Na noite deste sábado, dia 12 de setembro, o Palácio Nacional de Sintra recebeu a Grande Final Nacional das Novas 7 Maravilhas de Portugal . Chegaram a esta fase 21 finalistas, três por categoria, escolhidos de entre 147 patrimónios a concurso. Um dos vencedores, totalmente determinados através do voto do público, foi a Sé de Lisboa, em pleno coração da capital, e que se junta a um grupo composto por locais como o Castelo de Leiria; o Aqueduto da Usseira (Óbidos); as Ruínas de São Cucufate (Vila de Frades); os Mercados de Olhão; a adega Tiago Cabaço Winery (Estremoz) e o Jardim do Paço Episcopal (Castelo Branco).
Vinte anos depois da primeira eleição das 7 Maravilhas de Portugal, em 2007, o país elegeu mais sete patrimónios que passam a ostentar o título de Novas 7 Maravilhas de Portugal. O concurso, afiliado e reconhecido pela New 7 Wonders Foundation, arrancou com 147 patrimónios a concurso, de norte a sul e ilhas incluídas, distribuídos por sete categorias que procuram refletir a diversidade histórica, artística, arquitetónica e territorial do país: Castelos, Religião, História, Grandes Obras, Século XX, Século XXI e Turismo.
O caminho até à final foi longo. Ao longo de vários meses realizaram-se eliminatórias regionais, que somaram mais de 140 participações, incluindo uma emissão especial em Lisboa, junto ao Padrão dos Descobrimentos, no dia 4 de julho, onde ficaram definidos os 14 finalistas regionais da Grande Lisboa, entre os quais se destacaram o Castelo de São Jorge e o Museu Bordalo Pinheiro. A Meia-Final Nacional, que se realizou também no Palácio Nacional de Sintra, a 5 de setembro, apurou os 21 finalistas nacionais, três por categoria.
Público escolheu os seus locais preferidos durante 14 semanas
Após 14 semanas, chegaram à final deste sábado 21 patrimónios: Fortaleza de Valença, Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo e o Castelo de Leiria, na categoria ‘Castelos’; Aqueduto da Amoreira, em Elvas, Aqueduto de Vila do Conde e o Aqueduto de Usseira, em Óbidos, na categoria ‘Grandes Obras’. Já na categoria ‘História’, estavam as Termas Romanas de Aquae Flaviae, em Chaves, o Convento da Caloura, em Lagoa, nos Açores, e as Ruínas de São Cucufate, em Vila de Frades. Na categoria ‘Religião’, estavam a concurso a Sé de Lisboa, o Santuário da Sra. da Graça, em Mondim de Basto, e a Catedral de Santarém.
Por sua vez, na categoria ‘Século XX’, concorriam a Igreja de S. José da Ribeira Chã, em Lagoa (Açores), o Picote – Moderno Escondido, em Miranda do Douro, e os Mercados de Olhão. A adega Tiago Cabaço Winery, em Estremoz, o Centro Interpretativo do Vulcão dos Capelinhos, na Ilha do Faial, e o Museu do Azeite – Bobadela, em Oliveira do Hospital, concorriam na categoria ‘Século XXI’. Já na categoria ‘Turismo’, estavam o Jardim do Paço Episcopal, em Castelo Branco, o Cella Bar, na Madalena do Pico, nos Açores, e o Jardim Monte Palace Madeira, no Funchal.
Sé de Lisboa é uma das vencedoras
Os vencedores, em cada uma das categorias, foram, o Castelo de Leiria (Castelos); Aqueduto da Usseira (Grandes Obras); Ruínas de São Cucufate (História); Sé de Lisboa (Religião); Mercados de Olhão (Século XX); Tiago Cabaço Winery (Século XXI) e o Jardim do Paço Episcopal (Turismo). A escolha dos sete vencedores, um por categoria, dependeu inteiramente da votação do público, feita por chamada telefónica ou através da aplicação TVI Pass.
No público, pelo meio das centenas de apoiantes de cada uma das ‘Maravilhas’ a concurso, estavam representantes de várias autarquias, entre as quais a presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Maria João Correia, visivelmente orgulhosa na conquista da Sé de Lisboa, que é agora uma das novas Maravilhas Nacionais. “É um sonho que começou há muitos meses atrás”, disse a autarca daquela freguesia do centro da capital. “Agradeço a todos os que votaram na Sé, mas faço uma agradecimento especial à nossa claque e à equipa da Junta de Santa Maria Maior, que foram fantásticos”, acrescentou.
