Na entrega de chaves de habitação em Marvila, Carlos Moedas revelou que acorda com o problema da falta de casas no pensamento, anunciando que o Vale de Santo António e Vale de Chelas vão mesmo avançar. A secretário de Estado da Habitação, Patrícia Alves Costa, referiu que o Governo fez das autarquias “soldados armados” da política pública habitacional e revelou que há 10 mil milhões de euros para os municípios continuarem a concretizar os seus projetos de habitação.
Câmara de Lisboa entregou hoje, dia 6 de outubro, as primeiras 60 chaves de 132 habitações de renda acessível em Marvila. Trata-se de dois edifícios de habitação, construídos na Rua Ferreira de Castro, no Bairro da Flamenga, com um total de 132 fogos de tipologias entre T0 e T4.
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, presidiu à cerimónia de entrega de chaves, no âmbito do Programa Renda Acessível, de um novo edifício de habitação na Rua Ferreira de Castro, no Bairro da Flamenga, na freguesia de Marvila.
O Edifício B, com seis pisos acima do solo, dispõe de 60 frações, de tipologias T0 a T4. O piso térreo integra áreas comuns e técnicas, bem como espaços destinados a comércio e serviços. No exterior foi requalificado o espaço público envolvente, incluindo as áreas verdes, com a criação de zonas lúdicas e a integração da rede ciclável prevista para o bairro. A intervenção contempla ainda estacionamento com capacidade para 86 lugares.
A empreitada, da responsabilidade da Lisboa SRU, representou um investimento de cerca de 15 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Habitação norteia governação autárquica
Na cerimónia de entrega de chaves das primeiras 60 chaves de um total de 132 habitações de renda acessível contruídas na freguesia de Marvila, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, começou por manifestar “uma enorme alegria”, por ter escutado as “vozes de crianças” presentes na cerimónia, pelo que “é sempre motivo de grande alegria” constatar que aquelas crianças poderão ter um recomeço numa “casa digna”.
Reconhecendo que estava a falar com “o coração”, admitiu que, todos os dias, ao acordar “penso em habitação para as pessoas”, que “é a minha maior preocupação” enquanto autarca.
“Fico muito preocupado quando encontro pessoas na rua e me dizem que não têm casa. Há tempos fui abordado por um rapaz que, muito preocupado, me disse não ter casa. Perguntei se já se tinha candidatado e ele disse que não. Ajudámo-lo a preencher os papeis e o rapaz acabou por ter a sua casa”, contou.
O autarca sublinhou que o problema da habitação em Lisboa é de tal ordem de grandeza que “as pessoas não conseguem comportar as rendas”, sendo que “é nessas pessoas que penso todos os dias”.
Moedas reforçou que a equipa da habitação da CML “trabalha de corpo e alma” e “diariamente” para mitigar a falta de acesso das pessoas a um teto, sublinhando que a labuta de toda a sua “equipa fez mudar muito” o panorama da habitação pública na cidade.
“Já entregamos mais de 3 mil chaves de casas. Neste segundo mandato, foram quase 600. Sabemos que, quando se entrega uma chave, muda-se uma vida”, pois ter acesso a uma habitação representa “saúde” para quem a recebe, mas também um novo alento para enfrentar a vida. “Quando se tem casa, a pessoa sente-se mais forte. Se tiver que procurar por um emprego, sente-se mais confiante, porque a casa é base da confiança”.
Apesar de o presidente da Junta de Freguesia de Marvila, Joaquim Cerqueira de Brito (PS), não ter marcado presença na cerimónia, Carlos Moedas recordou que houve uma verdadeira confluência de vontades e um pacto de regime, que pôs as divergências partidárias “de lado”, para arranjar soluções para quem não tinha casa.
“A política é isso mesmo. É conseguir pôr as divergências para trás e ajudar a mudar a vida das pessoas. Em Marvila, fizermos muita coisa nestes últimos 5 anos: criámos um pavilhão gimnodesportivo, um centro de saúde e entregámos muitas casas às pessoas”.
Apelando à solidariedade comunitária, o autarca pediu aos moradores de Marvila que dessem um pouco de si ao outro. “Por isso, digo que hoje é um dia tão feliz. Queria que pensassem que este dia vai realmente mudar as vossas vidas e, com aquilo que têm, de que forma poderão ajudar a mudar a vida dos outros”, exortou, reiterando que é dever todo o cidadão “dar a mão aos outros”, pois só assim se consegue melhorar a vida da comunidade.
O edil lembrou que a CML “não vai parar” de levar a cabo a “missão” da construção de habitação pública na cidade de Lisboa, assumindo que a autarquia “vai desenvolver mais de 2500 habitações no Vale de Santo António e mais de 2500 no Vale de Chelas”, mas recordou que esses projetos irão necessitar de um pacto de regime, pondo as “(divergências) políticas de lado” e que “conta com todos”, designadamente “o setor privado, o público, as pessoas”, exortando à união de “todos” pelo bem comum.
Autarquias convertidas “em soldados armados” da habitação
Considerando a cerimónia como “um momento verdadeiramente solene”, a secretária de Estado da Habitação, Patrícia Alves Costa, por seu turno, congratulou o Município por possibilitar que “mais de 50 famílias lisboetas” pudessem ter acesso a uma casa.
Porém, a governante salientou o trabalho nos bastidores e no terreno de “toda uma equipa que trabalhou imenso para que hoje estivéssemos aqui”, destacando que os 34 milhões da investidos pela autarquia (com finamento do PRR) resultaram em “mais bem comum para os cidadãos”.
Dirigindo o discurso para os novos moradores, Patrícia Alves Costa referiu que “há todo um trabalho que aqui começa hoje”, recordando que, agora, os moradores deverão ser os guardiães do bem público, cuidando “das casas, do bairro, dos espaços públicos” para que estes bens “perdurem no tempo”.
“Cuidem das vossas casas, cuidem do vosso projeto de vida, cuidem de todas as dimensões da vossa vida, para que, um dia, estas casas passem para outras famílias” necessitadas.
Segundo a secretária de Estado, este Governo fez das autarquias autênticos “soldados armados” da política pública habitacional, estando o Governo focado “na oferta de mais habitação pública”, pondo ao dispor das autarquias “todas as ferramentas necessárias” para que a causa pública da habitação ganhe um novo fulgor.
Para a governante, o Município de Lisboa “foi o concelho português que mais contribuiu para a concretização da oferta pública” tendo apresentado mais de 198 candidaturas, traduzidas em “mais de 10 habitações candidatadas, das quais 7300 já foram entregues”.
Apesar do PRR já estar fechado, Patrícia Alves Costa assegurou que o Governo vai dar continuidade ao investimento em habitação pública. “Há mais habitação para Lisboa e para o resto do país. O Governo já acautelou, em regime de exceção, tudo aquilo que não foi concretizado no PRR”, revelando que o Governo tem “10 mil milhões de euros para os municípios continuarem a concretizar os seus projetos de habitação.








