Parceria Ibérica dá nova luz ao edifício do Município de Lisboa

No âmbito da inauguração da nova iluminação da fachada dos Paços do Concelho de Lisboa, Carlos Moedas declarou-se um iberista convicto, elogiando as relações históricas entre Portugal e Espanha. O administrador da Iberdrola retribuiu o apreço, afirmando que a hidroelétrica espanhola está apostada em garantir a segurança energética em Portugal.

Foi inaugurada a nova iluminação da fachada principal dos Paços do Concelho de Lisboa, uma intervenção desenvolvida pela Fundação Iberdrola, em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa.

A iluminação valoriza um dos edifícios mais emblemáticos da cidade e um dos seus espaços institucionais mais representativos. Dá especial destaque à varanda de onde foi proclamada a República, a 5 de outubro de 1910.

A nova iluminação, inaugurada pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e pelo presidente da Fundação Iberdrola Espanha, Jaime Alfonsín, integra as comemorações do 125.º aniversário da Iberdrola e reflete o compromisso conjunto com a preservação do património, através de soluções inovadoras que aliam sustentabilidade e eficiência energética.

Segundo a autarquia, a intervenção na fachada exterior dos Paços do Concelho combina tecnologia de última geração com uma solução pensada para respeitar o valor histórico e arquitetónico do edifício. Foram instalados 40 projetores e 67 metros de fita LED na fachada principal, com uma potência total de 3.060 W.

O resultado é uma imagem noturna elegante, adequada ao carácter institucional do edifício. O sistema permite ainda variar cores e efeitos de luz, para assinalar celebrações e datas especiais.

Ainda que os trabalhos se tenham concentrado na fachada principal, situada no lado nascente da Praça do Município, foram também instalados alguns elementos em edifícios vizinhos. Os Paços do Concelho, de estilo neoclássico, são património municipal e situam-se nas zonas protegidas da Baixa Pombalina e do Castelo de São Jorge.

Moedas realça amizade ibérica

Na cerimónia da inauguração, Carlos Moedas, que falou em castelhano para que o administrador espanhol e sua comitiva “se sentissem em casa”, começou por destacar que o edifício da Câmara de Lisboa “é um dos mais bonitos do país” e tem um simbolismo histórico muito caro à democracia, salientando que foi nos Paços do Concelho que se fundou a República Portuguesa (5 de outubro de 1910).

“Esta sala representa a história do nosso país. Nesse canto, temos aqui uma história curiosa. Temos o retrato de Duarte Pacheco Pereira, uma história que os próprios portugueses desconhecem. Chegou ao Brasil em 1498, dois anos antes da proclamação oficial da descoberta. Porque os portugueses não queriam que os espanhóis soubessem que já tinham aportado ao Brasil. Por essa razão, Pacheco Pereira não ficou na história de Portugal, mas ficou na história da cidade de Lisboa”.

Depois do apontamento histórico, Carlos Moedas salientou que as boas relações com o país vizinho fazem parte do seu ADN político, realçando ser assumido defensor dos “valores ibéricos”.

Carlos Moedas realçou o trabalho desenvolvido pela Iberdrola, uma empresa que considerou “tão portuguesa como as portuguesas”, registando que foi o primeiro presidente de Câmara de Lisboa a “ter um alcaide espanhol na tomada de posse (José Luiz Almeida, do PP)”, brincando que foi “obrigado” a pagar um jantar do autarca com o futebolista Futre, pelo facto do antigo craque — começou a carreira no Sporting, foi campeão europeu pelo FCP e elevado a deus da bola no Atlético de Madrid — ser “o ídolo” do autarca espanhol.

E aproveitou para revelar que “não tem qualquer problema” em iluminar a Câmara “com as cores da bandeira espanhola”, à semelhança da utilização cromática com a bandeira portuguesa.

Moedas sublinhou ser um entusiasta das parcerias “com os privados”, ao contrário de políticos de outros quadrantes ideológicos.

Conforme descreveu o autarca, a nova iluminação do edifício-sede da Câmara “era um sonho muito antigo”, mas nunca concretizado.

“O que hoje nos une é o valor da cultura, da sustentabilidade”, num projeto “muito sustentável, e isso é muito importante”, acrescentou Carlos Moedas.

História “partilhada”

Por seu turno, a administrador espanhol destacou a “história partilhada entre a Iberdola e Portugal”, numa relação baseada na “inovação, sustentabilidade e no gerar do progresso social”.

Para o administrador, Portugal “é um mercado fundamental” para a hidroelétrica do país vizinho. Com presença no mercado luso há 25 anos, investiu cerca de 2,5 mil milhões de euros, fornecendo hoje energia “a centenas de milhares de pessoas”.

Jaime Alfonsín sublinhou ainda que a companhia espanhola não vai tirar o pé do acelerador no mercado do lado de cá da fronteira, comprometendo-se a “crescer em Portugal”, contribuindo, desta forma, para “impulsionar a segurança energética em Portugal, a competitividade, o crescimento industrial e a redução de emissões através da eletrificação da rede”.

A iluminação está organizada em três níveis: térreo, intermédio e cobertura, e combina uma iluminação permanente com “soluções que permitem criar diferentes cenários de cor” na varanda principal, adaptáveis a acontecimentos e iniciativas de especial relevância.

A varanda poderá, por exemplo, poderá apresentar diferentes combinações cromáticas, permitindo a criação de bandeiras tricolores ou outros elementos associados a determinados eventos ou causas, reforçando a capacidade dos Paços do Concelho de assinalarem “momentos relevantes para Lisboa e para a comunidade”.

A iniciativa integra o acordo de colaboração entre a Fundação Iberdrola e o Município de Lisboa, celebrado em 2023, que permitiu desenvolver um projeto específico para a valorização noturna deste edifício histórico.

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