O Município de Oeiras está a assinalar a Semana Europeia da Mobilidade com várias iniciativas, designadamente em meio escolar. O vereador da Educação, Pedro Patacho, refere que a Câmara está apostada em ampliar a participação dos mais jovens nos programas de mobilidade sustentável fomentados no território. E diz que é fundamental recuperar as vivências das gerações mais antigas no que toca à mobilidade.
Durante sete dias, o concelho promove iniciativas dedicadas à mobilidade sustentável, à experimentação e à utilização do espaço público. A programação inclui ruas escolares, Bike Bus, bicicletas, soluções de mobilidade inovadoras, entre outras.
Oeiras assinala a Semana Europeia da Mobilidade 2026, entre 16 em e 22 de setembro, com um programa que convida a experimentar diferentes formas de deslocação, conhecer novas soluções de mobilidade e refletir sobre a forma como o espaço público é utilizado.
Promovida pela Parques Tejo, a empresa municipal que desenvolve as políticas de mobilidade do Município, em parceria com a Ecomood Portugal, a programação distribui-se por escolas, ruas, quiosques de mobilidade, equipamentos municipais, estações e parques de estacionamento, com iniciativas dirigidas a crianças, famílias, empresas, comunidade escolar e população em geral.
A Semana Europeia da Mobilidade parte de uma ideia simples: sair do carro, experimentar alternativas e pensar na mobilidade que se quer para Oeiras. A programação combina participação, experiência, sustentabilidade, cultura e inovação.
A iniciativa teve o seu arranque no 16 de setembro com a iniciativa “Oeiras Sai à Rua”, no Agrupamento de Escolas de São Bruno, em Caxias.
Nessa data, os alunos da Escola de São Bruno tiveram uma manhã diferente, participando em diferentes experiências relacionadas com mobilidade ativa, transporte sustentável e espaço público. O programa incluiu atividades do Oeiras Move Escolas, Bike Bus, jogos de mobilidade, experiências com bicicletas e soluções inovadoras.
Sustentabilidade e atividade física
A meio da manhã, o vereador da Educação, Pedro Patacho deu as boas-vindas à comunidade escolar e contactou de perto com as crianças para se inteirar dos seus hábitos diários de mobilidade. No contacto com as crianças, o responsável insistiu na tecla de que “é necessário falarem com os pais” para lembrar que “é muito importante” aderirem ao programa Oeiras Move, isto é, deslocarem-se para a escola a pé ou de bicicleta, devidamente integrados em “caravanas” de mobilidade suave.
No discurso de abertura da iniciativa, Pedro Patacho reforçou a importância de as crianças aderirem aos programas de mobilidade sustentável em curso no território, lembrando que há já cerca de 600 crianças a deslocarem-se para as escolas a pé ou de bicicleta.
“Tudo isto faz parte de um verdadeiro programa de sustentabilidade no nosso concelho. Nós queremos que cada vez mais crianças e jovens circulem a pé ou de bicicleta nos trajetos para a escola e da escola para as sua casas. É nosso objetivo termos um meio ambiente mais saudável, com melhor qualidade do ar, com menos emissões de gases poluentes e nocivos para a nossa saúde”.
Para além dos benefícios no meio ambiente, é também propósito fomentar um quadro de mobilidade “com mais atividade física, com mais energia, mais camaradagem entre os jovens”, proporcionando uma “vivência do espaço urbano com mais qualidade de vida”.
Em declarações ao “Olhar Oeiras”, Pedro Patacho sublinhou o crescimento da adesão das escolas ao programa de mobilidade sustentável promovido pela Parques Tejo e o Município. “Em apenas dois anos, passámos de dois agrupamentos escolares para quatro. Temos já quase 600 crianças e jovens a irem para as escolas integrados no Oeiras Move Escolas, mas é nosso objetivo aumentar substancialmente este número nos próximos anos”.
Recuperar hábitos antigos
Para o vereador, importa recuperar hábitos de mobilidade que as gerações mais antigas utilizavam no seu dia a dia. “É muito importante que as crianças e os jovens percebam que há formas alternativas de circulação. No meu tempo de criança, toda a gente andava de bicicleta ou a pé. Era saudável, ecológico e barato”, sendo, por essa razão, objetivo “recuperar as vivências de gerações e gerações de alunos nas últimas décadas”, que foram substituídas pelo carro, criando uma hipervalorização do individualismo que resulta numa “vivência estranha dos jovens de hoje, que é uma vivência hiper-regulada, com fraca autonomia e hiper-protegida” pelos encarregados de educação.
