No dia 19 de novembro, o Município de Odivelas cumpre o seu 28º aniversário. Com esta breve revisão histórica, recordamos alguns dos episódios que já estão inscritos no ADN do jovem Município de Odivelas. Investigámos os arquivos históricos de vários jornais regionais para redescobrimos alguns dos momentos mais marcantes da história, da criação do Município e dos desenvolvimentos mais relevantes ocorridos ao longo destas quase 3 décadas de autonomia.
Segundo os arquivos municipais, o motor de arranque do desenvolvimento da região parece ter sido o Rei D. Dinis, ao decidir erguer, em Odivelas, um Mosteiro, onde uma plêiade de cultas freiras se fez ouvir para além das grades, quer pelos seus célebres Outeiros, quer pelos livros que escreveu, ou ainda atraindo, ao Mosteiro e às suas imediações, reis, príncipes e artistas.
É no Paço de Odivelas, em 1415, que D. Filipa de Lencastre, já no leito de morte, abençoa os três filhos mais velhos (D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique) que partem dali, a cavalo, em direção ao Restelo, onde embarcam para Ceuta. É no Convento que se representa pela primeira vez, em 1534, o “Auto da Cananeia”, de Gil Vicente, encomendado pela abadessa Violante, irmã de Pedro Álvares Cabral.
O Padre António Vieira fez um dos seus sermões no Convento de Odivelas, a 22 de junho de 1668. Almeida Garrett ocupa o preâmbulo da “Lírica de João Mínimo” com uma descrição de um passeio ao Convento, entrecortada por várias dissertações sobre poesia.
Um roubo na Igreja de Odivelas, a 11 de maio 1671, dá origem a um dos monumentos mais emblemáticos da região, o “Senhor Roubado”, e que levanta muitas pistas sobre a forte presença da Inquisição na região. António Ferreira, um pobre maltrapilho, acabaria por ser detido e entregue à Inquisição, confessando prontamente o crime. Acabou com os membros decepados e queimado numa fogueira.
No início do século XX, as terras de Odivelas eram procuradas pelos senhores de Lisboa para desfrutarem dos prazeres do verão, dos bons ares, mesas fartas (com alimentos produzidos nas quintas saloias), matando a sede com as afamadas águas de Caneças. É por essa altura que a vida municipal local começa a desenvolver-se. As freguesias de Odivelas e Pontinha fazem parte do Município de Belém, na altura em que este é presidido pelo escritor Alexandre Herculano. As duas freguesias passam, a integrar o Município dos Olivais em 1885. No ano seguinte, é instituído o Município de Loures, de que fazem parte algumas freguesias que hoje pertencem ao Concelho de Odivelas. Em 1915 é criada a freguesia de Caneças. Começa a surgir um outro tipo de desenvolvimento, já não assente na agricultura, mas na construção de bairros sociais em várias freguesias. A ligação por estrada a Lisboa, leva alguns grupos económicos a comprar na região grandes propriedades, enquanto a alta burguesia compra terrenos que transforma em quintas de férias.
É na Pontinha que, a 25 de Abril de 1974, se instala o Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas que instaurará um regime democrático em Portugal. Atualmente, este quartel integra um Núcleo Museológico, criado através de um protocolo estabelecido entre o Regimento de Engenharia N.º 1 e a então Comissão Instaladora do Município de Odivelas. Na região intensifica-se, a partir de então, o movimento de loteamento de terrenos que modificará profundamente a paisagem local. Nos 25 anos seguintes, aparecem 85 bairros clandestinos. Simultaneamente, com a falta de habitação a preços acessíveis em Lisboa, verifica-se uma explosão da construção civil, surgindo em todas as freguesias do concelho, grandes urbanizações que se traduzem numa subida relâmpago do número de habitantes, com formas de estar na vida diferentes e mais exigentes daquelas que tinham até aí os habitantes da região.
O poder político tenta responder a essas aspirações criando as freguesias da Pontinha (1984), de Olival Basto, da Ramada e de Famões (1989). A Póvoa de Santo Adrião passa a vila em 1986, Odivelas é elevada a cidade em 1990, a Pontinha sobe a vila (1991), o mesmo acontecendo ao Olival Basto em 1997.
A importância do MOC na criação do concelho
Também em 1997, um grupo de cidadãos proclama o seu Grito do Ipiranga. O Movimento Odivelas a Concelho (MOC) defendia um desenvolvimento próprio para a região, por entenderem que a Câmara de Loures não estaria a conseguir governar, de forma equitativa, as 25 freguesias que tinha sob a sua alçada e que estava na altura de Odivelas ter voz própria no comando dos seus destinos. Foram integrantes do MOC nomes históricos do concelho, como Jorge Mendes – funcionário da Junta de Freguesia de Odivelas e um dos principais idealizadores e nomes centrais do movimento, Vítor Peixoto – então presidente da Junta de Freguesia de Odivelas, que apoiou e viabilizou a criação do movimento, Carlos Lérias – um dos fundadores e que teve um papel central no início do processo, Edgar Vales – interveniente e fundador envolvido nas primeiras conversas e nos órgãos do Município –, Oliveira Dias – entusiasta e participante ativo na mobilização regional, e Manuel Varges – que viria a ser o primeiro presidente do Município, então deputado na Assembleia da República.
