CLUBE ATLÉTICO E RECREATIVO DO CARAMÃO GANHA NOVA VIDA COM NOVA DIREÇÃO

“Depois da tempestade, vem a bonança” é um ditado náutico, que expressa a ideia que depois de um período conturbado e agitado vem a calmaria e, estabelecendo um paralelismo com o mundo do associativismo, podemos dizer que o Clube Atlético e Recreativo do Caramão da Ajuda, fundado em 3/11/1963, conseguiu atravessar, ao fim de 20 anos praticamente inativo, as águas tumultuosas do «mar associativo» e, finalmente, navegar em «mar chão».

Depois da grande tempestade, que representaram esses 20 anos, a atual direção do Clube Atlético e Recreativo do Caramão, recentemente nomeada, está cheia de planos para o futuro, pretendendo implementar, a curto prazo, um conjunto de atividades que reativem esse clube histórico da Ajuda.

Ao fim de duas dezenas de anos a serem geridos por comissões administrativas, os sócios do clube decidiram pôr termo a «esse estado de coisas» e nomear uma direção com capacidade para «projetar o clube para o século XXI. Mas, como em tudo na vida, não foi uma tarefa fácil. Ninguém se disponibilizava. Finalmente, depois de uma grande vaga de fundo, surgiram os atuais dirigentes que, de imediato, «puseram a mão na massa» e pretendem «levar este barco a bom porto».

Após ter resolvido as «guerras» com a Associação Jasmim, que ocupava parte das instalações do clube, a atual direção, presidida por Fernando Lopes, esta apostada em dar nova vida a este clube de bairro, fundado e construído pelos moradores na década 60 do século passado, mais propriamente a 3 de novembro de 1963, e que foi campeão nacional de futebol da 2ª divisão na época de 1966/1967.

Na altura, ao contrário do que sucede hoje, o Caramão da Ajuda era um bairro social habitado por gente pobre, sem nenhumas infraestruturas recreativas, culturais ou desportivas. Para colmatar essa falha, um grupo de moradores decidiu fundar o clube para desenvolverem atividades de lazer e desporto junto da comunidade. Imbuídos do espirito de amor à camisola, os atuais dirigentes pretendem retomar o «espírito de missão» dos fundadores e, por isso, dão ao clube «todo o tempinho que têm disponíveis». Só assim, na perspetiva deles, se pode «tirar» o clube da «inércia» em que «esteve atolado» nas duas últimas décadas.

Neste momento, já tem projetos concretos em desenvolvimento, nomeadamente em termos de futsal, onde já existe uma equipa sénior, e preveem, a curto/médio prazo, criarem uma equipa de Benjamins. Atualmente, estão a desenvolver, em colaboração com a Santa Casa da Misericórdia, junta de freguesia da Ajuda e com a Câmara Municipal de Lisboa, o programa  Lisboa +55 que promove «o envelhecimento ativo» junto dos mais velhos, tendo previsto «começar, no próximo mês, com aulas de dança (Zumba).


Consolidar e solidificar são as duas palavras-chaves dos atuais dirigentes, que contam na sua direção com o sócio nº1 do Clube, Fernando Costa (presidente do Conselho Fiscal), para explicarem a dinâmica de desenvolvimento desportivo, cultural e recreativa que querem imprimir na gestão desta instituição, tendo, inclusivamente, já inaugurado um espaço para crianças «se entreterem», enquanto os pais realizam atividades.

Dentro dos seus planos está a criação de um clube de Orientação e Geolocalização, que vai ter a sua «primeira ação de orientação no próximo dia 6 de março, em Monsanto». Um outro projeto em carteira prende-se com a criação de um espaço museológico para «guardar» o vasto espólio do clube.

Segundo a atual direção, eleita a 24 de outubro e que entrou em funções no dia 21 de dezembro de 2021, o seu principal objetivo, neste instante, «é consolidar as finanças e investir no clube, nomeadamente na recuperação das instalações», acrescentando: «sempre fomos um clube independente e queremos ser nós a investir e a dar continuidade ao nosso trabalho», afiançam os membros da direção que é ainda constituída por: Mónica Robalo, antiga jogadora de andebol do clube; a secretária de direção Elsa, licenciada em Recurso Humanos; Pilar Antunes, reformada; e tem como vice-presidente Vítor Martinho e a socióloga Emília Raimundo como presidente da Mesa da Assembleia Geral

Herança pesada

Mas, para chegarem a esta «calmaria» e projetarem «canais de desenvolvimento», a pensar no futuro, a atual direção do Clube Atlético e Recreativo do Caramão passou as «passas o Algarve». Quando chegou encontrou parte das suas instalações ocupadas pela Associação Casa Jasmim (entidade de solidariedade social). Apesar das várias tentativas para «chegarem a um acordo, as duas instituições não se entenderam e a Casa Jasmim acabou por desocupar as instalações», revelou o presidente da Junta de Freguesia da Ajuda, Jorge Manuel Marques.

A atual direção, segundo adianta o seu presidente, ainda tentou celebrar um protocolo com a Casa Jasmim, o que foi recusado por essa instituição de solidariedade social por alegadamente não poder realizar a sua atividade nos horários e dias que lhes eram concedidos. Após várias tentativas, as duas entidades não conseguiram chegar a uma plataforma de entendimento.

O presidente da Junta de Freguesia, apesar de lamentar que a Jasmim tenha saído do Caramão, realça que «o Clube tem a sua direção, legalmente eleita, e tem o direito a reorganizar-se e encontrar os meios para desenvolver as suas atividades».

Apesar de tudo, é intenção do autarca continuar a apoiar as duas instituições. «Ambas fazem parte da vida da freguesia. O Atlético Recreativo do Caramão é um histórico clube da freguesia que merece o nosso apoio. E a Jasmim também merece o nosso apoio pelo trabalho de solidariedade social que realiza», conclui Jorge Manuel Marques.

 

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