O projeto “Praia Acessível – Praia para Todos” está de regresso à Praia de Santo Amaro de Oeiras, reforçando o compromisso do Município de Oeiras com a inclusão. Isaltino Morais considera que a iniciativa tem destacado Oeiras como território de inclusão social e no desmontar de preconceitos em relação às pessoas com deficiência.
O presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, assinalou hoje, dia 29 de junho, a abertura oficial da iniciativa “Praia Acessível – Praia para Todos”, que tem como objetivo garantir o acesso de pessoas com mobilidade condicionada à praia e aos banhos de mar, proporcionando um verão inesquecível para todos.
O serviço gratuito e, dotado de equipamentos adequados, encontra-se disponível, todos os dias, entre as 9h e as 18h, até 30 de setembro, na Praia de Santo Amaro de Oeiras, junto ao bar “O Amarelo”.
Desde 2005, o projeto a “Praia Acessível” tem proporcionado a pessoas com mobilidade condicionada o acesso aos benefícios lúdicos e terapêuticos do mar. Desenvolvido em parceria com a Associação Humanitária dos Bombeiros de Oeiras e a ProAtlântico – Associação Juvenil, esta iniciativa promove a inclusão social e a igualdade de oportunidades para todos.
Em declarações aos jornalistas, Isaltino Morais considerou que, todos anos, faz questão de marcar presença na abertura da iniciativa para assinalar o momento, que “assume um simbolismo especial” por se tratar “de uma medida de inclusão social das pessoas com deficiência, no sentido de poderem usufruir de um bem público, que é a praia, mas que, se não houver um mecanismo adequado, nem sempre é acessível a todos”.
“Este programa permite que os jovens tenham acesso à praia, mediante a utilização de uma cadeira anfíbia. Este ano, vamos ter uma nova modalidade, o windsurf adaptado. Este projeto já tem 20 anos e já entrou na rotina das políticas da Câmara Municipal. Estamos aqui presentes fundamentalmente para dar visibilidade a esta medida, porque é importante que esta prática exista em todas as áreas balneares”, que possibilita que as pessoas com deficiência possam usufrui do prazer proporcionado com a água do mar e contacto com a natureza.
“Apesar desta medida ser já uma rotina em Oeiras, é fundamental estarmos presentes num momento destes, que toda a gente vê proporciona uma alegria enorme aos deficientes”, sublinha o autarca.
O Município investe cerca de 60 mil euros com a iniciativa. Mas o presidente da CMO considera que o investimento “não é significativo para o impacto que tem”, até porque o impacto não está apenas diretamente relacionado com os beneficiários do programa. “Este projeto vem também combater o preconceito relativamente às pessoas com deficiência. Quem estiver na praia e não tiver qualquer problema de acessibilidade, assiste a esta iniciativa e comprova a alegria destas pessoas na água, não podem deixar de ficar mais sensibilizadas para esta problemática”, assinala.
Medidas “simples” que mudam vidas
Para o autarca, esta medida do Município de Oeiras faz parte de um pacote global de promoção de acessibilidade em edifícios, jardins, “tudo aquilo que tem a ver com a inclusão social destas pessoas”, pois, é através de “medidas que parecem simples”, que se conseguem atingir resultados globais na promoção de bem-estar geral para a toda a população.
Isaltino Morais considera que é através de práticas consistentes e continuadas, levadas a cabo durante vários anos, que se alcançam resultados. “Os resultados (de Oeiras) surgem porque há uma política continuada ao nível da educação, da saúde, da atividade física, da economia, entre outras. Uma medida resulta quanto mais for persistente e continuada, sem interrupções. E é isso que nós fazemos aqui em Oeiras. Esta medida já tem vários anos, mas continuamos a dar-lhe visibilidade como se fosse hoje inaugurada”.
A alegria do contacto com a natureza
Os utentes da Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa (APCL) inauguraram a iniciativa. As técnicas da instituição tentam convencer Ivalina a experienciar uma manhã de bodyboard, mas a jovem utente diz que quer apenas molhar os pés na água do oceano.
Diogo ainda está um pouco estremunhado, porque no dia anterior esteve no Rock in Rio, mas aceita aventurar-se e tentar subir para uma prancha, com a ajuda dos monitores, aguentando-se alguns minutos em cima do equipamento, mas cai na água. O monitor vai resgatá-lo a poucos metros. Diogo aproveita para nadar de costas, apoiando-se no peito de responsável, mexendo as pernas freneticamente, sorrindo muito e em sinal de total comunhão com o mar.
A diretora da APCL, Odete Nunes, reconhece que a vinda dos utentes da sua instituição até à praia de Santo Amaro “é sempre motivo de grande alegria”, revelando que todos os 52 utentes da APCL irão participar nesta iniciativa.
“Alguns deles vão à água, mas há outros que ficam só a desfrutar da paisagem. Depois de saíram daqui, ficam muito felizes e com as energias renovadas, porque a praia e o contacto com o oceano proporcionam sempre um pouco mais de saúde”.
O ano passado, o projeto “Praia Acessível – Praia para Todos” proporcionou a oportunidade de cerca de 3 mil utentes, com deficiência e/ou idosos, pudessem ter uma experiência de contacto com as maravilhas do oceano atlântico e uma jornada estival no concelho de Oeiras.
Durante este verão, prevê-se a participação do mesmo número de pessoas na iniciativa.