Foi neste contexto social que surgiria o “Movimento Odivelas a Concelho”. No dia 19 de novembro de 1998, com o voto unânime dos deputados de todas as forças políticas, a Assembleia da República votava, na especialidade, e em votação final global, o Projeto de Lei da Criação do Município de Odivelas. Esse dia ficaria estipulado como Feriado Municipal.
integrado por homens como Jorge Mendes – funcionário da Junta de Freguesia de Odivelas e um dos principais idealizadores e nomes centrais do movimento, Carlos Lérias – um dos fundadores e nomes centrais que iniciou o processo de articulação, Vítor Peixoto – então presidente da Junta de Freguesia de Odivelas, que apoiou e viabilizou a criação do movimento, Edgar Vales – interveniente e fundador envolvido nas primeiras conversas e nos órgãos do município –, Oliveira Dias – um dos entusiastas e participantes ativos na mobilização regional e Manuel Varges – que viria a ser o primeiro presidente do Município, então deputado na Assembleia da República —
No dia 14 de dezembro de 1998, é publicado no Diário da República, a Lei n.º 84/98, da criação do Município de Odivelas referindo o seu Artigo 1º: “Através do presente diploma é criado o Município de Odivelas, com sede na Cidade de Odivelas, que fica a pertencer ao Distrito de Lisboa”.
Em 20 de Janeiro de 1999, a Comissão Instaladora do Município de Odivelas é empossada pelo então ministro do Equipamento, Planeamento e Administração do Território, João Cravinho.
Depois de 3 anos de administração, a Comissão Instaladora cessa funções, e no seguimento das eleições autárquicas de dezembro de 2001, toma posse, no dia 4 de janeiro de 2002, a primeira Câmara Municipal de Odivelas, liderada pelo deputado socialista Manuel Varges.
Metro como fator de desenvolvimento
Foi no primeiro mandato de Manuel Varges que se afirmou definitivamente o nome de Odivelas no firmamento dos novos municípios do país. Conjuntamente com Vítor Peixoto, foi uma das primeiras vozes a reclamar a vinda do metro para Odivelas, desempenhando um papel central e ativo no processo que garantiu a vinda do Metropolitano de Lisboa até Odivelas. A chegada da Linha Amarela ao concelho foi um marco histórico de mobilidade para a região, transformando por completo um território que então se considerava ser apenas “um dormitório” de Lisboa numa das áreas urbanas da área metropolitana de Lisboa (AML) que mais tem crescido nas últimas décadas.
Com o metro “à porta”, Odivelas passou a ser um local que despertou fortemente os interesses dos promotores imobiliários. A construção do Bairro Colinas do Cruzeiro, onde hoje moram mais de 6 mil pessoas, é um claro exemplo do crescimento de Odivelas. As construções do Bairro das Colinas ocuparam uma extensa área onde apenas existia mato e o antigo Estádio Municipal, que, entretanto, foi demolido, para dar lugar a um complexo residencial projetado no fim do século XX e construído no início do seculo XXI. Resultou do objetivo da Câmara Municipal de Odivelas de criar uma nova centralidade urbana às portas de Lisboa. Hoje, é um dos pontos nevrálgicos da cidade e de todo o concelho. Para além de ter sido procurado como a nova casa, maioritariamente por casais jovens, concentra uma miríade de serviços, escolas e o Pavilhão Municipal, inúmeros restaurantes de gama alta, cafés e pastelarias. Há, contudo, um problema por resolver: a falta de lugares de estacionamento, que é apontada como a grande lacuna de um bairro que está “na moda” e que trouxe uma nova vida à cidade.
Graças à intervenção do atual presidente do Município, Hugo Martins (PS), que foi eleito em três mandatos sucessivos, depois do cargo ter sido ocupado por Susana Amador (PS), Odivelas é hoje a “Cidade Europeia do Desporto”, concentrando a realização de grandes eventos desportivos nacionais e internacionais. Hugo Martins tem vindo a promover a ideia de que Odivelas não pode esquecer a sua ligação umbilical ao legado de D. Dinis, mas deve ter os olhos postos nos horizontes de um futuro próspero, com políticas sociais para quem vive no concelho, mas criando, também, condições de atratividade para o investimento privado e criação de novos postos de trabalho.
Hugo Martins tem vindo a construir o seu legado ao longo destes três mandatos. Para além de ter requalificado e construído novas escolas no concelho, têm também o seu cunho a construção do Parque da Cidade de Odivelas, cuja obra continua a curso, o Parque Integrado da Arroja, uma Residência de Estudantes Universitários (alunos do ISCTE), a construção da Nova Divisão Policial de Odivelas (uma super-esquadra da PSP) que será uma das mais bem equipadas de toda a área metropolitana de Lisboa.
Poderá acompanhar um trabalho de fundo que o “OL” está a desenvolver sobre o concelho. Trata-se do primeiro caderno digital, um especial sobre Odivelas que já estamos a ultimar. Entrevistamos homens como Manuel Varges, primeiro presidente de Câmara de Odivelas, Hugo Martins, mas também moradores e agentes locais das 7 freguesias do concelho. É nosso propósito olhar pelo retrovisor para revistarmos o passado recente da história de Odivelas, mas tendo o presente e os passos futuros refletidos neste Especial Odivelas.








