entre os quais os subintendentes Paulo Morgado e João Martelo e o chefe da PSP Óscar Pinto, o presidente da JFAN, Daniel Gonçalves, começou por afirmar que o aniversário é “mais do que assinalar uma data do calendário ou cumprir um protocolo formal”.

“Estamos aqui para nos olhar nos olhos, para nos abraçarmos e para nos reencontrarmos”, disse Daniel Gonçalves

O autarca descreveu as Avenidas Novas como “uma joia viva e vibrante no coração de Lisboa”, que se destaca pela imponência das avenidas largas, pelo ritmo acelerado dos dias e pelo património. Mas a verdadeira alma da freguesia, vincou, “não habita na pedra nem no asfalto: vive na textura delicada dos afetos quotidianos”, no bom dia trocado no passeio, na porta aberta ao vizinho e na mão estendida em silêncio. “Não somos apenas um ponto no mapa urbano. Somos uma casa comum”, acrescentou.

Junta quer ser “uma presença humana, calorosa e próxima”

Daniel Gonçalves defendeu que é para cuidar desta “casa comum” que a Junta existe, “não como uma estrutura distante da vida real, mas como uma presença humana e calorosa”. Lembrou, por isso, as respostas sociais que o executivo mantém, desde os técnicos de apoio à “Voz Amiga”, passando pelos passeios sociais, pelo apoio à maternidade, pelos cabazes de Natal e pelo apoio à aquisição de medicamentos.

Referiu também a atribuição de cheques para necessidades diversas, o trabalho da Brigada de Intervenção Rápida, os serviços de engenharia urbana e o apoio às associações e ao desporto. O presidente da JFAN dedicou especial atenção às famílias que “sentem o peso sufocante de cada dia do mês” e às pessoas que sentem que o mundo “acelera cada vez mais, sem deixar espaço para os seus passos”. “O meu abraço mais apertado vai para quem enfrenta a vida com inquietação”, afirmou.

“A solidão é um silêncio pesado e invisível”

O momento mais sentido do discurso foi dedicado à população sénior. Aqui, Daniel Gonçalves lembrou que a solidão “não entra nas estatísticas”, mas existe em “portas fechadas na calçada durante dias e rostos à janela”, que pedem apenas “uma escuta pausada, um abraço de conforto e uma palavra amiga”. A estas pessoas deixou uma promessa “com firmeza inabalável”: “não estão sós”. A presença da Junta, reforçou, “não serve para compor fotografias nem para momentos celebrados”, mas “para a vida real, para o quotidiano cinzento, onde pedir ajuda se torna um gesto difícil”.

Inclusão como “prática diária de amor”

Por isso, para o autarca, a justiça de uma comunidade mede-se “pela promoção da autonomia”, pelo acolhimento a quem chega de longe, pelo combate “a todas as barreiras físicas e de atitude que limitam as pessoas com deficiência” e pela capacidade de “transformar um ato administrativo num gesto puro de humanidade”. “A inclusão não pode ser uma intenção burocrática, tem de ser uma prática diária de amor”, disse, sublinhando que a diversidade da freguesia “não é um problema a gerir, é a nossa riqueza”.

Por outro lado, dirigindo-se aos mais novos, Daniel Gonçalves garantiu que “nenhuma criança neste território terá o seu caminho condicionado pela situação económica da sua família” e que nenhum jovem deve sentir “que os seus sonhos são demasiado grandes para o lugar onde vive”. “Não são apenas o amanhã, são o bater de coração do nosso presente”, afirmou. Defendeu ainda uma cultura “viva e acessível”, que “respire nas praças, nas escolas e nos bairros”, provocando o encontro e afastando a solidão.

Agradecimentos aos trabalhadores e parceiros

Antes de passar às homenagens, o presidente da JFAN deixou o seu reconhecimento aos trabalhadores e colaboradores da Junta, pelo trabalho “tantas vezes invisível”, pela paciência no atendimento e pela “empatia que dá rosto humano ao serviço público”. Agradeceu também aos parceiros, artistas e equipas organizadoras pelo empenho e sensibilidade com que contribuíram para o dia.

De acordo com o autarca, os homenageados desta sessão solene demonstram, com as suas vidas e exemplos, que “cuidar do bem comum é o gesto mais nobre que um ser humano pode ter”. As homenagens começaram com a apresentadora Teresa Guilherme, antiga residente nas Avenidas Novas, que sublinhou ter sido a “primeira vez que recebia um prémio” desta natureza, deixando o seu agradecimento ao executivo da JFAN.