Nesse sentido, o Município vai acelerar este modelo de mobilidade suave, aumentando as chamadas Ruas Escolares no território, vias sem circulação automóvel junto às escolas – há atualmente duas Ruas Escolares projetadas no concelho: Escola Conde Ferreira, em Santo Amaro de Oeiras, e a Escola Diniz Alves Matias, em Paço de Arcos.
O responsável revelou ainda que a Câmara pretende alargar a implementação destas ruas sem carros a outras vias junto a outras escolas no concelho; uma medida que faz parte do “plano global de mobilidade sustentável” de Oeiras.
A iniciativa, que arrancou em Caxias, marca a criação temporária de uma rua livre de carros, transformando o espaço junto à escola num local de encontro, experimentação e aprendizagem.
Reflexão e ação
A administradora executiva da Parques Tejo, Dina Aguiar, por seu turno, salientou que, durante sete dias, a iniciativa promove o debate sobre mobilidade sustentável, mas, “mais importante, fazer mobilidade sustentável”, ajudando a refletir sobre os modelos que se pretendem para cidades: “Como usamos as ruas, como nos deslocamos; como ocupamos o espaço público”.
Este ano, segundo Dina Aguiar, a proposta da Parques Tejo passou simplificar a mensagem: sair do carro, viver a rua e imaginar a mobilidade futura de Oeiras. “E não quisemos começar esta semana numa sala, numa conferência ou num palco. Quisemos começar aqui. Numa escola. Porque se queremos transformar a mobilidade de uma cidade, temos de começar por perceber como é que as pessoas se deslocam todos os dias. E há poucos lugares onde essa realidade seja tão evidente como à porta de uma escola”.
A administradora lembrou que, todas as manhãs, milhares de famílias fazem o mesmo percurso: casa, escola, trabalho. “Há carros, autocarros, bicicletas, trotinetas, crianças a pé, pais com pressa, professores, moradores. Mas há sobretudo carros”.
“À porta da escola percebemos que a mobilidade não é apenas uma questão de transporte. É uma questão de espaço público, de segurança, de qualidade de vida e de futuro”, destaca Dina Aguiar, para quem a “comunidade escolar” deve estar no centro das intervenções e da sensibilização para a mudança de comportamentos.
“Sabemos que mudar os hábitos de mobilidade não se faz apenas através de infraestruturas ou de campanhas, faz-se através da experiência”, pois “quando uma criança experimenta ir de bicicleta para a escola, com um Bike Bus, por exemplo, quando aprende a circular na rua, quando percebe o que significa partilhar o espaço com um automóvel, quando uma família descobre que afinal é possível fazer determinado percurso a pé ou de bicicleta, estamos a criar conhecimento e confiança”, bem como se estão também a criar hábitos.
A responsável citou estudos e experiências internacionais que mostram precisamente a importância de trabalhar a mobilidade a partir das escolas.
Na Escócia, por exemplo, avaliações de programas de “School Streets” identificaram reduções da velocidade média, melhorias na perceção de segurança e uma diminuição da utilização do automóvel nas deslocações para a escola.
Em Londres, um estudo realizado em 18 escolas primárias concluiu que o encerramento das ruas ao trânsito nos horários de entrada e saída das escolas permitiu reduzir os níveis de dióxido de azoto em até 23%.
E Paris levou esta ideia ainda mais longe. “A cidade tem hoje mais de 300 Ruas Escolares, ruas junto às escolas que foram fechadas ou fortemente condicionadas ao trânsito automóvel. São espaços pensados para tornar o percurso casa-escola mais seguro, reduzir a poluição e devolver espaço às crianças”, anotou.
“Não estamos a dizer que Oeiras é Paris. Nem que existe uma solução única que possa ser aplicada da mesma forma em todas as cidades. Estamos a dizer outra coisa: vale a pena experimentar”, asseverou
Para Dina Aguiar, a iniciativa “Oeiras Sai à Rua” “é um teste, uma experiência”, mas também uma oportunidade “para vermos o que acontece quando retiramos, ainda que por algumas horas, o automóvel daquele espaço e o devolvemos às pessoas. E, neste caso, devolvemo-lo sobretudo às crianças”.
No seu entender, as crianças devem ter a possibilidade de viver a rua. “Queremos que possam andar, brincar, aprender, experimentar bicicletas, conhecer novas formas de mobilidade e olhar para a rua não apenas como um lugar por onde passam carros, mas como um lugar onde as pessoas vivem”.
Alinhada com a posição do vereador Pedro Patacho, a administradora defendeu a possibilidade de o concelho de Oeiras disseminar este teste a muitas outras ruas que servem as escolas do território.


