Depois do tempo real, os transportes na região de Lisboa já têm um planeador de viagens, incorporando uma nova numa app no passe navegante. O planeador navegante já está disponível e permite consultar percursos, alternativas e condições de circulação em tempo real. O presidente da TML ambiciona que esta funcionalidade extravase as fronteiras da área metropolitana de Lisboa, mas reclama mais investimento para se criar uma verdadeira rede de transportes nacional, em que um único passe funcione em todas as regiões do país.
A Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) lançou o Planeador navegante, uma nova funcionalidade da app navegante que permite pesquisar percursos entre uma origem e um destino na Área Metropolitana de Lisboa. A ferramenta recorre à informação de mobilidade disponível no sistema, incluindo dados em tempo real.
Na cerimónia de lançamento desta nova funcionalidade do navegante, realizada no dia 13 de outubro, em Lisboa, o presidente dos Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML), Carlos Humberto de Carvalho, sublinhou ser objetivo que o passageiro tenha resposta em tempo real para uma questão simples, mas que faz toda a diferença: “Como chego ao meu destino”, da forma mais célere e prática.
“O utilizador quer saber a forma de chegar a seu destino. Não pensa qual o operador, pensa na viagem que tem de fazer” para chegar ao ponto requerido. “Necessitamos de adaptar a informação à viagem e não o contrário”, tornando a viagem num processo “mais simples”, prático e que dá respostas imediatas sobre os melhores percursos ou aqueles que implicam menor número de transbordos.
O lançamento surge depois de, em junho, a TML ter disponibilizado na app navegante a consulta da circulação dos transportes em tempo real. Com o novo planeador, essa informação passa a ser utilizada também para ajudar os passageiros a organizar as suas deslocações, apresentando opções de percurso e tendo em conta as condições efetivas de circulação.
Ao contrário de soluções que dependem de plataformas de planeamento de fornecedores externos, o planeador navegante é apresentado como uma solução nacional, construída a partir da informação integrada do sistema de transportes e orientada para as necessidades da Área Metropolitana de Lisboa.
O funcionamento é simples: o passageiro indica o ponto de partida e o destino e consulta as alternativas de percurso disponíveis. A presença de informação em tempo real permite considerar o estado efetivo da circulação, o que pode apoiar decisões antes e durante a viagem.
Serviço disponível em toda a AML
Numa área metropolitana onde uma deslocação pode envolver vários operadores, serviços e etapas, a ferramenta procura tratar a viagem como um todo, evitando que o utilizador tenha de procurar informação separadamente para cada serviço.
Para o responsável, o passageiro “não tem a obrigação de saber quais os operadores que trabalham nos locais onde esteja”, pelo que esta nova aplicação “simplifica todo o processo de deslocação” dos passageiros da AML.
Carlos Humberto de Carvalho explicou que o projeto nasceu da plataforma Go, e foi inteiramente desenvolvido pela equipa da TML, que em feito um trabalho de bastidores, apoiando o planeamento, a gestão operacional e a monitorização dos transportes públicos.
“É uma plataforma que permite a gestão interna da operação”, resume o presidente da TML, mas também “permite que as pessoas acompanhem o resultado” de tudo isto.
Foi com base nas ferramentas da plataforma Go que a TML disponibilizou esta nova aplicação (app) navegante. Juntando à possibilidade de consultar em tempo real onde se encontram a generalidade dos transportes da AML.
Carlos Humberto de Carvalho resume as funcionalidades da aplicação com uma explicação prática: “A pessoa diz ‘eu estou aqui, gostava de ir em transportes públicos para ali’” e o planeador mostrará “quais são os transportes que tenho de tomar, como é que articulo a minha viagem com os vários modos de transporte”.
O presidente da TML sublinhou ainda que a nova funcionalidade vai incluir os serviços da Carris Metropolitana (administrada pela TML), Carris, MobiCascais, CP, Fertagus, Transtejo/Soflusa, Metropolitano de Lisboa, TCB (Transportes Coletivos do Barreiro) e Metro Transportes do Sul (Almada e Seixal).
Mas lembrou que é objetivo “ampliar” esta intervenção a outras áreas do país. O líder da TML diz que está disponível para fazer chegar a plataforma Go a outras entidades, nomeadamente à cidade do Porto. Carlos Humberto de Carvalho afirma disponibilidade para “trabalharmos com esta plataforma com outras entidades, CIM (comunidades intermunicipais, que podem gerir redes de transportes), a Área Metropolitana do Porto” ou “com o próprio Governo” – onde o passe navegante também funcionasse na cidade Invicta ou vice-versa, isto é, o passe andante fosse validado na cidade de Lisboa.
Contudo, o administrador disse que esta ampliação do sistema da AML a toda a rede de transportes do país, necessita de “mais investimento” governamental para ser efetivada.
Paralelamente, o administrador salienta que esta funcionalidade poderá melhorar efetivamente a “qualidade vida das pessoas”, uma vez que pode facilitar as visitas de todos os equipamentos culturais da AML. “O planeador de viagens permite que as pessoas tenham mais tempo para elas”, para visitarem museus, irem ao cinema, concertos, entre muitos outros acontecimentos culturais, sem terem de se preocupar com a condução ou com arranjar um lugar para estacionar.
Simplificação e barreiras derrubadas
Em representação da secretária de Estado dos Transportes, usou da palavra seu chefe de gabinete, Pedro Duarte Silva. O responsável considerou que esta nova funcionalidade “é exemplo” da forma como a digitalização impacta diretamente e melhora a “vida das pessoas”.
“Por cada etapa que simplificamos, é mais uma barreira que removemos da vida das pessoas”, asseverou, considerando que esta nova funcionalidade do navegante “devolve tempo às pessoas, às famílias, permitindo que sejam donas do seu tempo”.
Pedro Duarte Silva salientou que o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela TML traduz as pequenas vitórias de “um modelo descentralizado, mas que já está maduro”.
Sem responder diretamente ao pedido de “mais investimento” no sistema de transporte coletivo do país, o representante do Governo admitiu que os “esforços” governamentais feitos no setor, “aumentaram a quota de transporte público em mais de 10%”, defendo que, em 2026, o transporte metropolitano “cresceu 3%”, um aumento que se traduz em mais passageiros, mas também no “aumento das responsabilidades” para os operadores e os sistemas de transportes de cada área urbana.









