Projeto-piloto “Viva a Rua, Lisboa” vai alterar regras de circulação e estacionamento em sete ruas na zona do Chiado. Os trabalhos de sinalização dos passeios com padrão inspirado na calçada artística do bairro histórico começaram em meados de agosto e foram hoje visitados pelo Executivo Municipal. Carlos Moedas disse que a mudança, para uma realidade em que a cidade possa ser fruída a pé, será feita de forma gradual e “sem radicalismos”.
O Executivo Municipal, encabeçado pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, percorreu hoje algumas das ruas principais do Chiado para assinalar o início do programa “Viva a Rua”, que tirou estacionamento à superfície nesta zona histórica da cidade, e tem como principal objetivo aumentar as áreas para peões, reforçando a segurança, o conforto e a qualidade ambiental da zona.
No total, este programa de intervenção abrangeu sete ruas do Chiado, garantindo mais mobilidade e melhores acessibilidades com a criação de novos espaços de permanência e convívio, valorização do património urbano e comercial do Chiado e melhoria da imagem e atratividade do centro histórico, designadamente Rua Garrett, Rua Nova do Almada, Rua do Carmo, Calçada do Sacramento, Rua Ivens, Rua Anchieta e a Rua Serpa Pinto.
Em declarações aos jornalistas, o autarca sustenta que é objetivo do Município implementar um plano “para dar mais sustentabilidade às nossas ruas”, mas que será feito “forma gradual”, aumentado os espaços para se circular a pé.
“A grande diferença (do programa “Viva a Rua”) é precisamente pelo facto de ser um processo gradual. Vamos ter ruas sem carros e outras com mais passeios para dar mais espaço às pessoas na cidade”.
As áreas intervencionadas, anteriormente ocupadas por estacionamento, são convertidas em espaço pedonal, enquanto os lugares que permanecem passam a estar destinados sobretudo a residentes, cargas e descargas e serviços essenciais, como táxis, hotéis, teatro e tomada e largada de passageiros.
No total, ficam reservados 23 lugares para residentes, 13 para cargas e descargas e 12 para tomada e largada de passageiros, hotéis, táxis e teatro. A Rua Garrett, a Rua do Carmo, a Rua Anchieta e a Calçada do Sacramento deixam de ter estacionamento.
Para responder às necessidades dos residentes, o Município articulou com os operadores dos parques subterrâneos Parque Chiado e Parque Camões uma tarifa mensal reduzida, de 22 euros, para estacionamento noturno, entre as 18h00 e as 10h00.
Floreiras e bancos de jardim
A intervenção prevê, também, a instalação de mobiliário urbano, com 93 bancos individuais e 39 floreiras. Na primeira fase, em setembro, serão instalados 30 bancos e 15 floreiras, contribuindo para a criação de espaços de descanso, sombra e convívio.
No local, Carlos Moedas, realçou a comparação entre o número de pessoas e carros: “Aqui mesmo à vossa frente, passavam 20 mil pessoas e passavam realmente muito poucos carros (…) e, portanto, damos mais espaço às pessoas”.
A medida está a ser concretizada “de forma gradual”, assegurou. “Já tinham sido tentadas experiências de fechar tudo, normalmente não dá porque cria muita fricção com os próprios comerciantes, então nós fechamos metade da rua, outras ruas fechamos na sua totalidade”. O programa começou com “sete ruas, depois vamos expandir por outros sítios da cidade, mas é muito importante este primeiro passo aqui”, acrescentou.
Lisboa sem carbono
Lisboa é “uma das cidades que vai ser neutral em carbono até 2030, é um dos nossos compromissos e para isso é preciso ter mais áreas pedonais, precisamos das pessoas a viver mais a rua”, detalhou o autarca.
Para Carlos Moedas, “é muito importante” este primeiro passo no caminho da sustentabilidade da capital, que estamos “já a fazer e que são conhecidos pela União Europeia e são verdadeiros exemplos, como o nosso Túnel de Drenagem ou termos feito com que a frota da Carris seja hoje 50% elétrica”.
O programa de libertação de espaço para peões, ensaiado no Chiado, está ainda em fase “experimental”, porque, na verdade, apresenta apenas desenho de passeios que ainda não existem. Mas Carlos Moedas afiança que “certas ruas, vão ficar efetivamente fechadas ao trânsito”, para permitir que haja mais espaço “paras as pessoas circulem a pé no seu dia a dia”.
Segundo o autarca, a cidade de Lisboa precisa de arrepiar caminho para uma nova realidade de sustentabilidade. “Precisamos de avançar para uma mudança gradual”, mas que não seja movida “pelos radicalismos”, concluiu.
O passeio inaugural arrancou junto ao café A Brasileira, no Largo do Chiado, e prosseguiu por algumas das ruas abrangidas pelo programa. Ao longo do percurso, Carlos Moedas entrou em vários estabelecimentos comerciais, onde cumprimentou comerciantes e trabalhadores.
A comitiva contou com a presença do vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Gonçalo Reis, dos vereadores Diogo Moura e Joana Baptista e da presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Maria João Correia (PS). Vítor Silva, representante dos comerciantes do Chiado, também acompanhou o percurso.









