Oeiras recebe professores em “traje de gala”

Município de Oeiras realizou a tradicional cerimónia de receção aos professores com pompa e circunstância. Os cerca de 700 docentes presentes na iniciativa ouviram da boca do presidente da Câmara palavras de incentivo e reconhecimento pelo seu trabalho diário. Isaltino Morais destacou que é objetivo do Município criar as condições para que os docentes “sejam felizes” no território.

O sol já estava a deitar-se sobre o Atlântico, com os últimos raios a refletirem na água da Piscina Atlântica de Oeiras, sentindo-se um incomodativo vento de fim de tarde a atrapalhar a cerimónia de receção dos profissionais da educação que lecionam no concelho de Oeiras. O pessoal do catering serpenteava por entre os convidados com bandejas carregadas de iguarias: nachos com camarão, mini hambúrguer, pasteis de bacalhau, croquetes de vitela, rissóis de camarão, chamuças, presunto pata-negra, entre outros pitéus. Para acompanhar o jantar volante, serviu-se vinho do Douro, caipirinhas, jeropiga, para além de sumos e outras bebidas sem álcool.

Tratou-se do tradicional evento de receção aos professores promovido pelo Município de Oeiras, realizada no dia 9 de setembro, e que contou com cerca de 700 participantes.

“Privilégio” de ensinar em Oeiras

Maria de Jesus, professora de História na Escola Camilo Castelo Branco, em Carnaxide, apresentou-se na cerimónia com roupa de “gala” e espírito de celebração. Foi depenicando os petiscos servidos e aproveitou para pôr a conversa em dia com outros professores.

Em declarações ao “Olhar Oeiras”, a docente descreve a cerimónia como “algo de único no país”, traduzindo o “imenso carinho que recebemos do Departamento de Educação da Câmara, todos os anos”.

Maria de Jesus sustenta que os professores que lecionam em Oeiras “sentem-se altamente privilegiados” por trabalharem num concelho “que reconhece o nosso papel” e “nos incentiva no terreno com várias medidas de apoio e muitos ‘miminhos’, como esta receção”.

A professora da Camilo Castelo Branco reconhece que o programa de habitação para professores põe, de facto, o Município de Oeiras “na vanguarda nacional”.

“Recebemos há dias vários colegas que vieram do Porto e de Viseu e que já têm casa para morar. Ficam a pagar 150 euros mensais com todas as despesas incluídas, numa altura em que as rendas por um quarto em Carnaxide rondam os 500/600 euros. São iniciativas como esta que nos fazem acreditar que a Câmara tem um carinho muito especial pelos professores e que está vários passos à frente de todos os outros municípios”, sublinha.

2027 terá receção para toda a comunidade das escolas

No discurso proferido durante a cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Oeiras começou por referir “a aragem que se fazia sentir” no local, dizendo, porém, que o “calor humano” se sobrepôs ao frio sentido no fim de tarde – o autarca sentou-se com vários grupos de professores, tirou fotografias, conversou com quem o procurou para trocar breves impressões.

Isaltino Morais sublinhou que esta iniciativa “tem mais gente a cada ano que passa”, mas que os assistentes operacionais e assistentes técnicos das escolas “têm reclamado por não estarem aqui presentes”. Em decisão salomónica, o autarca anunciou que, por sugestão do vereador Pedro Patacho, a cerimónia do próximo ano contará “com toda a comunidade educativa das escolas”, porque “somos todos construtores deste concelho e responsáveis pela comunidade de sucesso que pretendemos”, justificou.

Elencando os objetivos do Município para a Educação, Isaltino Morais lembrou as prioridades de Oeiras passam por “ter boas escolas”, mas afiançou que a edificação de um parque escolar de qualidade “não é fácil”, porque passa por ter projetos para as obras, contornar os problemas gerados por concursos públicos “que ficam desertos” ou o abandono das obras “a meio” de alguns empreiteiros. “Vocês não imaginam o trabalho que dá levar uma obra a bom porto, sem entropias e vicissitudes várias, que atrasam a entrega dos equipamentos à comunidade”.

Ter os melhores alunos e professores felizes

Ao referenciar que Oeiras “quer ter os melhores alunos”, o autarca sustentou que esse propósito está na génese das políticas publicas “que vão de encontro àquilo que são as necessidades dos jovens, para que possam realizar plenamente as suas ambições”. Mas as políticas autárquicas “têm também de ter os melhores professores”, cabendo ao Município criar as “melhores condições de vida possíveis” para quem ensina no território.

