As associações profissionais dos táxis, a Câmara Municipal de Lisboa e a ANA assinaram ontem, nos Paços do Concelho da CML, um acordo que vai alterar a forma de trabalhar dos táxis do Aeroporto de Lisboa. A praça de táxis do Aeroporto vai passar a funcionar com um sistema de preço fixo, dividido por zonas na cidade, entre 16 e 19 euros. Todos os envolvido no processo consideram que se deu um passo decisivo para “credibilizar” este serviço e que a imagem de Lisboa é beneficiada.
O acordo, assinado entre a CML, a ANA, a ATL, e as associações ANTRAL e Federação Portuguesa do Táxi, prevê tarifas fixas nas viagens a partir do Aeroporto Humberto Delgado para qualquer ponto da cidade.
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, destacou que a medida está alinhada com as principais capitais europeias, visa assegurar a previsibilidade do preço, a proteção do passageiro, e a valorização da imagem de Lisboa.
O protocolo, assinado nos Paços do Concelho, permite organizar o serviço de táxi no Aeroporto de Lisboa com “maior previsibilidade, tornando os preços das viagens uniformes dentro de cada zona”. O serviço passa a “assentar na credenciação operacional dos taxistas junto das associações, e no controlo do acesso à praça de táxis por parte da ANA”.
Esta solução, salienta o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas, vai encontro da realidade já presente nas principais capitais europeias, como Paris, Madrid ou Roma: “Trazemos a segurança que acontece nos outros aeroportos europeus, em que as pessoas sabem aquilo que vão pagar, mas também sabem que estão ali com táxis que são identificados, sabe-se quem é o condutor, sabe-se qual é a matrícula daquele carro e sabe-se exatamente que só vai pagar aquele preço e que pode pagá-lo através do multibanco”, acrescentou Carlos Moedas.
Com a fixação de preços distintos para duas zonas da cidade, o passageiro saberá antecipadamente quanto vai pagar: Zona 1 – tarifa de 16 €: para as freguesias mais próximas do aeroporto (Alvalade, Areeiro, Avenidas Novas, Beato, Lumiar, Marvila, Olivais, Parque das Nações, Penha de França, Santa Clara).
Zona 2 – tarifa de 19 €: para as freguesias mais afastadas (Ajuda, Alcântara, Arroios, Belém, Benfica, Campolide, Campo de Ourique, Carnide, Estrela, Misericórdia, Santa Maria Maior, Santo António, São Domingos de Benfica, São Vicente)
De acordo com o protocolo, os taxistas que operam no aeroporto “comprometem-se a aceitar meios eletrónicos de pagamento, a apresentar as respetivas viaturas em boas condições e a dispor de ar condicionado”.
Paralelamente, a CML vai iniciar a elaboração do regulamento municipal para o setor do táxi, previsto na lei, assegurando uma resposta estrutural para o setor. O protocolo entrará em vigor a partir de 15 de outubro.
Em declarações aos jornalistas, Carlos Moedas esclareceu que “este era um problema com quase trinta anos, que muitos tentaram resolver, mas que agora vai ficar resolvido”.
O autarca sustenta que, resultante das novas regras no setor, o aeroporto vai ter “maior segurança e transparência: naquela praça só vão entrar táxis identificados por matrícula e obrigatoriedade de aceitar pagamento por Multibanco”.
Carlos Moedas lembra que as alternativas ao táxi continuam disponíveis para os utilizadores do aeroporto, continuando a existir “liberdade de escolha”, como os TVDE, metro, autocarro ou táxi fora da praça dedicada.
Esta solução, reiterou o autarca, está alinhada com as principais capitais europeias, “para garantir viagens sem surpresas a quem chega a Lisboa”.
Carlos Moedas esclarece ainda que o valor fixado inclui bagagens e taxas, sendo exigida a identificação da matrícula e a possibilidade de pagamento por Multibanco nestes táxis.
Segundo o edil, o valor fixado “demorou muito tempo” a ser encontrado, uma vez que exigiu “uma negociação muito grande”. “Eu queria que fosse o mais baixo possível e eles queriam o mais alto”, reconheceu o autarca.
“Primeiro passo” para a “credibilização” do setor
Por seu turno, José Domingues, da ANTRAL, considera a medida positiva e que representa “um primeiro passo para a credibilização do setor”, mas lembra que o processo ainda não está concluído, “está ainda em período experimental”, precisando de “ir limando arestas” ao longo do tempo.
Carlos Silva, da Federação Portuguesa dos Táxis, teceu rasgados elogios ao acordo, afirmando que, desta feita, o setor “foi ouvido” e que passou a “fazer parte da solução”, servindo o protocolo para ajudar a melhorar “imagem da cidade e do setor”.
Conforme reconheceu na cerimónia Thierry Ligonnière, CEO da ANA – Aeroportos de Portugal, a empesa esteve envolvida na assinatura do protocolo para implementar tarifas fixas nos táxis no Aeroporto Humberto Delgado. E reconheceu que este acordo “é resultado de um processo que dura há mais de 10 anos”, mas que vai ter um impacto “muito positivo” no aeroporto e na própria cidade de Lisboa.
“Celebrámos hoje um melhor serviço e maior segurança para todos. Este acordo vai colocar Lisboa ao nível de serviço de muitas capitais europeias”.
Para a administrador, o aeroporto de Lisboa é o cartão de visita da cidade e, agora, passará a oferecer um serviço “mais previsível” e de acordo com as expetativas de quem visita a cidade.
ATL aplaude
A Associação Turismo de Lisboa (ATL) considerou que o protocolo que fixa o preço nos táxis a partir do Aeroporto de Lisboa melhora a transparência do serviço e a experiência da chegada à capital e valoriza os profissionais.
“Consideramos muito positiva a implementação de um preço fixo para o serviço de táxi no Aeroporto de Lisboa. É uma medida que reforça a transparência, dá maior segurança ao visitante e contribui para uma experiência de chegada mais simples e previsível”, sublinhou António Valle, diretor-geral da ATL, citado em comunicado.
Para António Valle, a adoção de um preço fixo nas viagens de táxi a partir do Aeroporto Humberto Delgado beneficia todos, desde os visitantes que chegam a Lisboa, os residentes que regressam a casa e os profissionais de táxi, “que passam a prestar um serviço assente em regras mais claras e numa relação de maior confiança com os passageiros”.








