Socialistas consideram que suspensão das trotinetes partilhadas espelha governação “errática” de Moedas em Lisboa 

Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, anunciou, esta quinta-feira, que vai suspender o sistema de trotinetes partilhadas na capital. Num vídeo partilhado nas redes sociais, o autarca lisboeta reconheceu que o estacionamento abusivo destes veículos de mobilidade urbana “é uma vergonha e vai acabar”. Em entrevista ao canal Now, confirmou a sua decisão. Os vereadores do Partido Socialista na CML defendem que este anúncio de suspensão deste serviço de mobilidade “representa o reconhecimento do falhanço da política de regulação e fiscalização do presidente Carlos Moedas”.

“O sistema como está não está a funcionar. São trotinetes em contramão, comportamentos perigosos, mais acidentes e trotinetes abandonadas no espaço público”, denuncia. Moedas aponta ainda que todos os meses são recolhidas mais de 1.200 trotinetes nas ruas da cidade, razão que contribui também para que o sistema de partilha seja agora suspenso.

O tema tem vindo a ser discutido na esfera política. O uso obrigatório de capacete para utilizadores de trotinetes e bicicletas elétricas foi aprovado no dia 1 de outubro, na generalidade, pela Assembleia da República, seguindo agora para a discussão na especialidade, após um projeto de lei do PSD ter passado por maioria.

Numa entrevista no canal Now, Carlos Moedas explicou que “há um problema com o estacionamento indevido e outro com a segurança”.

“Têm aumentado os acidentes. Temos muitos [com] menores… Há muitos menores a usar as trotinetas. (…) É um problema gravíssimo de segurança e de espaço público”, referiu.

Carlos Moedas adiantou ainda que vai levar a suspensão imediata das trotinetas partilhadas a reunião de Câmara. A proposta deverá ser discutida na próxima quarta-feira, adiantou esta sexta-feira à Lusa fonte do seu gabinete.

O autarca já tinha dito em 28 de setembro que ia tomar medidas para combater comportamentos de risco por parte de utilizadores de trotinetas, sem avançar detalhes.

PS não poupa nas críticas a Moedas

Os vereadores do Partido Socialista na Câmara Municipal de Lisboa, liderados por Alexandra Leitão, emitiram hoje, dia 16 de outubro, um comunicado a criticar a decisão. Consideram que o anúncio da suspensão das trotinetes partilhadas “representa o reconhecimento do falhanço da política de regulação e fiscalização do presidente Carlos Moedas”.

“Em janeiro de 2023, Carlos Moedas assinou um acordo com os operadores de mobilidade suave para acabar com o estacionamento abusivo, limitar a velocidade e controlar o número de trotinetes em circulação. Na ocasião, garantiu que se tratava de ‘um acordo sólido e que permite resolver o problema’ e que estava a elaborar um Regulamento de Mobilidade Suave Partilhada (que ainda não se conhece). Há um ano, e quase três anos depois de ter anunciado a resolução deste problema na cidade de Lisboa, Carlos Moedas voltou a reforçar as regras de circulação e estacionamento e foi ainda mais longe: integrou as trotinetes no passe Navegante, oferecendo 200 minutos gratuitos por mês aos residentes em Lisboa, incentivando expressamente a utilização deste meio de transporte”.

Agora, “provavelmente como antecipação à iniciativa popular apresentada na AML”, com mais de 20 mil assinaturas, a propor um referendo municipal sobre este tema, Carlos Moedas anuncia a suspensão do sistema das trotinetes partilhadas.

“Em menos de quatro anos, passou de anunciar que tinha resolvido o problema a incentivar a utilização das trotinetes e, finalmente, a propor a sua suspensão”, apontam.

Para os vereadores socialistas, esta sucessão de decisões revela, mais uma vez, “a sua atuação errática e, sobretudo, o falhanço de uma política que o próprio presidente da Câmara concebeu, anunciou e apresentou como solução para os problemas da cidade”.

O PS diz que a cidade continua sem regulamento, sem fiscalização e sem segurança. “Deparamo-nos com um sistema degradado, com trotinetes em cima dos passeios, espalhadas pelas ruas, a ocupar o espaço público e a criar obstáculos à acessibilidade pedonal. Os problemas de ocupação abusiva dos passeios e de segurança dos peões são reais e exigem uma resposta firme. Mas importa esclarecer por que razão os mecanismos de controlo, as regras acordadas com os operadores e a fiscalização municipal não produziram os resultados que Carlos Moedas prometeu”.

Segundo a vereação socialista, a suspensão agora anunciada “não pode servir para apagar a responsabilidade de quem, ainda no seu primeiro mandato, garantiu que tinha encontrado a solução”, sendo “o reconhecimento de que a sua governação falhou”.

Além disso, o PS espera que esta suspensão venha acompanhada de “um reforço e investimento sério e urgente na rede de bicicletas partilhadas Gira”, que atualmente “é um serviço em colapso e que não responde ao propósito para o qual foi criado”.

Os vereadores do Partido Socialista dizem que tiveram conhecimento, através da comunicação social, de que a proposta será submetida à reunião da Câmara Municipal da próxima semana. Agora, aguardam conhecer o seu conteúdo e fundamentação para se pronunciarem sobre a medida concreta que será apresentada. “O PS, nesta proposta, como em todas, procurará ativamente encontrar uma solução para os problemas da cidade de Lisboa”, concluem.

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