Transformar Loures num destino turístico complementar a Lisboa

André Antunes, vereador responsável turismo, tem o desafio de desenvolver Loures como um lugar com capacidade para se destacar na oferta turística diversificada na área de Lisboa. Com grandes aspirações, André Antunes visa alto e deseja estabelecer uma identidade de marca que coloque “Loures no centro” das oportunidades turísticas da região de Lisboa, pondo no epicentro desta estratégia o enoturismo, diretamente relacionado com a casta Arinto e o território de Bucelas, o turismo de natureza e o potenciar da proximidade de Loures à capital portuguesa.

Em entrevista ao “OL”, o vereador responsável pelo turismo, que anteriormente era chefe de gabinete da presidência, fala sobre a sua nova função, defendendo que o concelho é por vezes notícia nacional pelas piores razões, mas acredita que é possível reverter a imagem negativa do território e conseguir criar uma nova imagem do concelho no panorama nacional.

André Antunes sublinha que Loures “tem todas as potencialidades para ganhar essa notoriedade, seja através do melhor que Loures tem, que são as suas gentes, seja através do seu posicionamento geográfico na área metropolitana de Lisboa e no centro do país”.

Potenciar enoturismo

E concretiza que o potencial passa também pelo posicionamento estratégico e pela proximidade a Lisboa. “Os acessos rodoviários mais importantes do país (A1 e A8) começam precisamente em Loures, já para não falar que parte do Aeroporto Humberto Delgado é também em Loures. Este posicionamento estratégico tem tudo para termos grandes oportunidades e grandes desafios para alavancarmos a nossa atividade. Loures tem enormes potencialidades para ganhar notoriedade e fazer passar para fora tudo aquilo que tem de positivo”.

Sem rodeios, o vereador afirma que quer consolidar Loures no centro da oferta turística da zona de Lisboa, explicando que esta estratégia acentua a ideia de Loures ser um destino complementar a Lisboa.

“Nós somos a única capital europeia que tem uma oferta enoturística. Se pensarmos que, do ponto de vista turístico, Loures está a 20 minutos do centro da capital do país, conseguimos oferecer enoturismo e zona rural, algo que é absolutamente único numa capital europeia e que pode e deve ser potenciado por Loures. Queremos assumir esta potencialidade e particularidade porque constitui uma oportunidade para ganharmos uma nova notoriedade do concelho no panorama nacional e internacional. A estratégia passa por oferecermos um destino turístico mais autêntico, mas próximo e menos massificado, do que outros municípios da região de Lisboa”.

André Antunes anota exemplos concretos desta estratégia. “Cerca de 33% dos nossos turistas provêm dos mercados norte-americano e brasileiro. Nos fluxos diários de deslocações, estes turistas estão habituados a fazerem viagens de 2 ou 3 horas de duração para chegarem aos seus trabalhos. Ora, se nós conseguirmos passar a mensagem a estes turistas de que conseguem usufruir de boa gastronomia, de enoturismo, que conseguem visitar uma quinta e desfrutar de uma paisagem natural absolutamente fantástica, a 20 minutos do aeroporto, eles pensarão que as vinhas estão ‘dentro’ do próprio aeroporto. Os nossos concelhos vizinhos têm maior oferta do ponto de vista hoteleiro, mas nós temos esta oportunidade estratégica de proporcionar experiências únicas a dois passos de Lisboa”.

O responsável assevera que este plano de ganhos de notoriedade do território, assenta na divulgação destas campanhas para os mercados externos. “Estamos nas maiores feiras nacionais e internacionais realizadas na Península Ibérica, mas também vamos caminhar para reforçar esta notoriedade externa diferenciadora, apresentando como trunfos o vinho, a gastronomia, a natureza, o património e também os grandes eventos realizados no concelho”, concretiza.

Loures recebeu há pouco a gala do Prémio Nacional de Enoturismo 2026. O vereador acredita que a vinda deste acontecimento para o concelho é já reconhecimento das potencialidades turísticas do território.

