Lisboa entregou a António Calvário a Medalha Municipal de Mérito Cultural numa cerimónia que assinalou também os seus 88 anos, que celebra hoje.
Carlos Moedas, presidente da câmara municipal, evocou três momentos da vida do artista através das canções “Oração”, “Chorona” e “Mocidade, Mocidade”, simbolizando coragem, dignidade e juventude, respetivamente.
“Devemos ao António canções, devemos-lhe noites, devemos-lhe memórias que já não sabemos separar da nossa própria vida”, afirmou Carlos Moedas, salientando que a homenagem é o pagamento de uma dívida de gratidão.
António Calvário nasceu em Moçambique, em 1938, e mudou-se para Portimão aos oito anos. Inicialmente, os pais desejavam que seguisse a carreira de advogado, mas foi o canto que acabou por definir o seu percurso, resultado de um engano numa festa escolar, quando foi chamado a cantar sem preparação prévia.
Após ter aulas com Corina Freire e vencer um concurso na Emissora Nacional em 1960, Calvário alcançou o título de Rei da Rádio em 1961. Em 1964, venceu o primeiro Festival RTP da Canção com “Oração”, tornando-se o primeiro representante de Portugal no Festival Eurovisão da Canção, em Copenhaga.
Na Eurovisão, enfrentou a ameaça de um atentado e representou o país sozinho, sem maestro, demonstrando “coragem para subir ao palco” e “dever” para com os portugueses, como referiu Carlos Moedas.
O período pós-25 de Abril trouxe desafios à sua carreira, com o artista a ser associado ao regime anterior e a perder espaço nos palcos e na rádio. Ainda assim, não desistiu e continuou a cantar em circos e cabarés, onde encontrou acolhimento e respeito. A “Chorona” simboliza, segundo o presidente da câmara, a dignidade de António Calvário.
Nos finais dos anos 70, Calvário regressou ao teatro de revista no Parque Mayer, destacando-se a canção “Mocidade, Mocidade”, um êxito que representa a juventude que persiste na paixão pela música, independentemente da idade.
“Coragem para subir ao palco. Dignidade para não o abandonar. Juventude para nunca o deixar”, resumiu Carlos Moedas, acrescentando que a voz de António Calvário é uma daquelas que permanece no tempo.
O cantor romântico, natural de Lourenço Marques, conta no seu percurso com êxitos como “Regresso”, “Chorona”, “Sabor a Sal”, “Gente Nova, Nova Gente” e “Tu És”, tendo também colaborado com Madalena Iglésias e participado em cinema.
Em nome da cidade de Lisboa, a Medalha Municipal de Mérito Cultural foi entregue a António Calvário como reconhecimento pela sua contribuição à música portuguesa e pela forma como marcou gerações.