Miguel Dias foi outro dos homenageados

Ainda na área cultural, foi homenageado o ator Miguel Dias, que celebra 30 anos de carreira em 2026. No discurso de agradecimento, o artista fez uma menção à Academia de Santo Amaro, onde deu os primeiros passos, e também aos pais, que o “deixaram seguir o sonho” da representação. O ator dedicou a distinção ao empresário teatral Hélder Freire Costa, que lhe abriu as portas do Teatro Maria Vitória, que se encontra atualmente encerrado após ter sido duramente afetado com as tempestades que aconteceram no início deste ano.

“Faça um apelo para que o Teatro Maria Vitória reabra o mais depressa possível. Precisamos dele e da Revista à Portuguesa”, salientou Miguel Dias, deixando duras críticas aos políticos que pedem “favores aos artistas durante as campanhas eleitorais e depois os esquecem, quando são eleitos”. No entanto, ressalvou, Daniel Gonçalves é uma excepção. “Há quatro meses estava sem trabalho, liguei ao presidente Daniel, falei-lhe do meu espetáculo e perguntei: ‘quantos bilhetes quer comprar?, ao passo que o presidente respondeu: ‘tudo o que puder ajudar’”, lembrou o ator, ressalvando que, graças a esta atitude, a Academia de Santo Amaro recebeu inúmeras visitas por parte dos fregueses das Avenidas Novas.

Adolfo Barão, José Cabeleira e Paulo Vasco também foram distinguidos

A terceira homenagem foi para o kickboxer Adolfo Barão, que realçou que esta “é uma distinção importante, porque não é jogador de futebol”, mas sim kickboxer, uma modalidade pouca apoiada. “É importante ajudar os mais jovens, como sabem, tenho um clube e tento tirar as crianças das ruas”, lembrou o atleta. Já José Cabeleira, ex-presidente da Casa do Artista e maestro, foi outro dos homenageados desta sessão solene. “Fico lisonjeado por se lembrarem da música e de mim”, disse o também responsável pelo hotel Lisboa Central Park, sediado nas Avenidas Novas. Paulo Vasco, ator, foi outro dos homenageados pela JFAN, a quem agradeceu a distinção.

Tal como Miguel Dias, Paulo Vasco também destacou o trabalho de Hélder Freire Costa e a sua importância na carreira de vários atores, como o próprio Paulo Vasco, que se estreou no Parque Mayer há 40 anos. “Estamos a lutar para a abertura do Teatro Maria Vitória”, reforçou. O penúltimo homenageado foi o intérprete Fernando Pereira, que enalteceu a sua “enorme felicidade em estar aqui a partilhar este prémio com tanta gente talentosa”. “Há três tipos de prémios: os carinhosos, mas com pedidos – desses tenho a prateleira cheia; os que vão parar aos mesmos – não tenho nenhum desses; e os desinteressados – como este e o da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA)”, acrescentou o artista.

José Jorge Letria também foi homenageado pela JFAN

Por fim, foi destacado o presidente da Sociedade Portuguesa de Autores e antigo jornalista e escritor, José Jorge Letria. “Esta é uma distinção que muito me honra, pois apesar de ser cascalense, trabalhei em muitas publicações em Lisboa”, disse, lembrando ainda que, atualmente, “a SPA tem 165 trabalhadores e 25 mil associados em todo o país”, o que comprova o poder deste organismo na defesa dos direitos da cultura. “Estamos disponíveis para conversar convosco”, atirou José Jorge Letria ao executivo da JFAN, aproveitando para elogiar o trabalho de Daniel Gonçalves como autarca.

“Que cada pessoa sinta que este seja o seu porto seguro”

A encerrar, Daniel Gonçalves agradeceu a presença dos homenageados e dos convidados, entre os quais nomes ilustres como Tozé Brito, Hélder Freire Costa, Vitorino, Maria João Gama, entre outros. O autarca pediu que o aniversário seja “um renovar de votos de amizade” e que a comunidade saiba “cuidar uns dos outros com sensibilidade, adivinhando a necessidade do vizinho antes de ela se tornar um pedido de socorro”. Desejou uma freguesia “onde a modernidade não apaga a memória, onde o progresso anda de mãos dadas com a empatia” e onde cada pessoa “sinta que este é o seu porto seguro, a sua casa e o seu verdadeiro lugar de pertença”.

Aos idosos, deixou “a certeza imutável de que a sua sabedoria é o pilar fundamental” do que a freguesia foi, é e sabe. A cerimónia terminou com vivas à comunidade e às pessoas que, “com o seu exemplo, nos inspiram a ir mais longe”, bem como com a entrega de diplomas de louvor a dois jovens que concluíram o seu estágio na Junta de Freguesia das Avenidas Novas e aos monitores das colónias de férias, momento este que antecedeu o espetáculo de Carlos Alberto Moniz e um cocktail.

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