“Sem qualquer dúvida. Assume-se com clareza a importância de Loures. Primeiro, a região de Lisboa ter recebido esta gala já é notável, porque acolheu um grande encontro que poderia ter sido realizado em outras regiões vitivinícolas no país muito mais fortes em termos de volume de produção do que a região de Lisboa, como o Douro, o Dão, a região dos vinhos verdes, entre outras. O facto de, dentro da região da região de Lisboa, ter sido Loures a captar a realização do evento, é um claro sinal da potencialidade do concelho no enoturismo, e da extraordinária qualidade do nosso Arinto de Bucelas”.

Para André Antunes, este evento ajuda a tornar Bucelas “um destino do enoturismo de excelência, ajudando a fomentar as particularidades do Arinto com a comunidade, as gentes que o trabalham e ajudam a polir este diamante que é o Arinto de Bucelas”.

Em termos práticos, “é nosso objetivo consolidar Bucelas como uma referência regional, nacional. E mais: é honrar a história deste néctar único – lembramos que a corte em Inglaterra bebia vinho de Bucelas, o Duque Wellington levava este vinho para a Inglaterra, William Shakespeare escreveu referências ao vinho de Bucelas. Este vinho nem sempre foi bem tratado, mas estamos cá para o honrar e sobretudo estarmos ao lado daqueles que trabalham esta pérola”, atira.

André Antunes está convicto ser possível consolidar Loures como polo atrativo para a visita turística, criando novos nichos de mercado para quem queira ter uma experiência de autenticidade saloia, englobada num pacote turístico que alia a gastronomia, a cultura ancestral do vinho, a tranquilidade do turismo de natureza. Tudo isto, tendo como base a divulgação mais intensiva das quintas e os produtores do vinho de Bucelas fora de portas. “É um ponto chave da nossa estratégia de comunicação para fomentar a notoriedade do concelho”

Para o vereador, o enoturismo pode, de facto, projetar a imagem de Loures além-fronteiras. “Pretendemos fomentar a imagem de Loures internacionalmente enquanto destino complementar a Lisboa. Queremos fazer passar a mensagem de que Loures ‘é o local onde Lisboa vem brindar’”, assume.

Grandes eventos

Na opinião de André Antunes, Loures tem ainda alguns “segredos” que ainda não foram descobertos pela restante população e que merecem ser revelados.

“São estas particularidades dos agentes turísticos estruturarem a sua oferta. Se a oferta turística de Bucelas for devidamente estruturada, ficam todos a ganhar. Ou seja, Bucelas deve ser conhecida pelos seus produtos, não de forma isolada de cada um dos seus agentes, mas agregando-se para oferecerem produtos que sejam referência a nível nacional”.

Na visão do responsável, o território tem produtos que são exclusivos e característicos do concelho, com destaque para o Arinto de Bucelas, a casta rainha em Bucelas e que “tem particularidades absolutamente únicas a nível de sabores”.

Mas não é um caso isolado. “Temos também produtos de excelência, como os queijos frescos, da região de Lousa, mas também o pão saloio. E é justamente as tradições saloias de Loures que queremos promover”.

“Lembro-me que, há muitos anos, havia uma Rota Saloia, onde se podia apreciar uma oferta gastronómica diferenciada. Acho que devemos caminhar por esse sentido, tendo como destaque o caracol de Loures que, sazonalmente, já se assume como uma marca de Loures a nível nacional e até internacional – somos já um dos maiores festivais gastronómicos do país, que é absolutamente notável – aliada à gastronomia saloia, à particularidade de termos o campo na cidade”.

O turismo de Loures é só Bucelas?

“Não. Já referi outros grandes eventos realizados em Loures. Um dos indicadores e métricas para avaliar o turismo a nível internacional são as dormidas. Nós, desde 2019 até aos dias de hoje, já triplicamos o número de dormidas. Passámos de 128 mil dormidas em 2019 para 380 mil em 2025, tendo em conta o aumento substancial da oferta hoteleira. Mas esta oferta hoteleira está onde? Está na zona oriental do concelho, bem afastada do turismo de natureza, que faz sobretudo serventia ao aeroporto de Lisboa. Ou seja, há duas oportunidades em relação ao turismo no concelho: a oportunidade de dormirem no concelho e ficarem cá a usufruir de experiências”. Por exemplo, “a requalificação do Parque Papa Francisco está a atrair grandes eventos de carácter nacional e internacional. Temos já eventos internacionais, de música eletrónica, com os nomes mais fortes da área a nível internacional a atuar no Parque em 2026. Importa referir que 30% do público é estrangeiro, constituindo uma oportunidade de divulgar o nome de Loures internacionalmente”.

