Isaltino Morais considera que os parques de estacionamento servem para libertar espaço público para os peões

Foi hoje inaugurado pelo presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, um novo parque de estacionamento localizado na Estrada das Romeiras, em Algés, que terá capacidade acrescida para 144 lugares. O autarca aproveitou para explicar que é objetivo prosseguir com a reconfiguração do estacionamento na zona de Algés, onde já foram criados 1000 lugares de estacionamento. E anunciou que, ao abrigo desta mudança, está em curso o planeamento municipal que prevê eliminar todos os lugares de estacionamento na Avenida dos Bombeiros de Algés.   

O estacionamento das Romeiras é regulado e ficará integrado na Zona de Estacionamento de Duração Limitada (ZEDL) de Miraflores, com acesso livre e parquímetros. Os moradores das ruas envolventes terão acesso ao dístico de residente.

A reabilitação deste novo espaço contou também plantação de vários exemplares de espécies resilientes para diminuir o impacto do estacionamento como área descoberta, reduzindo o risco de se tornar uma ilha de calor.

Esta intervenção pretende melhorar a organização do estacionamento na zona, aumentar a oferta disponível e contribuir para uma mobilidade urbana mais eficiente em Algés.

Fomento do transporte coletivo

Para a presidente da Parques Tejo, Mara Duarte, este parque vai trazer um “novo ordenamento” do estacionamento, pondo termo ao “tempo em que os carros tomavam conta dos passeios e do espaço público”, dando, acima de tudo, “uma resposta para de estacionamento para os moradores da zona”, sendo, também, uma nova alternativa “para dar lugar à utilização dos transportes públicos”, umas vez que os moradores ficam com um lugar seguro para deixar os seus veículos e poderem optar por utilizar os transportes coletivos nas suas deslocações.

Mara Duarte sublinhou ainda a plantação de espécies “muito bem escolhidas” e o facto deste parque ter sido pensado de forma “ordenada e sustentável”, permitindo a permeabilização dos solos.

Explicação sobre a necessidade dos parques de estacionamento

O presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, começou por referir que a inauguração de um parque de estacionamento “é sempre um paradoxo”, porque as medidas de combate às alterações climáticas e ao investimento da descarbonização das cidades requerem tomadas de posição em favor do investimento no transporte público.

Porém, o país “deixou passar as últimas décadas sem investimento no transporte público”, e só agora, “há 3 ou 4 anos”, se estabeleceu um acordo entre os municípios da área metropolitana de Lisboa que definiu “um modelo de cooperação” entre todos para que a Carris Metropolitana “fosse uma realidade”. “É indiscutível que esta empresa melhorou consideravelmente a rede de transporte em Oeiras e na AML. O objetivo era dissuadir a utilização do automóvel, mas também de medidas que criassem obstáculos à permanência dos carros na rua”. Mas nas décadas de 70, 80, 90, era vulgar os governos e as autarquias “protegerem o automóvel”, eliminando passeios mais largos para os peões, optando por passeios mais estreitos para arranjar lugares de estacionamento para os veículos dos cidadãos. Com a massificação da compra dos automóveis, segundo o autarca, e a subida do poder de compra dos portugueses, as famílias passaram a ter “2, 3 ou 4 carros por família”, numa realidade urbana em que grande parte dos prédios atribuiu “um lugar de estacionamento na rua”, porque os edifícios de habitação mais antigos “não tinham garagens”, gerando um verdadeiro aglomerado de carros nas vias públicas.

Como resultado, a criação de parques de estacionamento, apesar de serem equipamentos de reconhecida regulação do espaço público, continua a ser um assunto não isento de polémicas e críticas “dos setores fundamentalistas”, porque alegam “que estamos a fomentar o uso do automóvel”.

Contudo, na realidade, “esta oferta de estacionamento é vital porque pode construir faseadamente a eliminação do automóvel das nossas ruas. Mas, primeiro, é preciso construímos lugares de estacionamento, porque, caso contrário, o caos urbano, com carros uns em cima dos outros, não vai possibilitar a libertação de espaço nas avenidas e das ruas”.

Isaltino Morais entende que o fomento da utilização de transportes públicos deve ser respaldado por políticas públicas que constituam alternativas para as pessoas deixarem os seus carros. Não obstante, “a mudança de hábitos das pessoas requer tempo” e adaptação paulatina “à mudança de mentalidades”, proporcionando “um transporte público de qualidade” que ajude a convencer os automobilistas mais empedernidos de que a alternativa traz mais comodidade.

“É preciso sensibilizar as pessoas para o uso do transporte público, mas não pode de ser forma brusca e violenta. Tem de se sensibilizar as pessoas para a vantagem da utilização do transporte público, mas é preciso que este corresponda a um maior conforto, maior segurança e também poupança, para convencer as pessoas a mudarem de hábitos de forma paulatina”.

O autarca aproveitou para reiterar que é seu objetivo “retirar todo o estacionamento da Avenida dos Bombeiros Voluntários de Algés”, mas, para que isso aconteça, “é previso haver alternativas”.

“Nos últimos 2,5 anos, nos espaços adjacentes ao longo da Avenida, construíram-se mais de 1000 lugares de estacionamento. É disso que estamos a falar. Ou seja, o Município tem vindo a fazer um esforço de alterar o panorama do estacionamento, mas esta mudança não pode ser ‘ad hoc’, o estacionamento é feito com um planeamento antecipado de 20 anos”.

A este propósito, Isaltino Morais anunciou que, com a vinda do LIOS e da construção do complexo desportivo do UDRA, toda a esta zona vai mudar. É nosso objetivo fazer com as pessoas que moram nas torres voltem a ter prazer em sair à rua e desfrutem no espaço público”.

Depois de explicar algumas das políticas municipais de regulação do espaço público, Isaltino Morais considerou que a inauguração do novo parque “é especial” porque “faz parte de uma política de planeamento” que está a ser levada a cabo na zona de Miraflores e Algés. “Esta zona tem de ser rendilhada com vários investimentos, como a vindo do LIOS, as obras da Ribeira de Algés”, obras que aguardam financiamento e que “terão de ser levadas a cabo praticamente em simultâneo”, não sendo “fácil” e exigindo um trabalho “muito complexo de engenharia e de planeamento financeiro muito complicado”.

O edil aproveitou para revelar que a obra foi construída com as verbas próprias da Parques Tejo, desmistificando que o objetivo desta empresa municipal “não é andar na caça à multa”, mas sim “regular o trânsito e o estacionamento”, reinvestindo o dinheiro angariado na tarifação em novos equipamentos que ajudem a melhorar a mobilidade no concelho.

 

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