O artista plástico e escultor que criou em Oeiras o maior parque público de arte urbana no país foi homenageado pelo Executivo da Câmara de Oeiras, no Dia do Município. Francisco Simões tem agora o seu nome imortalizado numa avenida do concelho. Mas Isaltino Morais revelou que a autarquia quer ir mais longe e vai avançar com a construção do Museu Francisco Simões na Fábrica da Pólvora, uma medida que “era o sonho” deste filho adotivo de Oeiras.
Há figuras da arte cujo nome ficará imortalizado no concelho de Oeiras. O escultor, pintor e ceramista Francisco Simões, que morreu este ano, tem uma significativa fatia do seu espólio no concelho de Oeiras, nomeadamente no Parque dos Poetas, onde criou 20 esculturas representativas de grandes poetas da língua portuguesa.
Como reconhecimento do papel de Francisco Simões no engrandecimento cultural do concelho, a Câmara de Oeiras homenageou-o atribuindo o seu nome a avenida no Campo de Golfe Municipal.
A “Avenida Francisco Simões – Escultor” foi atribuída a um arruamento no Oeiras Golf, em Barcarena, numa homenagem a uma das figuras mais importantes da arte contemporânea portuguesa, destacando-se como escultor, pintor, gravador e ilustrador, com um legado significativo na cultura artística e pedagógica do país.
A sua obra está presente em diversos espaços públicos, marcando o quotidiano das cidades, particularmente no território de Oeiras.
No concelho de Oeiras, o seu trabalho ganha especial relevância no Parque dos Poetas, onde criou figuras representativas dos grandes poetas da língua portuguesa.
Além do seu talento artístico, Francisco Simões é reconhecido pela generosidade, humildade e pelo contributo que deu à comunidade, assume a CMO.
Esta homenagem pública do Município de Oeiras pretende valorizar o percurso artístico, pedagógico, cívico e humano de Francisco Simões, com especial destaque para a sua obra e contributo no concelho de Oeiras.
Homenagem ao “pai” do Parque doas Poetas
Emocionado, Isaltino Morais descerrou a placa toponímica com o nome do escultor, que já havia sido condecorado com a medalha de Mérito Grau Ouro do Município, comprometendo-se a fazer “outra homenagem” ao artista e amigo.
“Na realidade, homenageamos o grande escultor Francisco Simões, com obra em muitos museus nacionais e internacionais, mas que indiscutivelmente tem a sua vida e sua obra muito ligada a Oeiras. Ele é um dos pais fundadores do Parque dos Poetas, conjuntamente com o Afonso Praça (jornalista e escritor) e o David Mourão-Ferreira (escritor)”, resultando em 20 esculturas da autoria de Francisco Simões.
Mais tarde, na segunda fase do Parque dos Poetas, juntaram-se os contributos de Pacheco Pereira (político e ensaísta), David Justino (ex-ministro da Educação) e o Rubem de Carvalho (jornalista e dirigente do PCP). A ideia que lançaram era a de fazer uma alameda dos poetas do século XX, e assim aconteceu. Depois de serem selecionados pelas academias de Belas Artes do país e pela Academia de Letras, foram incluídas as figuras de todos os poetas portugueses “desde os trovadores”, tendo sido escolhido o método: uma escultura, um escultor.
Para Isaltino Morais, o Parque dos Poetas “é o Francisco Simões”, porque construiu o “maior parque público de arte urbana” no território de Oeiras — o autarca aproveitou para revelar que o Parque dos Poetas “ainda não está acabado”, pois terá uma área Após descrever o processo de criação do Parque, entre 1995 e 2001, Isaltino Morais asseverou que o artista “ficou muito ligado ao nosso concelho”, lembrando que o escultor deixou ainda como legado o São Miguel Arcanjo, em Queijas, e o Santo Ambrósio, em Miraflores, sendo Francisco Simões o escultor mais representativo do concelho de Oeiras.
O autarca lembrou que o escultor tinha ido viver para a Madeira nos últimos anos (onde tem uma escola secundária com o seu nome), de onde regressou pouco antes conhecer o diagnóstico da doença que lhe ceifou a vida.
“A última vontade” do artista
Dada a ligação profissional e afetiva do escultor ao território, uma relação “construída ao longo dos anos”, a Fábrica da Pólvora tem guardada “uma reserva significativa das suas obras”, estando prevista a construção do Museu Francisco Simões, para albergar a obra do escultor, uma medida que “está a ser estudada pela família e a CMO”, avançou Isaltino Morais.
“A última vontade de Francisco Simões foi justamente que queria que Oeiras tivesse um museu com sua obra. Já tive a oportunidade de falar com a sua família. Já fizemos o levantamento de toda a obra do Francisco Simões, da pintura, escultura e desenhos, de todo aquilo que são os afloramentos da criatividade do artista”.
Isaltino Morais assomou a possibilidade provisório de expor parte da obra de Simões na Quinta dos Cedros, no Dafundo.
Para o autarca, esta cerimónia visa “homenagear o homem, o artista e a sua criatividade”, um criador cuja obra tem em Oeiras o “maior repositório da sua obra”.
“Podemos dizer que o escultor Francisco Simões é muito de Oeiras e um cidadão emérito do concelho, que fica justamente homenageado nesta placa com o seu nome. Esperemos que brevemente possamos concretizar aquilo que era o seu maior sonho: ter o Museu Francisco Simões aqui em Oeiras. Se depender da vontade da Câmara, estamos em condições de organizar a exposição do acervo do artista de forma provisório até termos pronto o Museu Francisco Simões na Fábrica da Pólvora”, concretizou.
“Todos aqueles que lidarem com ele sentem a sua falta. Era um homem extraordinário e um homem que gostava muito de Oeiras, que era a sua segunda terra”, conclui Isaltino Morais.









