Pela primeira vez na história do Município de Sintra, a cerimónia protocolar das celebrações oficiais do 25 de Abril saíram dos Paços do Concelho, realizando-se em Massamá. Marco Almeida sublinhou a importância deste ato simbólico de descentralização do poder autárquico e lembrou a urgência da juventude “não deixar apagar a chama da democracia e da liberdade”.
O povo de Sintra saiu à rua para celebrar o 25 de Abril. Com cravos nas lapelas e nas mãos, oferecidos pelo Município, a população sintrense juntou-se à cerimónia protocolar das celebrações, realizadas em Massamá, frente à estação de comboios, onde decorreram as cerimónias oficiais presididas por Marco Almeida, acompanhado pelo presidente da Assembleia Municipal de Sintra, Fernando Seara, os vereadores do seu Executivo e os vereadores sem pelouro, bem como os presidentes de Junta de Freguesia e deputados municipais.
Antes do discurso oficial, o presidente do Município passou revista às forças de segurança da polícia municipal (PM) e às corporações de bombeiros presentes na parada. Marco Almeida aproveitou para atribuir a medalha de Mérito Municipal, “em reconhecimento do mérito de serviço público em prol dos sintrenses”, a nove agentes da PM do concelho.
No discurso oficial, o autarca sublinhou o facto de este ano as celebrações dos 52 anos da Revolução do 25 de Abril em Sintra decorreram pela primeira vez fora dos Paços do Concelho inaugurando “uma nova forma de celebrar Abril de uma forma descentralizada”, enfatizou, destacando que esta descentralização “faz mesmo sentido”, pois reflete a valorização dos “lugares onde se criam raízes, se constroem laços e projeta o futuro coletivo”.
No mesmo sentido, o presidente da Câmara Municipal de Sintra manifestou “uma verdadeira alegria” por ver as comemorações do 25 de Abril saírem do centro da Vila de Sintra e virem “ao encontro das comunidades”, sublinhando que “Abril é a chama comum a todos” os sintrenses.
Espírito comunitário nascido em Abril
Apoiando-se nas notícias da imprensa local da época, o autarca recordou os anos 70 no território, onde começou a haver registos de uma explosão demográfica, nomeadamente em Monte Abraão, Queluz e Algueirão Mem Martins, freguesias onde os problemas da habitação já eram sinalizados tendo-se chegado a formar Comissões de Moradores para debater “com a linguagem própria da época” para falar sobre os problemas comuns.
Numa intervenção que não deixa margens para dúvidas sobre a defesa da importância da “Revolução dos Cravos”, Marco Almeida recordou que, com a Revolução, surgiram novos conceitos que começaram a eclodir nas comunidades: participação popular, democratização e poder local foram ideias que tomaram conta das ruas e dos bairros e que “ainda hoje continuam a ecoar como sementes que não deixaram de germinar”, segundo o autarca.
Em todo este processo as coletividades ganharam uma nova pujança como pontos “fundamentais” na agregação da população na defesa dos interesses comuns, situação destacada por Marco Almeida, que sublinhou ainda que “Sintra, pela força e diversidade dos seus habitantes, tem sabido manter acesa a luz que a orienta e que nos faz avançar juntos”.
Um futuro coletivo que pode ser construído também através dos contributos que diz estar “disponível” para receber e trabalhar com “todas as forças vivas do concelho”, no entanto “sem abdicar do nosso destino”, e na certeza “do valor que foi atribuído à atual gestão camarária e à confiança que recebeu dos sintrenses”.
Marco Almeida apontou ainda as baterias do seu discurso para a importância de os jovens não deixarem apagar a “chama da democracia e da liberdade”, de continuarem o legado das gerações anteriores, não sem antes deixar o alerta de que “a liberdade não é um dado adquirido”, mas é também “uma chama que precisa de ser alimentada por cada geração”.
Marco Almeida instou a juventude a participar, questionar, propor, sonhar e transformar, pois “o futuro de Sintra” alimentar-se-á dessa “energia, criatividade e inquietação que move o mundo e recusa ficar parada (…) não desistam de participar e acreditar em Sintra”, pediu.
Em dia de celebração da liberdade, Marco Almeida apelou para todos os participantes na cerimónia para que nunca se deixe de participar e praticar essa mesma liberdade e que essa chama nunca se apague.
As celebrações continuaram durante a manhã, com o desfile das onze bandas filarmónicas do concelho percorrendo a Avenida da Liberdade, desde a estação de comboios, até ao Parque Salgueiro Maia. O Executivo Municipal, liderado por Marco Almeida, e toda a comitiva, incorporaram-se no desfile “seguindo as bandas” até ao Parque Salgueiro Maia, que, este ano, se transformou no epicentro das comemorações do 25 de Abril em Sintra.


