OBRAS NA FRENTE ATLÂNTICA DE ALMADA HOMENAGEIAM PESCADORES

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Começou ontem a requalificação da rua mais emblemáticas da Costa da Caparica, a Rua dos Pescadores. Inês Medeiros, que presidiu ao início simbólico da intervenção, falou ainda sobre a requalificação do largo de Cacilhas e a musealização das Salgas Romanas.

A icónica Rua dos Pescadores na Costa da Caparica vai ser totalmente remodelada e, como afirma a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, este projeto de requalificação, que vai demorar cerca de cinco meses, vai «dar à Rua a dignidade e importância que esta artéria tem na história da Costa da Caparica».

Inês de Medeiros, que está apostada em dar «uma nova imagem à frente Atlântica de Almada», que chega até Cacilhas, considera que esta «é uma singela homenagem à comunidade piscatória do concelho, homens e mulheres que contribuíram para ‘a construção’ histórica de Almada».

A obra vai requerer um investimento de cerca de 644 mil euros e inclui a colocação de mobiliário urbano e árvores ao longo da rua para criar zonas de sombra, troca do pavimento atual por lajetas de betão pretas e brancas, mais resistentes e fáceis de manter, colocação de novos elementos de iluminação e, como forma de lembrar a história da Costa da Caparica, será também criado um pórtico em memória da Coroa (casa onde se reuniam os pescadores).

Segundo Inês Medeiros, o objetivo desta obra «é devolver a identidade e dignidade a esta emblemática rua do concelho e, ao mesmo tempo, homenagear as pessoas, designadamente os pescadores, que ajudaram a criar a Costa».

Além da colocação de novos elementos de mobiliário urbano e a plantação de árvores, criando zonas de ensombramento ao longo da rua, o projeto inclui a criação de um pórtico em memória da Coroa, que ali existiu outrora, aludindo à vivência histórica da Costa da Caparica.





Até ao final do primeiro trimestre de 2021 a intervenção será terminada, permitindo assim que a partir da primavera de 2021 uma nova realidade seja experienciada por todos os utilizadores desta rua, tão popular pela sua ligação entre o centro da cidade e a praia, as suas gelatarias e a sua diversidade e capacidade de integrar todos.

Na perspetiva de Inês Medeiros e de José Ricardo, presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica, «vai ser devolvido às pessoas, o comércio vai recuar os expositores e as esplanadas, vão ser plantadas árvores e colocados bancos, com a intenção de restituir a identidade a esta rua histórica».

Do ponto de vista do presidente da Junta de Freguesia, esta requalificação «vai criar uma nova dinâmica comercial e turística à Costa da Caparica», lembrando que «a harmonização do espaço publico vai permitir também a pedonalização de toda a zona, começando na rua 25 de Abril e a terminar na frente atlântica»

A Rua dos Pescadores é, desde 1700, a artéria principal da Costa da Caparica. Ali se juntavam aos sábados os pescadores para dividir «o quinhão das artes». Posteriormente, além de ser um polo de agregação económico – a maioria do comércio está ali concentrado, teve também entre 1960-1980 o «condão» de dividir o estrato social da Costa a Norte e a Sul, aquando do crescimento da zona, tendo sido «sempre um espaço de ligação entre o interior da cidade e o mar. A maioria que ali chega através dos transportes públicos desagua na Praça da Liberdade, no centro, e sobe a Rua dos Pescadores para alcançar a frente urbana de praias», recorda José Ricardo.

De acordo com Inês de Medeiros, será criado um cordão de cinco metros entre as duas margens da rua, para que as pessoas possam andar à vontade, sem necessidade de se desviarem de barreiras arquitetónicas. Para o efeito, vai haver uma reorganização do espaço público, uniformizando o comércio, tanto no que diz respeito à volumetria como às cores: preto e branco. As esplanadas vão manter-se, mas os «operadores» apenas poderão optar por três modelos, nenhum deles de plástico. Irá privilegiar-se o metal e a verga, à imagem das esplanadas mais antigas.

Requalificação do Largo de Cacilhas

A presidente da Câmara de Almada pronunciou-se ainda sobre a empreitada de obra pública Cacilhas-Tejo – Visualização das Salgas Romanas e Qualificação do Circuito Turístico do Tejo, que representam um investimento no valor de 2,5 milhões de euros que deverá está concretizado até ao final do verão de 2021.

Segundo Inês de Medeiros, esta requalificação urbana pretende introduzir uma nova lógica na organização da rede viária e de fluxos pedonais, contribuindo para a utilização segura e cómoda dos transportes públicos, valorizando a fruição do rio Tejo e das paisagens panorâmicas, desde a baía do Seixal ao perfil recortado pelos casarios de Lisboa, potenciando a dinamização da economia local.

Para Inês de Medeiros, em Cacilhas vão «ser criados grandes espaços abertos para o rio, permitindo aos residentes e visitantes terem ‘um novo olhar’ desta frente ribeirinha».

A intervenção abrange o Largo de Cacilhas e os espaços delimitados pelos edifícios particulares e os edifícios das estações terminais fluvial e de MST, incluindo ainda o primeiro troço da Av. Aliança Povo M.F.A., compreendido entre o Largo e a rotunda no final da Av. 25 de Abril.

O projeto contempla a execução de novos pavimentos rodoviários e viários, novas ligações para as infraestruturas de iluminação pública, abastecimento de águas, combate a incêndios, drenagens pluviais e domésticas, equipamentos, mobiliário urbano, deslocalização do quiosque e das instalações sanitárias públicas e a redefinição de um novo paisagismo.

Além da reconfiguração da rotunda para se adaptar ao novo sentido de circulação, está prevista a modelação dos passeios e espaços de permanência com pendentes suaves e ligações entre planos, através de rampas muito discretas. Os revestimentos de passeios e espaços de permanência privilegiarão a acessibilidade para todos, sendo também otimizados os recursos no que diz respeito à iluminação pública, assim como aos materiais e ao equipamento previstos com vista à redução do desperdício.

Musealização das Salgas Romanas

Por outro lado, Inês de Medeiros anunciou a musealização das Cetárias (tanques) Romanas, colocando a descoberto parte do núcleo arqueológico de Cetárias da Fábrica Romana de Salgas de Cacilhas, através da criação de dois poços que permitam a leitura (devidamente protegida) de dois conjuntos de cetárias existentes e da sua estrutura, e a sinalização das restantes cetárias existentes.

Construída e utilizada entre o século I a. C. e o século I d. C., esta fábrica romana destinava-se à salga de peixe junto ao estuário do rio Tejo. Descoberta em 1981, a Fábrica Romana das Salgas de Cacilhas foi classificada como Imóvel de Interesse Público em 1992.

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