Pedro Franco, histórico dirigente associativo lisboeta e antigo presidente da Associação das Coletividades do Concelho de Lisboa (ACCL), morreu, vítima de doença prolongada, deixando para trás um percurso de décadas dedicado ao desporto, às coletividades, às marchas populares infantis e à defesa das tradições populares da cidade de Lisboa. Nascido em Campolide, Pedro Franco cresceu ligado ao bairro e ao movimento associativo, tendo mantido uma grande relação de amizade e cumplicidade com Olhares de Lisboa.
Pedro Franco faleceu, deixando uma marca indelével na vida cultural e associativa da cidade de Lisboa. O seu desaparecimento gerou uma onda de consternação e sentidas homenagens por parte de várias instituições e autarquias locais, que lamentaram profundamente a perda de um “homem bom” e um “cidadão exemplar” apaixonado pelas tradições olisiponenses.
O seu vasto legado estende-se por várias frentes do movimento associativo: presidiu à Associação das Coletividades do Concelho de Lisboa (ACCL) durante cerca de 15 anos, tendo deixado o cargo executivo em janeiro de 2025 para assumir a presidência do Conselho Fiscal.
Pelo cargo que ocupava na ACCL, assumiu por inerência a presidência do júri do concurso das Marchas Populares de Lisboa durante vários anos.
Era conhecido pelo rigor e por defender ferozmente a independência do júri e a identidade cultural dos bairros, tendo sido um parceiro ativo de várias freguesias da capital — como a Junta de Freguesia do Areeiro —, onde impulsionou os Encontros do Associativismo e Regionalismo, torneios desportivos e iniciativas de fado.
Marchas infantis
Mesmo com a saúde já debilitada, fez questão de se deslocar do Alentejo em junho de 2026 para assistir ao desfile das Marchas Infantis, reforçando o seu compromisso em transmitir o amor pelas tradições às novas gerações.
Aliás, na altura, em declarações a Olhares de Lisboa, Pedro Franco afirmava as Marchas infantis dos bairros e das coletividades traduzem o “verdadeiro bairrismo” do povo de Lisboa e ajudam a perpetuar “a alma dos bairros e da cidade”, pondo à flor da pele “o amor que as pessoas dos bairros sentem pelos locais que os viram nascer, cresceram e se fizeram homens e mulheres”, sustenta.
Lisboeta de gema e ex-futebolista profissional (Sporting, Oriental, entre outros), Pedro Franco asseverava que as Marchas infantis constituem algo parecido com o processo que é levado a cabo nas camadas jovens dos clubes de futebol, transformando “projetos de jogadores” nos homens e mulheres que transitam para as equipas profissionais.
“As Marchas infantis são fundamentais para manterem esta tradição viva. É daqui que saem os futuros marchantes da Avenida e que se vive o verdadeiro bairrismo lisboeta”, assegura, acrescentando que os pais e as próprias crianças “são os genuínos bairristas da cidade”, sendo as crianças os herdeiros da verdadeira tradição das Marchas, afiançava.
Amigo de Olhares de Lisboa
Pedro Franco, que mantinha uma relação de grande proximidade com Olhares de Lisboa, é uma das figuras mais respeitadas por toda a gente no mundo das Marchas. Durante anos a fio foi presidente do júri das Marchas Populares de Lisboa e presidente da Associação das Coletividades do Concelho de Lisboa. Sentava-se, tranquilo, na primeira fila a observar as movimentações das crianças e dos ensaiadores. Ninguém fica indiferente à sua presença, cumprimentando-o de forma efusiva, mas respeitadora, trocando com ele dois dedos de conversa.
O presidente da Junta de Freguesia do Areeiro já lamentou o desaparecimento físico de Pedro Franco, lembrando que, “ao longo dos anos, foi impulsionador e organizador de inúmeras iniciativas na nossa freguesia, deixando uma marca que permanecerá na nossa memória coletiva. Entre muitas outras, destacamos os Encontros do Associativismo e Regionalismo, realizados na Alameda, os torneios de ténis de mesa, as iniciativas dedicadas ao Fado e as corridas de atletismo”.
Olhares de Liboa, manifesta o seu profundo pesar pela partida de Pedro Franco e endereça à sua esposa, Isabel, à sua família, amigos e a toda a família associativa as mais sentidas condolências”.
Foto: Junta de freguesia do Areeiro