Sé de Lisboa é um dos símbolos da capital
A Sé de Lisboa, também conhecida como Igreja de Santa Maria Maior, é a catedral mais antiga da cidade e um dos monumentos mais emblemáticos do país. A sua construção arrancou em 1147, logo após a conquista de Lisboa aos mouros pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, tendo ficado a cargo do inglês Gilberto de Hastings, nomeado bispo da cidade. O templo foi erguido no local onde antes se encontrava a principal mesquita de Lisboa, que por sua vez fora construída sobre um anterior templo cristão visigótico. Ainda no século XII, D. Afonso Henriques trouxe do Algarve as relíquias de São Vicente, padroeiro de Lisboa, e depositou-as na catedral.
A fachada, com duas torres ameadas e um rosáceo central, conserva o traço românico original, mas o interior é hoje o resultado de sucessivas intervenções ao longo dos séculos: danos causados por vários terramotos, incluindo o de 1755, levaram a obras de reconstrução que acrescentaram elementos barrocos e neoclássicos, sobretudo por iniciativa de D. João V. Classificada como Monumento Nacional, a Sé de Lisboa alberga ainda um claustro gótico, uma coleção de capelas medievais e o Tesouro da Sé, onde se destaca a Custódia da Sé, uma peça de ourivesaria em ouro cravejada de diamantes, rubis, esmeraldas e safiras.
Emissão conduzida por Maria Cerqueira Gomes e Pedro Teixeira
A condução da Grande Final ficou a cargo dos apresentadores Maria Cerqueira Gomes e Pedro Teixeira, com a modelo e atriz Matilde Reymão como embaixadora da iniciativa. A gala, transmitida em direto na TVI, contou ainda com a atuação de vários artistas, tais como Aurea, Mimicat e Ana Bacalhau, Noble, Virgul, Khiaro e Luís Fialho, Los Romeros e a dupla de bailarinos Free Acro Souls.
Para Luis Segadães, presidente da 7 Maravilhas de Portugal, “é uma maravilha estar aqui. Celebrar o património é motivo de grande alegria. Por exemplo, há 20 anos visitava-se o Palácio da Pena, uma das 7 Maravilhas de Portugal, sem problemas, e hoje tem multidões. Isso é uma consequência de ser ‘Maravilha’. Ser ‘Maravilha’ implica receber visitas, ser visto”.
Anteriormente, durante as meias-finais, o responsável, que reconheceu também o apoio das autarquias envolvidas no sucesso desta iniciativa, afirmou que esta foi uma fase “especial”, com a “defesa acérrima” dos patrimónios por parte do público, naquilo que descreveu como demonstração “da enorme ligação entre a população e aquilo que nos representa como nação”.
Mais de 600 candidaturas
Já Marco Almeida, presidente da Câmara Municipal de Sintra, referiu que é “um profundo orgulho ser o palco desta final em que se mostra o património de todo o país, e revelar o que há de bom em Portugal. Sintra é uma joia, mas há muitas joias em todo o país”. A edição de 2026 surge numa altura em que o projeto se prepara para assinalar, já em 2027, os 20 anos da sua criação, e é apresentada pela organização como a mais abrangente de sempre. João Rêgo, da Parques de Sintra, referiu, por outro lado, que é “um orgulho participar num programa que dá a conhecer o que o país tem de único”.
Carla Salsinha, presidente da Entidade Regional do Turismo de Lisboa, disse que esta “foi uma final única, num espaço único. Mais do que promover internacionalmente Portugal, o que estes eventos fazem é conhecer a nossa região, valorizar e promovê-la. Havia monumentos que não conhecia e que muitos, certamente, estão a pensar ir visitá-los no próximo ano”.
Lídia Monteiro, do Turismo de Portugal, reforçou que “as 7 Maravilhas têm um papel importante para a preservação do património e dos territórios e estimulam a vontade de visitar o país, e há muitos bons exemplos. Há sítios muitos bonitos, de norte a sul do país, passando pelas ilhas, e é esta riqueza que estamos hoje a celebrar”.
O evento contou com o apoio de Turismo de Portugal e EDP, teve a TVI como televisão oficial, contando como anfitriões a Câmara Municipal de Sintra, a Cultursintra, a Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa e Parques de Sintra. A auditoria do processo de votação esteve a cargo da PwC. No total, houve mais de 600 candidaturas, de norte a sul do país, às Novas Maravilhas de Portugal.
Sete edições temáticas desde 2007
Antes desta edição, o projeto “7 Maravilhas” já tinha tido diferentes temas: 7 Maravilhas de Portugal (2007), 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo (2009), 7 Maravilhas Naturais de Portugal (2010), 7 Maravilhas da Gastronomia (2011), 7 Maravilhas Praias de Portugal (2012), 7 Maravilhas de Portugal Aldeias (2017), 7 Maravilhas à Mesa (2018), 7 Maravilhas Doces de Portugal (2019), 7 Maravilhas da Cultura Popular (2020) e 7 Maravilhas da Nova Gastronomia (2021).







