Lisboa cumpre valor-limite na qualidade do ar

Os dados relativos a 2025 confirmam uma evolução positiva da qualidade do ar em Lisboa, com o cumprimento do valor-limite anual atualmente em vigor para o dióxido de azoto (NO₂) em todas as estações da Rede de Monitorização da Qualidade do Ar, segundo a leitura da Câmara Municipal de Lisboa. A associação ZERO e o Conselho Português para a Saúde e o Ambiente dizem que o cumprimento dos valores-limite não resultam especificamente de políticas públicas de promoção de medidas de melhoria da qualidade do ar.

 Para a Câmara Municipal de Lisboa, este resultado assume particular relevância na Avenida da Liberdade, tradicionalmente a localização com índices mais elevados de dióxido de azoto associados ao tráfego rodoviário. Em 2025, esta estação registou uma concentração média anual de 40 µg/m³, ficando abaixo do limite legal estabelecido.

O Município de Lisboa sustenta que, desde a crise provocada pela Covid-19, este é o primeiro ano em que Lisboa cumpre o valor-limite para NO₂ em todas as estações de monitorização, incluindo na Avenida da Liberdade. “Durante a pandemia, a redução da atividade económica e da circulação automóvel conduziu a uma diminuição excecional das emissões e das concentrações de poluentes atmosféricos”.

Na visão da Câmara Municipal de Lisboa, estes dados confirmam uma tendência de redução das concentrações de dióxido de azoto que tem vindo a verificar-se na região de Lisboa ao longo dos últimos anos, refletindo, entre outros fatores, a evolução tecnológica dos veículos, a renovação progressiva do parque automóvel e “os esforços desenvolvidos pelas entidades públicas, desde logo a Câmara Municipal de Lisboa, na melhoria da mobilidade e na redução das emissões”.

Para o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, “estes números confirmam que Lisboa está a fazer um trabalho sustentado e a melhorar a qualidade do ar. Registámos progressos assinaláveis nos últimos três anos e esta trajetória constituiu um incentivo adicional para continuarmos a investir numa mobilidade mais amiga do ambiente”, afirma, salientando, contudo, “os exigentes desafios que existem nos próximos anos” no que respeita à qualidade do ar.

“Os resultados alcançados mostram que Lisboa está a fazer um caminho consistente na melhoria da qualidade do ar. É um sinal encorajador que a autarquia enaltece no Dia Internacional do Ar Limpo, que hoje se assinala, e que nos dá ainda mais força para continuar a investir numa mobilidade mais sustentável e numa cidade mais saudável para todos”, diz, por sua vez, o vereador do ambiente, Vasco Anjos.

Avenida da Liberdade cumpre “mínimos”

Por seu turno, a associação ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável e o Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA) afirmaram que “os dados oficiais definitivos mais recentes, referentes a 2024 e disponíveis no sistema de informação da responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente, confirmam que o dióxido de azoto (NO₂) continua a ser um poluente crítico nas zonas urbanas”.

“Irrita as vias respiratórias, agrava doenças como a asma e está associado a maior risco de problemas respiratórios e cardiovasculares”, apontam, elencando os casos mais graves, em 2024, nas estações de medição “da Avenida da Liberdade, em Lisboa, e de Frei Bartolomeu Mártires, em Braga, onde a concentração média anual de NO₂ voltou a ultrapassar o valor-limite atual de 40 μg/m³[micrograma por metro cúbico]”.

Já em 2025, segundo dados provisórios, “a Avenida da Liberdade registou 40,3 μg/m³, cumprindo o limite apenas por efeito de arredondamento”, um resultado que as organizações atribuem “provavelmente a condições meteorológicas mais favoráveis, à dispersão de poluentes e à renovação do parque automóvel, e não a medidas de política pública especificamente destinadas a melhorar a qualidade do ar”.

A ZERO sustenta que a poluição do ar já é considerada o terceiro maior fator de risco para a mortalidade global, logo depois da poluição em geral e do tabagismo.

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