Um ano depois do trágico acidente com o Ascensor da Glória, que causou a morte de 16 pessoas e feriu 24, o PCP homenageia as vítimas e manifesta solidariedade às famílias e amigos, desejando recuperação aos feridos.
O partido destaca que não foi concluído um apuramento rigoroso das causas e responsabilidades do acidente, lamentando o incumprimento dos prazos inicialmente fixados e a escassez de meios para o processo de investigação.
O PCP considera relevantes os relatórios preliminares publicados pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), que apontam para falhas acumuladas no processo de manutenção da CARRIS, práticas fraudulentas em registos de inspeções e insuficiente supervisão dos serviços de manutenção terceirizados.
O partido sublinha que as afirmações iniciais da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e da CARRIS sobre o cumprimento escrupuloso dos protocolos de manutenção são desmentidas pelo GPIAAF, que aponta para a existência de irregularidades e fragilidades no modelo de manutenção externalizado.
O PCP critica o sistema de comunicação da CML, que não assegurou informações claras e regulares às famílias das vítimas, ao executivo municipal e à cidade, além de atrasos na adoção de medidas como a auditoria externa aos processos de manutenção e a avaliação das soluções técnicas para os ascensores, iniciadas apenas seis meses após o acidente.
O partido considera essencial que a investigação não se limite às causas técnicas, mas também avalie as opções estratégicas de gestão da CARRIS, destacando que a externalização dos serviços de manutenção desde 2007 fragilizou os recursos, competências e conhecimento técnico interno da empresa.
Em setembro de 2025, a Câmara Municipal aprovou por unanimidade uma deliberação proposta pelo PCP para diagnosticar a evolução dos recursos técnicos internos e os efeitos da externalização na eficácia da manutenção, incluindo a avaliação das condições para recuperar esses recursos. Contudo, o PCP denuncia que, um ano depois, o presidente da CML não concretizou esta deliberação.
O PCP deplora a rejeição do diagnóstico pela presidência da CML e alerta que a gestão atual tem consolidado o modelo de externalização, contrariando a necessidade de internalizar competências face à singularidade dos ascensores da Glória e do Lavra, únicos no mundo e com escassa documentação técnica disponível.
O partido considera que a argumentação do presidente da CML sobre as alternativas no mercado concorrencial não se aplica a estes equipamentos e defende a prioridade na recuperação do conhecimento interno da empresa.
O PCP insta o Governo e a Câmara Municipal a disponibilizarem os meios necessários para que os resultados finais da investigação, auditorias e inquérito sejam apurados e divulgados com a maior brevidade possível.
Um ano após o acidente, os ascensores da Glória, da Bica e do Lavra permanecem inativos, sem perspetiva concreta de reabertura a médio prazo, assim como o Elevador de Santa Justa. O PCP urge a adoção urgente de medidas para a reentrada em funcionamento destes equipamentos com garantia de segurança.







