Lisboa aprova suspensão das trotinetas e reforça compromisso com mobilidade suave mais segura. A proposta aprovada estabelece um prazo de 60 dias para a suspensão da operação e remoção total das trotinetas partilhadas. Esta extinção está em linha do caminho seguido por cidades como Madrid, Paris ou Bruxelas, justifica a CML. Foi também aprovado o aumento da rede ciclável da cidade de Lisboa, bem como o aumento do número de estações e de bicicletas disponíveis na rede Gira.
A Câmara Municipal de Lisboa deliberou hoje a suspensão do atual sistema de trotinetas elétricas partilhadas, uma decisão que “contribui para uma cidade mais organizada, mais segura e com um espaço público mais ordenado e respeitador de todos”, salienta o Executivo Municipal.
Segundo a CML, Lisboa acompanha assim o caminho seguido por outras cidades europeias, como Paris, Madrid ou Bruxelas, que perante problemas semelhantes decidiram suspender estes modelos de operação.
“Foi um passo necessário que tivemos de assumir. As evidências de um problema de estacionamento indevido destes veículos no espaço público e o condicionamento da circulação de pessoas, afetando particularmente os mais idosos, com mobilidade reduzida, cidadãos cegos, crianças e famílias com carrinhos de bebé são alguns dos exemplos. A mobilidade suave é fundamental e algo que defendemos, mas os diferentes modos têm de coexistir e garantir a segurança e o respeito por quem circula no espaço público” salienta Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
A proposta aprovada incorpora contributos de diferentes forças políticas, designadamente PCP e BE, incluindo “o compromisso claro de reforço da mobilidade ciclável”, através da qualificação e expansão da rede ciclável e do aumento do número de estações e de bicicletas disponíveis na rede Gira.
A deliberação estabelece, ainda, a elaboração de um Regulamento Municipal para a Mobilidade Suave, cujo projeto será apresentado no prazo máximo de um ano. A proposta aprovada estabelece um prazo de 60 dias para a suspensão da operação e remoção total das trotinetas partilhadas.
Mudanças na mobilidade suave não convencem PCP e BE
O PCP propôs que a Câmara Municipal de Lisboa levasse a cabo um estudo tendo em vista a implementação de uma valência de trotinetas partilhadas associada ao sistema municipal de bicicletas partilhadas Gira. Esta medida permitiria dotar a cidade de um sistema de trotinetas partilhadas que funcionasse em moldes diferentes, alternativos, aos dos atuais operadores privados, reforçando a segurança da operação e reduzindo o impacto sobre o espaço público. “Lamentavelmente, a proposta foi chumbada com os votos contra do PSD, CDS, IL e Chega”, diz o PCP.
Por proposta do vereador do PCP, João Ferreira, a Câmara Municipal deliberou elaborar o Regulamento de Mobilidade Suave que deverá abordar, entre outros aspetos, as condições de operação dos sistemas partilhados, a idade mínima de utilizadores, a velocidade máxima dos diferentes meios, os locais e condições de circulação e de estacionamento no espaço público, a segurança de todos os utilizadores do espaço público.
Já o Bloco de Esquerda, diz que Carlos Moedas “faz ziguezagues e deixa Lisboa sem alternativas”. A política de Carlos Moedas para as trotinetes “tem sido marcada por sucessivos ziguezagues. Em 2022, prometeu um regulamento municipal. Em 2023, apresentou um acordo com os operadores como uma “solução sólida” para reduzir o número de trotinetes e resolver os problemas de circulação e estacionamento. Em 2025, reconheceu que o modelo não tinha funcionado, mas decidiu reforçá-lo, integrar as trotinetes no sistema Navegante e disponibilizar 200 minutos gratuitos por mês aos residentes, subsidiando as empresas. Agora, em 2026, propõe suspender o serviço”.
Foi primeiro aprovada e incluída na proposta final, com a abstenção do Chega, a proposta do Bloco: “Aprovar a criação de um Regulamento Municipal de Mobilidade Suave Partilhada a apresentar no prazo máximo de um ano”.
O Bloco de Esquerda reconhece os problemas associados ao estacionamento abusivo, à ocupação dos passeios e ao incumprimento das regras de circulação. “Mas não aceita este ziguezague do falhanço de um modelo concebido, negociado e defendido pelo próprio Executivo”.
Também considera não ser aceitável “retirar cerca de 5.000 trotinetes partilhadas sem garantir uma alternativa pública suficiente. A rede Gira já enfrenta falta de bicicletas, estações inoperacionais, problemas de manutenção e uma cobertura territorial insuficiente. Retirar uma alternativa de mobilidade suave sem reforçar previamente a Gira poderá aumentar ainda mais a pressão sobre o sistema e empurrar utilizadores para o automóvel.
Por isso, o Bloco de Esquerda propôs “a aprovação do Regulamento Municipal de Mobilidade Suave Partilhada, prometido desde 2023; a criação de um Programa Especial de Investimento na rede Gira; um horizonte de 5.000 bicicletas partilhadas”, mas sem sucesso.