Mas, diz André Antunes, há também outros grandes eventos que ajudam a promover o concelho além-fronteiras: a Festa do Vinho e das Vindimas, a Feira Setecentista, uma das maiores do género no país, o Carnaval Saloio de Loures, o maior da AML.

Nesse quadro, diz que a autarquia vai continuar a apostar no Carnaval de Loures para promover a imagem do território. “Assinámos protocolos com a Associação do Carnaval de Loures para os próximos 3 anos”, um evento que anualmente atrai cerca de 120 mil de visitantes à cidade de Loures, gerando um “impacto económico no comércio local que é assinalável”.

Os números são oficiosos, porque a autarquia não cobra entradas, mas o autarca sublinha que é intenção da CML “estudar aprofundadamente o impacto da presença destas pessoas na restauração, nos eventos. Este ano, fizemos uma inovação, trazer a Noite Jovem do Carnaval para a rua e foi um absoluto sucesso. Este tipo de novidades constitui uma oportunidade para impactar nos negócios dos comerciantes da Rua da República e de outras zonas da cidade, porque estes eventos fomentam a complementaridade daquilo que são os bailes tradicionais do Carnaval”.

Este ano, a CML antecipou a Festa do Caracol Saloio com a Rota do Caracol. André Antunes refere que a perceção sobre o impacto desta Rota na atividade económica do concelho “é muito positiva”. “Temos sentido um aumento de procura. Há muita curiosidade sobre aquilo que são as iguarias e as especialidades desta oferta gastronómica. A Rota do Caracol serve de mote para o Festival do Caracol, que culmina num dos grandes eventos realizados em Loures”.

Em balanço da Festa do Caracol 2026, que decorreu entre 25 de junho e 12 de julho, no Parque Verde do LoureShopping, o responsável sublinha que evento é já um dos maiores festivais gastronómicos do país, tendo tido a participação de mais de 140 mil visitantes, afirmando Loures como capital nacional desta iguaria. André Antunes destacou os milhares de visitantes e o record de consumos de caracóis e de bebidas durante o festival.

O vereador acredita que Loures “oferece produtos e experiências complementares”, pois “nós somos mais autênticos, mais próximos do centro da capital e temos destinos menos massificados. E isso leva-nos a que possamos especializar-nos numa oferta que outros municípios não conseguem ter, pois temos uma oferta complementar, que está a ser devidamente estruturada, e que nos diferencia. Se aproveitarmos as nossas oportunidades, conseguiremos destacar-nos como destino turístico diferenciado e não massificado”, anota.

André Antunes quer consolidar Loures como um polo atrativo para a visita turística, fazendo a divulgação “do muito que temos para oferecer, no património, nos nossos produtos regionais, no enoturismo, na oferta cultural ou eventos de relevo na área metropolitana, projetam Loures no país e além-fronteiras”, conclui.

Carreira

Licenciado em Administração Pública, André Antunes pertence aos quadros da CML há quase 20 anos. No início, trabalhou na divisão de apoio à juventude, ganhando novas competências na implementação da agenda cultural juvenil, no apoio ao movimento associativo juvenil e na criação do regulamento municipal ao movimento juvenil. Posteriormente, foi trabalhar com o na altura vereador da educação e das finanças, Ricardo Leão, trabalhando no gabinete do responsável de 2011 até 2013. Depois, o seu caminho profissional foi feito no acompanhamento técnico aos vereadores do PS, na altura, na oposição.

Com a vitória do PS, por maioria, nas últimas eleições autárquicas, André Antunes assumiu um lugar no Executivo municipal, ficando com os pelouros do turismo, comunicação e marca da CML

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