Alfama vence as Marchas Populares de Lisboa 2026

Oito anos depois, a Marcha de Alfama é a grande vencedora do concurso das Marchas Populares de Lisboa de 2026. Sob o tema ‘Somos Lisboa, Somos Europa’, 23 marchas desfilaram na Avenida da Liberdade. Em segundo lugar ficou a Marcha de Alcântara e em terceiro a Marcha da Madragoa.

Na noite de Santo António, a Marcha de Alfama sagrou-se a grande vencedora das Marchas Populares de Lisboa de 2026, com o tema ‘Os Santos devem estar loucos’, que retrata as mudanças que se vão sentindo nas ruas e no bairro, mas onde ainda se vive a tradição da Marcha. Organizada pelo Centro Cultural Dr. Magalhães Lima, a Marcha de Alfama tem como responsável João Ramos e Vanessa Rocha como ensaiadora. Nuno Lopes é o figurinista e cenógrafo e os padrinhos são a cantora Aurea e o estilista Paulo Battista. Os mascotes são Matilde Santos Almeida e Gonçalo de Lima Cruz. ‘Os santos devem estar loucos’, com letra de Maria do Rosário Pedreira e música e arranjos de Carlos Dionísio é a primeira marcha apresentada.

A segunda marcha inédita é ‘As Portas do Magalhães’, com letra de Maria do Rosário Pedreira e música e arranjos de Lino Guerreiro. A terceira marcha apresentada foi ‘Toma lá beijinhos’, com letra de Carlos Mendonça, música de Toy e arranjos de Carlos Dionísio. O segundo lugar foi para a Marcha de Alcântara, organizada pela Sociedade Filarmónica Alunos Esperança e tem Francisco Ferreira como responsável. O porta-estandarte é Marcos Nunes e os ensaiadores Mafalda Matos e Vítor Kpez. Renato Godinho é o responsável pela cenografia e pelos figurinos. Os padrinhos são os radialistas Joana Cruz e Rodrigo Gomes e os mascotes Alice Oliveira e Simão Zambujo.

Madragoa conquista o terceiro lugar

Os temas apresentados são ‘A Moda de Alcântara, com letra de David Ferreira e Jorge Ramos, música de Nuno Feist e Pedro Granger e arranjos de Nuno Feist; e ‘Ser Alcantarense, como nós!’, com letra de David Ferreira e Jorge Ramos, música e arranjos de Carlos Dionísio. O terceiro tema apresentado é ‘Alcântara somos todos nós’, com letra de David Ferreira e Jorge Ramos e música e arranjos de João Aborim. A fechar o pódio, a Marcha da Madragoa, com o ‘Canto da Madragoa’, onde as vozes se unem, se cruzam, misturam-se, até se tornarem uma só.

A Marcha da Madragoa é organizada pelo Esperança Atlético Clube e tem como responsável Nuno Soares. O porta-estandarte é João Rita e o ensaiador e cenógrafo João Medeiros. Medeiros é também um dos figurinistas da Madragoa, a par com Fauze El Kadre. Os padrinhos são Ana Garcia Martins e Hélder Tavares e os mascotes Cataleya Coelho e Lourenço Dias. Os temas inéditos apresentados são ‘O Canto da Madragoa’ e ‘Eu Sou da Madragoa’, com letra de João Medeiros e Mariana Peres e música e arranjos de José Condinho. O terceiro tema apresentado foi ‘Nova Marcha da Madragoa 1947’, com letra de Joaquim Frederico de Brito e música de Joaquim Frederico de Brito e Raúl Ferrão. Depois da Madragoa, entra a Marcha do Castelo, com ‘Sombras do passado, reflexos do futuro’, que conta a esperança de um povo que não esquece e que nunca deixa de sonhar.