Isaltino Morais defendeu que o programa municipal de habitação para professores “é absolutamente inovador a nível nacional”, estando prestes a “suprimir todas as necessidades de todos professores deslocados” no próximo ano letivo.

O autarca aproveitou para reiterar que Oeiras “vai entrar numa outra fase” na oferta de casas para docentes, anunciando o objetivo de, já no próximo ano, “começar a distribuir casas aos professores” para poderem reunir a sua família e fazerem do território a sua nova morada.

Também os polícias terão direito ao acesso de habitação pública no concelho. Isaltino Morais fez este parêntesis no seu discurso sobre a Educação para relevar que a segurança “não se faz apenas” com mais agentes na rua. “A segurança decorre de muitas políticas sociais, políticas de cultura, políticas de educação”, porque” é o conjunto combinado destas medidas que “promove a coesão social, o bem-estar, a igualdade de oportunidades”, afiançou.

Para reforçar a sua posição de defesa da integração dos professores nas estruturas autárquicas, passando a depender da contratação direta pelas autarquias, Isaltino Morais acredita que essa alteração acabará por acontecer, sublinhando, no entanto, que o Município de Oeiras tem agido no apoio à Educação de forma autónoma, tratando os professores “como se fossem funcionários do Município”, dando-lhes condições de dignidade e da promoção de um estilo de vida “feliz e tranquilo”, algo que Isaltino Morais considera “ser essencial” para que os professores exerçam a sua atividade sem o peso da incerteza a pesar-lhe nos ombros.

“Professores com casa, com acesso à cultura e ao bem-estar, são professores mais felizes e que lecionam com paz. Essa tranquilidade acaba por se refletir nas aulas e gerar um bom ambiente entre alunos e professores”.

Bolsas de estudo para professores têm vagas

Nos últimos anos, o Município de Oeiras tem vindo a implementar um programa de concessão de Bolsas de Estudo para Docentes (5 bolsas de mestrado e 3 de doutoramento), com o objetivo de promover a formação avançada de professores financiada pelo Município.

⁠Em declarações ao nosso jornal, o vereador da Educação Pedro Patacho sustenta que estas bolsas foram criadas com base no reconhecimento da importância da formação docente ao longo da carreira profissional e da sua relevância no desempenho de professores e educadores de infância.

Pedro Patacho diz que é objetivo “procuramos proporcionar condições que acrescentem valor à sua atividade profissional, com evidentes reflexos na qualidade do ensino e, consequentemente, numa aprendizagem de qualidade das crianças e alunos do concelho”.

Para o responsável, a formação avançada, sobretudo aquela que integra investigação educacional, “tem um impacto potencialmente positivo na transformação do ecossistema das salas de aula e das práticas pedagógicas dos professores e dos resultados académicos dos alunos. ⁠

⁠No presente ano letivo, 2026/2027, serão atribuídas cinco bolsas de mestrado, no montante de 3 três mil euros cada uma, e três bolsas de doutoramento, no montante de 6 mil euros cada uma, na área das Ciências da Educação, destinadas aos docentes que exercem a sua atividade letiva em Oeiras.⁠

⁠O processo de candidatura decorrerá entre 10 de setembro a 10 de outubro de 2026.⁠

Pedro Patacho aproveita para exortar os professores interessados a se candidatarem às referidas bolsas, pois “ainda não houve nenhum ano em que fossem todas atribuídas”, perdendo-se, assim, uma “oportunidade única” de frequentar formação avançada financiada pela autarquia.

A cerimónia de receção ao corpo docente finalizou com uma mostra do humor desconcertante de Eduardo Madeira, tendo o humorista pedido à plateia para “não se atirarem para a piscina”, em resultado de “tanto rir” ou pelo “calor” proporcionado pelo seu “corpo de Adónis”.

Medalhas para pessoal não docente

Também no dia 9 de setembro, o Município de Oeiras entregou medalhas a pessoal não docente das escolas do concelho, homenageando estes trabalhadores da comunidade educativa.

A cerimónia realizou-se do Auditório do Taguspark, onde Isaltino Morais sublinhou que foi objetivo “reconhecer e valorizar o trabalho desenvolvido na comunidade educativa do concelho, sendo um momento de “aproximação entre o Município e os profissionais, promovendo o sentimento de pertença, valorização e o reforço das relações institucionais”.

Fotos: Oeiras Viva

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