A Câmara Municipal de Lisboa apresentou hoje, dia 28 de maio, no contexto das políticas municipais de promoção de saúde e bem-estar, o novo projeto “Lisboa com Saúde”, que agrupa todas as iniciativas de saúde da cidade promovidas pelo Município. Trata-se de um pacote de medidas que tem como objetivo promover a saúde dos lisboetas, com recurso a uma plataforma digital. A vereadora da Saúde Ana Simões e Silva refere que este programa tem como pilares a proximidade, a prevenção e a literacia em saúde dos lisboetas.
A apresentação coincidiu com o encerramento do Mês do Coração, conduzida pela vereadora da Saúde, Ana Simões e Silva, que aproveitou a conferência de imprensa para apresentar os planos de restruturação global na saúde da cidade.
A autarca Iniciou a sua intervenção como uma “confissão pessoal”, admitindo que o convite de Moedas para integrar o Executivo significou que “algo de muito sério estava a acontecer na cidade de Lisboa (…) Pela primeira vez, a saúde deixou de ser um tema ‘entre outros’, passando a ser uma prioridade”, a ter “um lugar à mesa” e uma “dimensão própria”, o que traduz “um decisão política corajosa”, mas que a vereadora considera “uma decisão certa”, porque a saúde dos lisboetas “não pode ser uma nota de roda pé”, sendo “o início de tudo” e o “primeiro direito, que torna possível todos os outros”.
Nas palavras de Ana Simões e Silva, que é médica dentista, a vereação por si liderada vai assentar a sua atuação em duas palavras-chave: “proximidade e prevenção”. Proximidade porque a “saúde se faz nos bairros, nas ruas, onde as pessoas estão”; prevenção porque é meio caminho andado “para prevenir a doença”, do que “tratá-la”, sendo a “literacia em saúde” o terceiro pilar que completa a tríade de políticas municipais para a promoção da saúde dos lisboetas.
Juntas de freguesia e privados chamadas a participar
A vereadora anunciou que este novo projeto será implementado no terreno em articulação com as unidades de saúde da cidade, uma vez que a articulação com o SNS “é fundamental”, mas também com todas as juntas de freguesia, passando a ser as autarquias “o principal mediador da saúde em todo o território de Lisboa”, dado que “são elas que conhecem os bairros, cada casa, as pessoas, porque são elas que sabem quem precisa de ajuda, quem está sozinho, quem ficou para trás”. “Com (a colaboração) das freguesias, conseguimos chegar a todas as pessoas, sendo elas a porta de entrada no sistema”. A responsável afiançou ainda que o projeto prevê estabelecer acordos “com os prestadores privados da saúde”, porque a saúde dos lisboetas “não pode ficar refém de visões ideológicas”.
Conforme explicou a responsável, o projeto pretende afirmar Lisboa como uma cidade que apresenta “muitas formas de cuidar” os munícipes, promovendo o “cuidar e o bem-estar”, contemplando o desenvolvimento de vários programas e iniciativas dirigidos a diversas faixas etárias.
O primeiro desses programas, que coincide com a celebração do Mês do Coração, será o “Lisboa com Coração”, onde é objetivo “cuidar com empatia”, sendo, também, um alerta para o risco de acidentes coronários e de acidentes vasculares.
Ana Simões Silva contou ainda que o “Lisboa Com Saúde” tem como propósito “agregar” as várias ações municipais de saúde que estavam “desgarradas” pela cidade, pondo-as a todas sob o mesmo “chapéu” do “Lisboa com Saúde”.
A ideia é que este grande programa se desdobre em “pequenos subprogramas”, como o “Lisboa com Coração”, o ‘Lisboa com Visão’, o “Lisboa com Audição”, entre outros que ainda hão de surgir. É objetivo que um cidadão entra no portal municipal, procura um rastreio oftalmológico, carrega no ícone da visão e vê desfilar tudo aquilo que já foi feito ou que está agendado. “Facilita os munícipes de Lisboa a procurarem aquilo que os preocupa em termos da área da Saúde”, resumiu.
A responsável sublinhou que os rastreios vão deixar de ser “agora num evento e depois noutro” para serem “programados ao longo dos quatro anos de vereação”. Para que o plano não fique pelo papel, a autarquia contará com o apoio das Unidades Locais de Saúde (ULS), da Direção-Geral de Saúde (DGS) e das Juntas de Freguesia, “sempre em união e complementando
A vereadora asseverou que o primeiro grande a este novo programa de saúde será o “Lisboa com Coração”, que arranca entre os dias 08 e 10 de junho, na freguesia de Alvalade, com rastreios abertos à população.
Painel sobre cardiologia
A sessão contou ainda com um painel de discussão que debateu os sintomas e os problemas das doenças cardiovasculares, constituído por médicos cardiologistas e personalidades que fazem uso das redes sociais para chamar à atenção destas doenças, como o fisioterapeuta e influencer Ricardo Ribeiro, conhecido nos meios digitais como Beto, e Mafalda Teixeira, atriz e também influencer.
Questionado sobre os mitos e os sintomas verdadeiros de um enfarte, o diretor do serviço de cardiologia da clínica CUF Tejo, José Fiarresga, recordou que, ao contrário daquilo que se diz, “o coração dói”, mas os sintomas são muito específicos: “uma dor no peito, com características próprias, nunca é uma simples pontada, que é algo corrente, mas é aquela dor ou ardor que causa um ‘peso’ no peito, que é gradual e atinge um pico de intensidade. Na verdade, a dor que indicia enfarte pode acontecer também no umbigo até à mandíbula, apanhando também os braços”.
O cardiologista lembra que essa dor vem, muitas vezes, acompanhada de náuseas e falta de ar. Nestes casos, as pessoas “não podem ficar à espera que a dor passe”, devendo procurar ajuda imediata, através do 112 ou dos serviços de urgência. “Caso alguém sinta estes sintomas, deve procurar uma avaliação médica de urgência, porque, perante um enfarte, o tratamento exige que seja feito ao minuto para salvarmos músculo cardíaco”.
No caso dos AVC, o médico lembra que “é muito frequente os AVC ocorreram de manhã, ao acordar, sentindo-se a pessoa estranha, sentindo a perda de funções cognitivas”, sendo, muitas vezes, os familiares que reconhecem que a pessoa apresenta sinais visíveis de doença, como um discurso sem nexo, por exemplo. José Fiarresga recomenda que, face à evidência de sinais de AVC, os familiares devem contatar de emergência o 112 ou transportar o paciente para as unidades de urgência mais próxima.