Categorias especiais

Nas categorias especiais, destacaram-se as Marchas de Alfama e Madragoa na Melhor Coreografia, e a Marcha de Alcântara na Melhor Cenografia. O Melhor Figurino foi atribuído às Marchas de Alcântara e da Bica. Alcântara levou ainda o troféu de Melhor Letra, juntamente com Alfama, Graça e Olivais. Já a Melhor Musicalidade foi para as Marchas do Alto do Pina e Alfama. ‘Os Santos devem estar loucos’, da Marcha de Alfama; ‘Na Graça o 13 é sorte’, da Marcha da Graça; e ‘À moda de Alcântara’, Marcha de Alcântara, levam o prémio de Melhor Composição Original.

Por fim, o Melhor Desfile na Avenida foi atribuído à Marcha de Alfama. O desfile das Marchas Populares começou com a Dança do Dragão e dos Leões Dourados, promovida pela Associação Geral Desportiva de Macau Lo Leong. Esta marcha é uma tradição folclórica chinesa de longa data, passada de geração em geração, e está associada ao pedido de proteção e seguranças, simbolizando equilíbrio, harmonia e coragem. Desfilou ainda a Marcha Infantil das Escolas de Lisboa, um projeto promovido pela Câmara Municipal de Lisboa e junta jovens de várias escolas da cidade. Os padrinhos desta marcha, que apresentou o tema ’30 Anos da Marcha Infantil’, são a atriz Melânia Gomes e Rodrigo Mello Gonçalves, vereador com o pelouro da Educação da CML.

Três marchas extraconcurso e 20 em concurso

De seguida, iniciou-se o desfile d’A Voz do Operário, marcha organizada pela Sociedade de Instrução e Beneficiência ‘A Voz do Operário’, levou ao pavilhão o tema ‘Diversidade’, lembrando o valor de olhar para as diferenças como algo que nos une. A responsável e ensaiadora da marcha é Sofia Cruz, a porta-estandarte é Maria Borges e Nuno Lopes ficou responsável pelos figurinos e cenografia, juntamente com Pedro Passarinho. Os padrinhos são Joana Barrios e Filip Sambado. Os temas apresentados foram ‘Somos Diferentes’, com letra de Liliana Lima e música e arranjos de Carlos Alberto Moniz, e ainda ‘É bom, não é?’, de Ricardo Gonçalves Dias (letra), Carlos Alberto Vidal (música) e Miguel Castro (arranjos).

A terceira música apresentada foi a tradicional ‘Queremos um sol’, com letra de José Jorge Letria, música de Carlos Alberto Moniz – responsável também pelos arranjos -, e Braga Santos. A segunda marcha extraconcurso a descer a Avenida foi a Marcha dos Mercados, que já participa desde 2005. Com o tema ‘A Casa dos 24’, a marcha homenageia o órgão instituído em 1383 por D.João, Mestre de Avis, e que era composto por representantes das corporações de ofícios. A Marcha dos Mercados é organizada pela Associação dos Comerciantes dos Mercados de Lisboa e tem como responsável Jorge Nuno Sá. A porta-estandarte é Sofia Vala Rocha e a ensaiadora Vera Gromicho.

Marcha dos Mercados homenageou Anita Guerreiro

Sandro Canossa é o figurinista e cenógrafo e os padrinhos João de Carvalho e Célia do Carmo. Os mascotes são Benedita do Carmo, Lara Portela, Martim Cochinha, Rita Correia, Telmo Jorge Alfar e Valentim Lourenço. Os temas apresentados foram as marchas inéditas ’24 Mestres’ e ‘Maravilhos Mercado Novo’, com letra e música de Paulo Colaço e arranjos de Mauro Pombo. O último tema apresentado foi ‘É nos Mercados que Lisboa tem mais vida’, com letra de José Condeça e música e arranjos de Carlos Pinto. A Marcha dos Mercados fez ainda uma homenagem à malograda fadista Anita Guerreiro, a eterna voz de ‘Cheira Bem, Cheira a Lisboa’, e que foi madrinha desta marcha durante muitos anos.

A terminar as exibições das Marchas que não vão a concurso, entrou a Marcha da Santa Casa, que participa no concurso desde 2017. Este ano, apresentou o tema ‘Santa Casa em Lisboa anda à roda, e no país faz da sorte tradição‘, numa alusão aos Jogos promovidos por esta entidade, cuja roda da sorte traz a esperança para muitos. A Marcha da Santa Casa é promovida pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e tem Luna Marques como responsável. O porta-estandarte é Francisco Micaelo e Paulo Jesus o ensaiador. Nuno Lopes é o figurinista e cenógrafo e os padrinhos Liliana Santos e Pedro Crispim. Os temas inéditos apresentados são ‘Santa Casa é tradição’ e ‘Hoje anda à roda’, ambas com letra de Ricardo Gonçalves Dias e música e arranjos de Carlos Dionísio. A terceira marcha apresentada é ‘Marcha da Santa Casa’, com letra de Mário Rainho e música e arranjos de Carlos Dionísio.

“Marchas são a identidade de Lisboa”, considera Moedas

Antes do início dos desfiles das marchas a concurso, desceram ainda a Avenida os casais que, na tarde de 12 junho, oficializaram a sua relação nos Casamentos de Santo António. Neste evento, esteve também o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, que referiu ser um dia “de grandes emoções”, e que começaram com os “Casamentos de Santo António”. À RTP, o autarca disse ainda que “as marchas são a identidade e alma de um povo”.

“Lisboa é isto: é sentir esta alma, é vivê-la, é ter este povo que são todos e tem esta diversidade que é do mundo. Todos são lisboetas e, nos dias de hoje, o valor de união é cada vez mais importante”. “É uma emoção ver esta identidade lisboeta. Há qualquer coisa única nas nossas marchas, todos dizem isso, e este é um momento único para um presidente de câmara”, concluiu o autarca, que assistiu ao desfile na tribuna, ao lado da sua esposa, do Presidente da República, António José Seguro, e do Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, entre outras individualidades.

Marchas passaram ainda pelo MEO Arena

Todas as marchas a concurso foram avaliadas por um júri escolhido pela EGEAC/Lisboa Cultura que, em 2026, juntou Vítor Agostinho (presidente), Bruno Cochat (coreografia), Hélder Freire Costa (cenografia), José António Tenente (figurino), Maria Inês Almeida (letra), Osvaldo Ferreira (música) e Leonor Padinha (representante da EGEAC). Para além dos desfiles na Avenida, as avaliações também tiveram em conta as prestações no MEO Arena, que aconteceu entre os dias 29 e 31 de maio.

Classificação final do Concurso das Marchas Populares de Lisboa 2026:

1.º Marcha de Alfama
2.º Marcha de Alcântara
3.º Marcha da Madragoa
4.º Marcha da Graça
5.º Marcha do Bairro Alto
6.º Marcha do Beato e Marcha da Bica (ex-aequo)
8.º Marcha de Carnide e Marcha dos Olivais (ex-aequo)
10.º Marcha da Mouraria
11.º Marcha do Alto do Pina
12.º Marcha de Marvila e Marcha da Penha de França (ex-aequo)
14.º Marcha de Benfica
15.º Marcha de São Vicente
16.º Marcha de São Domingos de Benfica
17.º Marcha da Bela Flor Campolide
18.º Marcha do Bairro da Boavista e Marcha do Castelo (ex-aequo)
20.º Marcha da Ajuda

Classificações especiais  

Melhor Coreografia: Marcha de Alfama e Marcha da Madragoa
Melhor Cenografia: Marcha de Alcântara
Melhor Figurino: Marcha de Alcântara e Marcha da Bica
Melhor Letra: Marcha de Alcântara, Marcha de Alfama, Marcha da Graça e Marcha dos Olivais
Melhor Musicalidade: Marcha do Alto do Pina e Marcha de Alfama
Melhor Composição OriginalOs Santos devem estar loucos, Marcha de Alfama; Na Graça o 13 é sorte, Marcha da Graça; À moda de Alcântara, Marcha de Alcântara
Melhor Desfile na Avenida: Marcha de Alfama

Nr: Galeria de fotos em construção

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